quinta-feira, 29 de novembro de 2001

clonagem

(nota pr�via: este blog merece uma musiquinha: escolha entre Zarathustra e Dan�bio Azul - e retorne ao texto com back)

Estudante na antiga Faculdade Catarinense de Filosofia, fundada por Henrique Fontes, na buc�lica Florian�polis do in�cio dos anos sessenta, lembro-me de ter lido na revista Rasegna M�dica, do laborat�rio Le Petit, um artigo sobre as experi�ncias de um geneticista italiano que fazia pesquisa de fertiliza��o in vitro. A not�cia dizia que esta tecnologia j� estava dominada e anunciava a possibilidade t�cnica de gera��o de um ser humano fora do �tero materno.
Por essa �poca, tomei contato com a teoria evolucionista, atrav�s de Eudoro de Souza, helenista famoso, misto de fil�sofo e arque�logo. Enfatizava ele de forma dram�tica que o homem era o �nico animal a contrapor o polegar ao plano da m�o, fato que marcava o momento da transcend�ncia da natureza para o reino da cultura. Essa mesma id�ia, ali�s, foi explorada depois por Stanley Kubrick no filme 2001: Uma odiss�ia no espa�o, lan�ado em1968, numa das cenas antol�gicas da hist�ria do cinema. Um macaco apanha uma t�bia e a arremessa para o alto. O osso transforma-se numa nave que sai deslizando pelo espa�o ao som de Zaratrusta, de Wagner.


Pouco depois, tomei contato com Lesley White e sua Culture Evolution, defendendo a tese da evolu��o humana como conseq��ncia da capacidade do homem de apropriar-se da energia e de transform�-la em benef�cio pr�prio, processo esse que tem in�cio com a descoberta do fogo e passa pela explos�o da primeira bomba at�mica em 1945. As revolu��es seguintes seriam justamente a da inform�tica, as viagens espaciais e a decifra��o do c�digo gen�tico.
Coloco isto a prop�sito da discuss�o atual sobre clonagem de seres humanos, trazendo de volta com toda a for�a a teoria evolucionista, e o debate em torno das id�ias do bi�logo ingl�s Richard Dawkins, seu mais pol�mico divulgador. No livro O gene ego�sta (1976) ele traz algo novo e assustador para quem ainda tem o g�nero humano como o centro da cria��o, ao expor a tese de que "somos m�quinas de sobreviv�ncia - ve�culos rob� programados" para replicar o gene, a mol�cula de DNA, e lan�a a id�ia de que um novo replicador nasce no caldo da cultura humana. Ele chama a unidade de transmiss�o cultural ou de imita��o, esse novo replicador, de meme. (Dawkins, 1976 p. 214) Quais s�o as implica��es sociais e pol�ticas dessa tese? Qual o espa�o reservado � teoria evolucionista darwiniana nos curr�culos dos nossos cursos de ci�ncias sociais?



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