“Turistas” da célula-tronco colocam a saúde em risco
América do Sul já está na rota de clínicas que oferecem tratamento sem comprovação científica aos viajantes doentes
13/08/2010 - A terapia com célula-tronco ainda é só uma “promessa”, não pode ser incorporada na rotina dos consultórios, mas de forma perigosa já fomenta o turismo médico irregular e estimula pessoas do mundo a viajarem em busca de milagres para doenças sem cura, afirmaram os principais nomes da pesquisa sobre medicina regenerativa do Brasil.O encontro dos pesquisadores aconteceu na Faculdade de Medicina da USP nesta sexta (13), na cidade de São Paulo, e a proposta era discutir “a nova era” do uso da técnica, já que os ensaios científicos começaram há 10 anos. Os turistas das células-tronco foram apontados como uma das problemáticas atuais.
“Existem empresas que oferecem turismo médico para tratamentos com células-tronco sem nenhuma evidência científica comprovada. Isso merece toda a nossa atenção”, puxou o assunto Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência e Tecnologia e Assuntos Estratégicos do Ministério da Saúde. “A China, de fato, é um dos grandes pólos que recebe estes viajantes, assim como o Oriente Médico. Mas é importante ressaltar que os países que abrigam estas clínicas irregulares não estão localizados só abaixo da linha do Equador. A Alemanha já despontou como destino e atuação destes charlatões”, completou. (...)
Fórmula mágica
Para Marco Antônio Zago, vice-reitor da área de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por trás do turismo da célula tronco está o “destaque desproporcional” que a técnica ganhou, sendo apresentada como “fórmula mágica “para todos os problemas de saúde existentes na face da terra. É fato que estas células – que podem ser de três diferentes tipos – mostraram em ratos e nos laboratórios que têm potencial de regenerar órgãos vitais e podem ser em um futuro próximo opções de tratamento para doenças tabu, como câncer, Parkinson ou transplante por exemplo.“Mas para virar uma opção terapêutica é preciso de evidências sólidas e seguras”, afirma Zago. “E hoje, apesar de todas as nossas pesquisas, só existem evidências para o transplante de medula óssea e para o tratamento de lesões oculares. O restante creditado à célula-tronco não pode ser apresentado como uma terapia”, completa. (segue...) Fonte: Último Segundo.
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