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terça-feira, 21 de abril de 2015

Geórgia é 24º estado americano a permitir maconha medicinal

Lei foi promulgada após senadores americanos apresentarem projeto para permitir uso medicinal em todo país

16/04/2015 - A Geórgia legalizou o uso medicinal da maconha nesta quinta-feira, após lei promulgada pelo governador Nathan Deal, tornando-se o 24º dos 50 estados americanos a autorizar a prática. A legislação descrimina o porte em óleo de baixo teor da substância que altera o sistema nervoso central, o tetraidrocanabinol (THC), para tratar oito doenças como o câncer, a esclerose múltipla, o Parkinson ou a epilepsia.

"A espera finalmente terminou para os pacientes que sentem dor", disse Deal em um pronunciamento feito após assinar a lei aprovada pelo Congresso da Geórgia, no final de março.

O governador espera a volta de 17 famílias para a Geórgia. No ano passado, essas pessoas se mudaram para o Colorado, onde seus filhos doentes poderiam ter acesso à maconha medicinal.

"Podemos agora começar o processo de espera para trazer para casa nossos refugiados médicos", afirmou o deputado republicano Allen Peake, um dos promotores da medida.

A lei foi promulgada poucas semanas após os senadores americanos apresentarem um projeto de lei abrangente para permitir o uso de maconha medicinal em todo o país. Embora cada vez mais estados sejam favoráveis à medida (24 mais a capital Washington), a lei federal ainda expõe os consumidores a investigações criminais e detenções por porte da droga. Fonte: Correio do Povo/RS.

sábado, 29 de novembro de 2014

Pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros é contra a maconha medicinal

Já a aprovação é maior entre as pessoas mais escolarizadas

29/11/2014 - A maconha ainda gera controvérsia. Segundo pesquisa Datafolha, encomendada pelo ICTQ (Instituto de Ciências Tecnológicas e Qualidade Industrial), 56% da população brasileira é contra a venda da maconha para uso medicinal. Já a liberação de remédios derivados da droga é aprovada por 50%.

Ainda de acordo com o levantamento, o apoio à liberação da substância aumenta conforme a escolaridade, 69% entre os que têm nível superior e 38% dos com nível fundamental. Na comparação do nível socioeconômico, a maior aceitação é registrada nas classes A e B, 60%. Nas C e D, o índice cai para 33%.

A pesquisa também mostrou que a discordância é maior nas cidades do interior, nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste e entre os mais velhos.

A pesquisa foi publicada neste sábado (29) no jornal Folha de São Paulo. Ao todo, 2.162 entrevistas foram realizadas em todo o País. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Famílias já conseguiram na Justiça a autorização para a importação do Canabidiol, substância derivada da maconha. O medicamento está sendo usado contra graves casos de epilepsia. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já liberou 184 pedidos de importação desde abril. Fonte: Record R7.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Tarso Araújo comenta uso da maconha medicinal: 'É um assunto muito urgente' (Programa do Jô)

Jornalista lança um documentário sobre famílias que lutam para ter a liberação do uso da erva como medicamento
06/11/2014 - Falar sobre maconha sempre causa muita polêmica, mas o jornalista Tarso Araújo decidiu tocar no assunto para ajudar famílias de pessoas que sofrem com doenças, que podem ter seus sintomas amenizados com o auxílio do uso medicinal. "Esse é um assunto muito urgente em nossa sociedade."

Diretor do documentário "Ilegal", Tarso conta que entrevistou muitas pessoas que precisam fazer uso da maconha. "O filme fala sobre maconha medicinal, mas com o foco na luta das pessoas para ter acesso a um direito fundamental, que nesse caso é a saúde."

Durante o Programa do Jô, o jornalista conta a história da mãe de uma menina que tinha 80 convulsões por semana, mas viu a ocorrência cair drasticamente após o uso do canabidiol. "Como tudo na vida, a maconha tem seus dois lados."

Segundo Tarso Araújo, o Brasil já está começando a autorizar alguns casos em caráter excepcional mediante uma burocracia gigantesca. "Eles permitem só que as famílias importem, porque realmente existe uma muralha de preconceito que impede que elas tenham acesso mais fácil e mais barato ao medicamento." Fonte: Globo G1. Clique e assista o vídeo!

E como já havia dito em 30/05/2014:
são uns Turd's.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O lado B da maconha medicinal

24/08/2014 - Você é a favor ou contra a legalização da maconha? Se tiver dúvidas estará em melhor situação do que aqueles que têm uma visão passional sobre o tema. No Brasil, essa discussão ocorre num clima de Fla-Flu altamente improdutivo. Sobra opinião desinformada e falta análise objetiva.

Uma boa contribuição para o debate é observar o que aconteceu nos Estados Unidos desde que a maconha foi liberada em algumas regiões para uso medicinal, recreativo ou ambos. Um desses estados americanos é o Colorado, que se tornou um verdadeiro laboratório vivo. O que acontece ali é estudado em detalhes desde 2009. É uma forma de avaliar o impacto que a legalização da droga teria caso fosse adotada no país todo.

Um novo e amplo estudo sobre o caso do Colorado ficou pronto neste mês. A íntegra você pode acessar aqui. Um dos líderes do trabalho é o sociólogo Kevin Sabet. Ele é diretor do Instituto de Política de Drogas e professor-assistente no Departamento de Psiquiatria da Universidade da Flórida.

Sabet não mistura o debate sobre drogas com política. Por isso, foi o único a atuar como conselheiro em administrações tão distintas quanto as dos presidentes Bill Clinton, George Bush e Barack Obama.

“A legalização é uma solução simplista para um problema complicado”, diz Sabet. Ao analisar o impacto social de drogas legais, ele ressalta que, nos Estados Unidos, o álcool é responsável por mais de 2,6 milhões de prisões por ano. Quase 1 milhão de prisões a mais do que as provocadas por drogas ilegais.

Neste sábado (23), Sabet participará de um debate no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Foi convidado pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Nesta coluna, você acompanha em primeira mão os principais pontos da palestra que Kevin fará durante o evento.

O Colorado liberou o uso de maconha medicinal há 13 anos. Em 2009, ocorreu uma grande expansão de pontos de venda. Cerca de 3% dos adultos receberam licença para uso da droga e surgiram mais de 700 farmácias dedicadas ao produto. A facilidade de acesso trouxe consequências.

Na capital, Denver, 74% dos adolescentes em tratamento contra dependência química afirmaram ter consumido a maconha medicinal de outra pessoa. Fizeram isso, em média, 50 vezes. Em 2013, dentre os estudantes do último ano do ensino médio que consumiram a droga, 60% afirmaram ter conseguido maconha com amigos. Apenas 25% compraram de traficantes ou estranhos.

Em novembro de 2012, o Colorado também liberou o uso recreativo da droga para adultos acima de 21 anos. As primeiras lojas do produto foram licenciadas em janeiro de 2014. “Só o tempo dirá qual o impacto dessa medida no país”, ressalta Sabet. “Os cinco anos de experiência do Colorado com maconha medicinal é um bom indicativo do que pode ocorrer”.

O que aconteceu? A seguir, os principais achados da pesquisa:

CONSUMO POR JOVENS

* Em 2012, a média de uso de maconha por adolescentes de 12 a 17 anos no Colorado era 39% mais alta que  a média nacional. O índice de consumidores da droga nessa faixa etária era de 10,4% no estado e de 7,5% no país.

* A quantidade de suspensões ou expulsões da escola aumentou 32% na comparação entre os anos letivos de 2008 e 2012. A maioria dos casos envolveu o consumo de maconha.

CONSUMO POR ADULTOS

* Em 2012, a porcentagem de estudantes entre 18 e 25 anos que fumavam maconha no Colorado era 42% mais elevada que a média nacional. O índice de consumidores da droga nessa faixa etária era de 26,8% no estado e de 18,8% no país.

* Em 2012, 7,6 dos adultos acima de 26 anos fumavam maconha regularmente no estado – índice 51% mais elevado que a média nacional (5%).

* Entre todos os adultos que foram presos na capital Denver em 2013, 48% tinham testes positivos para uso de maconha. Um aumento de 16% em relação a 2008.

O EFEITO NO TRÂNSITO

* O número de mortes em acidentes de trânsito envolvendo motoristas que haviam fumado maconha aumentou 100% entre 2007 e 2012.

* A maioria das prisões por direção sob influência de drogas envolveu maconha. Em até 40% dos casos, o motorista havia usado apenas maconha.

* Os testes positivos para maconha em motoristas aumentaram 16% entre 2011 e 2013.

O EFEITO NOS HOSPITAIS

* Entre 2011 e 2013, os atendimentos de emergência de pacientes que haviam fumado maconha aumentaram 57%.

* As internações relacionadas à maconha cresceram 82% entre 2008 e 2013.

Não são dados desprezíveis. O que aconteceria se a maconha fosse legalizada no Brasil, pelo menos para uso medicinal?  Muitos especialistas temem que o propósito seja desvirtuado como aconteceu no Colorado. “Em primeiro lugar, não existem evidências comprovadas de que fumar maconha faz bem à saúde”, diz o psiquiatria Ronaldo Laranjeira.

“Além disso, grande parte das pessoas que possuem licença para adquirir maconha medicinal nos Estados Unidos sequer tem problemas graves de saúde”, afirma. Para ele, essa é uma situação que poderia se repetir em qualquer país, inclusive no Brasil.

Laranjeira não se opõe ao uso de medicamentos que contêm substâncias presentes na maconha. É o caso do canabidiol. Atualmente a importação de remédios feitos a partir de componentes da maconha não é liberada no Brasil. Só pode ocorrer com autorização judicial.

Famílias de pacientes que sofrem com doenças graves (como epilepsia resistente a qualquer medicamento convencional) depositam esperança no tratamento com produtos como o spray Sativex, do laboratório britâncio GW Pharmaceuticals.

É compreensível que as famílias tenham pressa, mas o conhecimento científico sobre os benefícios e a segurança desses produtos é bastante limitado.

Uma pequena pesquisa realizada nos Estados Unidos com pais de crianças que sofrem convulsões frequentes, publicada no ano passado, trouxe alguns dados. Participaram apenas 19 famílias que trataram os filhos com maconha com alto teor de canabidiol.

Duas famílias (11% da amostra) declararam que a criança ficou completamente livre de convulsões. Oito famílias (42%) observaram redução superior a 80% na frequência das crises. Seis famílias (32%) notaram redução de até 60% na frequência dos episódios.

Isso não significa que fumar maconha faça bem à saúde. “Usar um componente presente na maconha como medicamento, aprovado de forma adequada pelas autoridades do país, é uma coisa”, diz Laranjeira. “Fumar maconha, acreditando que isso trará benefícios médicos é outra. Não existem evidências capazes de sustentar essa ideia”.

Quem defende a legalização da maconha argumenta que os benefícios superariam as possíveis consequências negativas. A medida evitaria prisões por porte da droga, reduziria os lucros dos traficantes e permitiria que os recursos do Estado fossem direcionados a combater crimes mais sérios e violentos. Há quem sustente que a legalização não aumentaria o consumo da droga entre os jovens.

Quem é contra a legalização argumenta que os possíveis benefícios são tímidos diante das consequências adversas. A decisão facilitaria o acesso dos jovens à droga, aumentaria os acidentes de trânsito e os custos dos tratamentos de saúde física e mental. Os próximos dois anos, segundo Sabet, serão cruciais para saber qual dos dois lados tem razão. Fonte: Vale Agora.

A favor da maconha: tem que se observar os efeitos sinérgicos dos diversos componentes, fato não considerado normalmente nas análises, mesmo porque desconhecem quais são estes efeitos e mesmo quais agentes interagem.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Maconha contém princípio ativo que protege memória, sugere estudo da PUCRS

Cannabis ambivalentis
Cientistas descobrem em componente da planta possível remédio para Alzheimer e Parkinson

16/12/2013 | Se o que pesquisadores da PUCRS viram ocorrer em ratos for confirmado em humanos, um princípio ativo da maconha poderia ser valioso no tratamento e na reversão dos sintomas de pacientes com quadros de demência, como Alzheimer e Parkinson.

Pergunte a alguém na rua sobre impactos da maconha na saúde e é provável que a réplica inclua raciocínio lento ou esquecimento. Acontece que a Cannabis sativa é uma planta de muitos princípios ativos. São mais de 80 dos chamados canabinoides que, isolados, produzem efeitos distintos. O mais conhecido é o delta9-tetrahidrocanabinol.

Protagonista dos efeitos psicoativos, o THC tem comprovados potenciais terapêuticos, mas compromete cognição e memória. Remando contra a maré psicoativa, um outro canabinoide chama atenção, com propriedades que muitos cientistas veem como promissoras para a medicina. Esse cara é o canabidiol (CBD), e foi nele que o grupo de pesquisa sobre Memória e Neurodegeneração da Faculdade de Biociências da PUCRS centrou suas atenções.

– Muitos estudos sugerem que o THC e o CBD apresentam efeitos opostos – explica Nadja Schroder, coordenadora do Programa de Pós-Graduação de Biologia Celular e Molecular e líder do grupo. – Nossos resultados indicam que o CBD, quando administrado de forma isolada, melhora a memória – completa a pesquisadora.

Parkinson e Alzheimer estão relacionados ao acúmulo de ferro na região do hipocampo. Os pesquisadores sujaram esse lar das lembranças. Após administrar ferro nos roedores, ficaram de olho em duas proteínas: a sinaptofisina, indicadora da comunicação entre neurônios (sinapse), e a caspase 3, chave da morte celular. Como era esperado, os níveis da primeira diminuíram e os da segunda aumentaram, indicando menos contatos sinápticos e mais degeneração cerebral.

Bastou, então, dar CBD sintético às cobaias, e os níveis das proteínas retornaram ao normal. O experimento foi publicado em julho na revista Molecular Neurobiology, sob a assinatura de Nadja e outros pesquisadores da PUCRS e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Os cientistas sugerem que o CBD seja considerado uma molécula protetora do cérebro e dos neurônios.

– Os resultados são promisssores e ainda há muitos estudos a serem feitos – avalia Nadja.

Velho (re)conhecido

As legalizações de Cannabis medicinal nos EUA, na Europa e, mais recentemente, no Uruguai, lançam luzes sobre o CBD. A rede americana CNN transmitiu recentemente o documentário Weed (Erva), em que o médico-celebridade Sanjay Gupta apresenta o caso clínico que o tornou entusiasta do uso médico da planta.

Dr. Gupta virou a casaca após conhecer Charlotte Figi (veja o vídeo abaixo). A menina de seis anos, acometida pela rara Síndrome de Dravet, sofria 300 convulsões por dia e definhava sem que a medicina tradicional lhe oferecesse qualquer alento. Foi um extrato de CBD que praticamente livrou Charlotte dos ataques e lhe devolveu a capacidade de falar e caminhar.

– Na década de 70, o grupo do professor Elisaldo Carlini (neurocientista da Universidade Federal de São Paulo) identificava, como um dos primeiros efeitos próprios do CBD, o antiepiléptico – lembra o psiquiatra da USP Antonio Zuardi, que assina o artigo com os pesquisadores da PUCRS e publicou estudos clínicos demonstrando o potencial do canabidiol contra ansiedade e sintomas psicóticos em esquizofrênicos.

Investigado há mais de meio século, o CBD é visto como promissor para uma variedade de condições (leia quadro acima). Para as pesquisas sobre doenças degenerativas, Nadja afirma que o passo natural seria testar clinicamente a eficácia do tratamento na recuperação da memória. Pode ser que se confirme, no irmão do THC, um aliado na luta contra as ainda incuráveis doenças de Alzheimer e Parkinson.

– Há estudos realizados em humanos indicando que o canabidiol (isolado) é seguro mesmo quando usado em doses altas – salienta. Fonte: Jornal Zero Hora.