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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Não imaginam quanta coragem é preciso ter para mostrar o vídeo que deixo link. Por isso, antes de o abrir, leia por favor até ao fim.

PARKINSON

Tendo por certo a morte, é na vida que nos vemos e revemos. Então, com fé ou esperança, movemos montanhas, por vezes de ilusões, mas movemos, esperando que um milagre qualquer aconteça

Acredito que a minha fé ajude a encarar os momentos mais difíceis, com mais tranquilidade, sempre à espera de um milagre. Mas, também, fico na esperança de conseguir que, num dado momento, sobre por aí uma pílula milagrosa que nos cure.

No século passado, todos que estavam diagnosticados com o bacilo da tuberculose, antes de ter sido descoberta a penicilina; quanta esperança em alguns; quanto desalento noutros e, afinal, no limiar da descoberta, do tal antibiótico, muitos dos que tinham esperança morreram e muitos dos que não acreditavam na cura sobreviveram.

Quiçá, muitos, na esperança não desistiram da vida - pela vida, e viveram mais uns anos na terra, graças à ciência, mas, sobretudo, ficaram vivos por não terem perdido a esperança.

Acredito com firmeza que alguém me dê a notícia que tanto anseio: A cura para a doença de Parkinson.

Volto às palavras iniciais: Que difícil é mostrar os “estragos” visíveis que a doença de Parkinson causa em nós.
Que mais não seja, que os meus tremores e os temores sirvam para vos incentivar a não desistirem de viver e de lutar pela cura.
Irei continuar a escrever poesia e a declamá-la mesmo que chore...

Só mais uma palavra para quem se sente doente ou sofre do mal da solidão. Desejo, de todo o meu coração, que todos tenham fé e esperança para que o dia de amanhã seja melhor. Afinal a existência da Internet fez com que este meio pudesse ser útil para nos aproximarmos mais uns dos outros e para que os outros nos aceitem com mais dignidade.
Sejamos felizes com mais fé, mais esperança, mais amor e muita paz.

FELIZ ANO NOVO. FELIZ 2009

(Dado que, por razões óbvias, não consegui ler o poema, como então lia, deixo aqui esse mesmo poema e mais dois, não lidos mas cheios de Esperança).


Amanhã estarei melhor
Rogério Martins Simões

Hoje continua o lastro
do meu estado de alma
do dia de ontem.

Estou envolvido
numa teia que enleia.
Estou como que pregado
a um madeiro
sem pregos ou cordas.
Solto uma terrível agonia
e, sem dar conta,
nem vómitos dão a perceber.

Sou uma represa invisível
num turbilhão de água
pesarosa.

Se ao menos chorasse.
Se ao menos morresse.

Sou um ser solitário
acompanhado
com a mulher mais presente
- O amor da minha vida.

Será do tempo?

Hoje meu corpo
nem o Tejo espreitou!
Sinto-me agarrado a nada,
e nem mesmo a lua
terá saudades em me ver.

Este vazio imenso
parece furtar
as palavras do coração.
Parece levar a alma,
que renascia,
quando noite fora partia,
pelo Tejo,
em busca de uma bruma de saudade.

Será do Inverno?

Não! O Inverno esquivou-se
nas estações esquecidas,
onde nem as carruagens
de terceira classe param.

Amanhã estarei melhor!
2008


NÃO POSSO ABANDONAR A ESPERANÇA
(Rogério Martins Simões)

Andam as minhas mãos
cansadas
Trocam-me as voltas…
E volta e meia perco
a força.
A direita vai à frente e não
desiste
A esquerda preguiçosa …
insiste
Onde está a delicadeza
do meu gesto
Onde pára a minha pose
de dança
Bolero,
Tango,
Flamengo
Tudo quero!
Não posso abandonar
a esperança!
09-01-2005 1:06:49

ESPERANÇA
Rogério Martins Simões

Entrelaço os meus dedos nos teus
Vivas ilusões, ténues lembranças
Foram inatingíveis os versos meus
Outono breve, poucas esperanças

Ateámos o fogo nas estrelas dos céus
Mapeávamos nossos corpos de danças,
Encontros e desencontros, não são réus
Presos não estamos, procuro mudanças

Agora, adorno enigmas, bordados de cruz
Cintilam horizontes de esperança e luz
Meu fogo arde no mais puro cristal

E se na alquimia busco a perfeição
Respondo às interrogações do coração
Descubro no amor a pedra filosofal.

Lisboa, 02-10-2006 23:58


Rogério Simões na Sessão Mensal de Poesia Vadia, realizada em 25-10-2008, no Café Le Bistro Almada (Rua Dr. Julião de Campos, nº 1). Uma organização dos Poetas Almadenses, que conta com o apoio do FAROL Associação de Cidadania de Cacilhas e da SCALA Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada.





quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O VENTO DISPERSAVA AS MARCAS DAS SANDÁLIAS
Rogério Martins Simões

O tempo gasta as estradas…
Alisa os caminhos
Varre as pegadas
- A sua bênção - minha mãe!

Peguei na enxada e cavei um rego.
É tarde e tenho águas por deitar…
Atrelo ao meu olhar que avança,
As levadas do desassossego…

- Que magrinho está o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não tremas!, ainda te vais curar!

Agarrei no pensamento
e consegui debutar nas bolhas da lembrança
(Não tenho artroses no pensamento)
Mas o poço secou lentamente
E os matos tomaram conta de mim…

Atrelei-me ao olhar
Recordei o sorriso traquina de criança
Retomei o trilho
e lá vou eu a caminho da horta distante…

Os meus pezitos tocavam ao de leve nos caminhos,
Vinha o vento!,
E dispersava as marcas das sandálias.


O tempo varre as estradas,
Alisa os caminhos e apaga as pegadas…
Peguei na enxada e cavei um rego.
Tão tarde!, já não tenho as águas em sossego…
Ainda, assim, não perdi nas orvalhadas,
Que debutam nas bolhas da lembrança.
E o cheiro da urze e do jasmim
E com palavras ditas assim
Retomam, em mim, um milho de esperança:

- Que lindo está hoje o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não temas!, ainda te vais curar!

Recuperei o trilho e lá vou eu
A caminho da horta distante
Com a fé para reencontrar
Na sombra que avança
Os meus pezitos que tocavam
Ao de leve nos caminhos da lembrança:

Quando o vento vinha
e dispersava as marcas das sandálias…
Lisboa, 07-11-2008 0:15:00

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MEU CHÃO
Rogério Martins Simões

Soltei meu versos, asas de condor,
Paixão não rima com dor
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Tenha a mão presa num cordel
Parkinson só rima com dor
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Tombei, caí, senti o chão…
Que seria de mim sem tua mão
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Agarro o verde esperança de papel
Ando nas cores arco-íris dum pincel
Compaixão?
Meu chão!, és tu, meu lindo amor.

Soltaste minha corda, minha mão
Ao peito a levaste em oração
Meu chão?
Meu chão é teu chão oh lindo amor!

Lisboa, 15-02-2007 23:59
(Escrito agora para a ciranda Poetrix “Meu Chão”)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI!
(Rogério Martins Simões)

Sabes encontrar-me pela manhã.
No riacho cristalino do desapego.
Onde, renunciando, dores refego,
Para que a esperança não seja vã…

Livre da dor e tortura é este afã,
Cuido este corpo onde me apego.
Tarde libertar-me deste carrego,
Que extingue o carma de amanhã.

E se estiver na hora quero propor:
Irei de mãos dadas pelo caminho
Perdido eu de amores devagarinho.

Levarei comigo o meu lindo amor,
A estrela mais bela que encontrei
Não quero perder quem tanto amei!

Lisboa, 27-03-2008 22:04:08
http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt
INTROSPECÇÃO
Rogério Martins Simões

Se não conseguires escrever
com as duas mãos,
ainda assim, escreverás com uma;

Se tiveres dificuldade em escrever direito,
com uma mão,
escreve com os dedos que te restam;

Se te tremerem as mãos
e sentires que te olham,
não te importes!
Só treme quem está vivo.

Se não conseguires escrever
Dita os teus reversos
para que alguém
te apare a escrita…
e o néctar dos teus versos.

Se mesmo assim
tiveres em dificuldade,
esforça-te:
grava as palavras
no teu coração
E recorda que já foste poeta

Lisboa, 29 de Janeiro de 2008

(Companheiros não desistam, de lutar, de sonhar. Li o trabalho sobre a Internet e estou de acordo. Criem blogs, colaborem neste ou no meu em Portugal, comentem e me sentirem triste não liguem - é apenas catarse)
Um abraço deste vosso companheiro e amigo
Rogério Martins Simões

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

(Óleo sobre tela Elisabete M. Sombreireiro Palma)


Sonhos desfeitos


Rogério Martins Simões



O Sol resplandece e a água espuma


As ondas vagueiam e o barco desliza


Sobra no meu peito uma dor bruma


Que se esfuma nas colinas da brisa



A minha mão sobressai e já foi calma


O meu papel reproduz o adverso


Deixa escrever o que chora a alma


Acalma, vagueia e ensaia um verso



A escrita azul tem uma mancha preta:


Letra miudinha que desenha a caneta.


Do bloco de notas gotejam os defeitos



E se não mais encontrar sonho vão…


Fiquem os versos que redigi com a mão


Colorindo sonhos, com sonhos desfeitos




Lisboa – Tejo – 14 de Agosto de 2007


Concluído em 18 de Outubro de 2007