terça-feira, 17 de agosto de 2010

Parkinson. A luta contra o tempo de Sergey Brin
O fundador da Google tem 50% de hipóteses de ter Parkinson. Há quatro anos que tenta ser mais rápido do que a doença
17 de Agosto de 2010 |  Sergey Brin vive em contra-relógio. O co-fundador da Google sabe desde os 31 anos que, graças à mutação que possui no gene LRRK2, as probabilidades de vir a ter Parkinson são as mesmas de sair caras a atirar moeda ao ar. Desde que descobriu a existência deste risco em 2006, Brin iniciou uma luta contra o tempo para tentar encontrar uma cura para a doença, antes que a doença o apanhe.

O americano comum tem 1% de probabilidades de ter Parkinson. A mutação genética que Sergey Brin carrega no 12.o cromossoma faz com que tenha entre 30% e 75% de hipóteses, o que torna o seu risco num simples, mas assustador 50/50. "Todas as pessoas têm os seus desafios. Este é o meu. Para mim é apenas uma de muitas coisas que poderia ter na velhice. E o mais importante é que posso fazer alguma coisa em relação a isso", afirmou à revista "Wired".

A história do milionário que decide financiar a investigação de uma doença que lhe é diagnosticada não é nova, mas Brin dá-lhe um twist hollywoodesco. Ele é o primeiro a fazê-lo antes de ter a doença.

O primeiro tiro de aviso chegou em 1999, quando a mãe de Brin viu confirmado o diagnóstico de Parkinson. O receio confirmou-se sete anos mais tarde, quando Wojcicki, mulher de Brin e fundadora da 23andMe, o convenceu a fazer os testes genéticos disponibilizados pela sua empresa (em que a Google investe).

E foi então que foi dado o tiro de partida para o contra-relógio de Brin. Por cada mergulho que dá quase diariamente numa piscina perto da sede da Google, Brin afasta-se um pouco mais da doença. Está provado que quem faz exercício regularmente reduz 60% o risco de ter Parkinson. Da mesma forma, quem beba café ou fume parece ter também menos probabilidades de ter a doença. Brin tentou habituar-se a beber dois cafés por dia, mas não suportava o sabor. Acabou por mudar para chá verde, sendo a teína (com propriedades equivalentes à cafeína) o factor decisivo.

As contas do fundador da Google são simples: os esforços que está a fazer devem reduzir para metade as probabilidades de ter Parkinson, o que, conjugado com os avanços na neurociência e o desenvolvimento de medicamentos e possíveis curas para a doença, devem pôr as suas probabilidades um pouco abaixo dos 10%. Ainda assim, é dez vezes superior ao americano comum.

E é a partir daqui que faz a diferença ser-se dono de metade de um império como a Google, com uma fortuna avaliada em 14 mil milhões de euros. Os 40 milhões de euros que já investiu na pesquisa de Parkinson desde 2006 não estão disponíveis para o comum mortal.

No entanto, mais que interessado em financiar a investigação, Brin quer acelerá-la, trazendo a "experiência Google" para os laboratórios. Um novo tipo de ciência "mais Google" seria capaz de analisar quantidades enormes de informação, impulsionada pelo poder da computação. "Normalmente o ritmo da pesquisa médica é glacial, quando comparado com o que estou habituado na internet", explicou. Os dados serão recolhidos em primeiro lugar e só depois lançadas hipóteses para encontrar padrões que levem a respostas. Apesar de alguns cientistas argumentarem que o método pode carecer de alguma precisão, a verdade é que permite encurtar partes da investigação de anos para meses.

Na realidade, Brin está a fazer o que qualquer um faria se lhe fossem dados a conhecer os recantos escuros do seu livro genético (fazer exercício, mudar de dieta...). Porém, poucos tiveram a possibilidade de dobrar a curva da ciência o suficiente para poder fazer a diferença. E Brin tem não só o dinheiro, como o algoritmo para o conseguir. Mas a corrida ainda agora começou. Fonte: I on line.pt.

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