sábado, 14 de agosto de 2010

“Turistas” da célula-tronco colocam a saúde em risco
América do Sul já está na rota de clínicas que oferecem tratamento sem comprovação científica aos viajantes doentes
13/08/2010 - A terapia com célula-tronco ainda é só uma “promessa”, não pode ser incorporada na rotina dos consultórios, mas de forma perigosa já fomenta o turismo médico irregular e estimula pessoas do mundo a viajarem em busca de milagres para doenças sem cura, afirmaram os principais nomes da pesquisa sobre medicina regenerativa do Brasil.

O encontro dos pesquisadores aconteceu na Faculdade de Medicina da USP nesta sexta (13), na cidade de São Paulo, e a proposta era discutir “a nova era” do uso da técnica, já que os ensaios científicos começaram há 10 anos. Os turistas das células-tronco foram apontados como uma das problemáticas atuais.

“Existem empresas que oferecem turismo médico para tratamentos com células-tronco sem nenhuma evidência científica comprovada. Isso merece toda a nossa atenção”, puxou o assunto Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência e Tecnologia e Assuntos Estratégicos do Ministério da Saúde. “A China, de fato, é um dos grandes pólos que recebe estes viajantes, assim como o Oriente Médico. Mas é importante ressaltar que os países que abrigam estas clínicas irregulares não estão localizados só abaixo da linha do Equador. A Alemanha já despontou como destino e atuação destes charlatões”, completou. (...)

Fórmula mágica
Para Marco Antônio Zago, vice-reitor da área de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por trás do turismo da célula tronco está o “destaque desproporcional” que a técnica ganhou, sendo apresentada como “fórmula mágica “para todos os problemas de saúde existentes na face da terra. É fato que estas células – que podem ser de três diferentes tipos – mostraram em ratos e nos laboratórios que têm potencial de regenerar órgãos vitais e podem ser em um futuro próximo opções de tratamento para doenças tabu, como câncer, Parkinson ou transplante por exemplo.

“Mas para virar uma opção terapêutica é preciso de evidências sólidas e seguras”, afirma Zago. “E hoje, apesar de todas as nossas pesquisas, só existem evidências para o transplante de medula óssea e para o tratamento de lesões oculares. O restante creditado à célula-tronco não pode ser apresentado como uma terapia”, completa. (segue...) Fonte: Último Segundo.

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