Os impactos à saúde do cuidador
Sobrecarga da atividade pode gerar doenças físicas e emocionais em quem dedica a vida, formal ou informalmente, a cuidar de outros
20/07/2010 - Não há regulamentação, tampouco uma categoria que abrace a função. O dicionário define como uma qualidade: zeloso seria o sinônimo imediato. Os cuidadores sempre aparecem na necessidade.A atividade vira profissão quando não é feita por nenhum parente e passa a ser remunerada. Sem currículo específico ou experiência profissional, as exigências da função – e os impactos da atividade na saúde do cuidador– variam conforme as limitações e as debilidades de cada paciente. (...)
O transtorno psicológico, porém, não é um sintoma imediato para quem dedica uma parte de seu tempo ou a vida para cuidar de alguém. Mara Franchi Polakiewicz, 58, professora de ensino médio, recorreu a sessões de psicanálise na época em que conciliava as aulas em um colégio particular paulista e os cuidados com a mãe com Parkinson e demência. “Tentava proporcionar o melhor a ela. Desdobrava-me e sentia que aquilo era meu dever, obrigação como filha. Fazia o possível para agradar, dar carinho, cuidados.”
A falta de retorno ao investimento emocional e físico, segundo Mara, geraram uma frustração muito grande. A cada consulta médica, ela era questionada sobre o tratamento dispensado à mãe. "Achar que está fazendo tudo certo e ver a doença evoluir não é fácil para nenhum cuidador, principalmente quando a relação é familiar", explica Harumi Kaihami, chefe de psicologia da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, ligada ao Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
“O cuidador informal, da família, assume essa função não apenas por preconceitos sociais, mas porque acha que tem capacidade para fazer benfeito. A intenção de realizar o melhor sempre existe, mas não há preparo profissional para cuidar de determinadas doenças. Ceder aos pedidos e manhas do doente é o mais comum.”
Saber reconhecer o limite da função é fundamental para a saúde do cuidador. No caso de Mara, após dois anos de cuidados diários, a professora optou por internar a mãe em uma clínica. “O desgaste era muito elevado, isso depende também da personalidade do paciente. Minha mãe era uma pessoa muito difícil. Ela olhava para mim e de alguma forma me culpava por eu estar aparentemente bem e ela mal.”
O preconceito social confunde limite pessoal com abandono. Para quem tem condições financeiras, transferir os cuidados para um clínica especializada é benéfico tanto para o paciente quanto para o parente, explica Harumi. “O cuidador não pode esquecer de si. Ele precisa se perceber e estar atento aos sinais e sintomas de problemas. E buscar auxílio. Nem todo mundo pode ser cuidador.”
A médica alerta que a sobrecarga da atividade é diretamente proporcional às limitações impostas pela deficiência do paciente. “Doenças crônicas, graves, exigem uma dedicação muito intensa. A dependência é maior, o desgaste do cuidador também será.” (segue...) Fonte: Ultimo Segundo.
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