Segue meu relato sobre os "perrengues" que estou passando, não bastassem as lutas diuturnas e sem tréguas que mantenho com Mr Parkinson. Não sei o que fiz p'ra merecer isto, aliás ninguém merece. Aliás, apesar de tudo não vão conseguir que eu esmoreça.
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Uso uma técnica para atenuar os sintomas da doença de Parkinson chamado dbs (deep brain stimulation), que consiste em ter eletrodos instalados nos dois hemisférios cerebrais ligados a um gerador de pulsos elétricos implantado no peito, na altura da clavícula. Este dispositivo foi implantado em 2006. Possui a marca Medtronic, de fabricação norte-americana. O procedimento foi bancado pela Unimed, após ação judicial.
Existem dois tipos de gerador de pulsos. O denominado Activa PC (com bateria descartável) e o Activa RC (com bateria recarregável). O primeiro tem vida útil no entorno de 4 anos, e quando esgotada a bateria deve ser trocada. O Activa RC pode ter a bateria recarregada e sua vida útil é estimada em até 9 anos. O tempo de duração da carga da bateria está relacionado diretamente com os parâmetros da estimulação que são inseridos no gerador de pulsos pelo médico, tendo por objetivo eliminar de modo mais amplo os sintomas. Conforme estes parâmetros a bateria pode durar mais ou menos tempo.
Desde 2006 efetuei 3 trocas de gerador de pulso em vista do término das baterias. Nas ocasiões anteriores não existia ainda o sistema de bateria recarregável. Com isto observou-se que as baterias tinham vida útil de 3 anos.
No final do mês abril, 28/04, vislumbrando o esgotamento da bateria, foi emitido à Unimed por emissão do médico, uma Guia de Solicitação de Internação, na qual era solicitado um gerador recarregável, bem como eletrodo para reposicionamento.
Em vista de não ter esgotado a bateria, foi rejeitada pela Unimed a troca do gerador, com o que optou-se pelo procedimento em duas etapas. A 1a com o reposicionamento do eletrodo, procedimento efetuado em 19/05/2015 no Hospital Moinhos de Vento.
Para o implante do eletrodo o gerador de pulsos teve quer ser desligado. Ao ser religado, ao término da cirurgia, o mesmo apresentou do display do programador a mensagem “ERI”. Isto significa Elective Replacement Indicator. Em português quer dizer que a bateria está indicando carga baixa que requer troca, sob pena de desligar em breve.
A troca do gerador (com nova bateria) seria, em razão da negativa da Unimed em fornecer a recarregável, seria feita então numa 2a etapa
Segundo o médico, dr ___________, para o meu caso justifica-se a adoção do marca-passo (gerador de pulsos implantável – gpi) recarregável, tendo vista ter trocado 3 aparelhos em 9 anos, o que resulta em um aparelho a cada 3 anos.
O médico apresenta o laudo justificativo; Laudo Médico Neurocirúrgico.
Aliado a este fato, temos a vantagem em termo de custos para a própria UNIMED, uma vez que não terá de arcar com as despesas médicas e hospitalares de três intervenções ao longo de nove anos, restringindo-se ao custo de uma intervenção e de um gpi, embora mais dispendioso que o gpi com bateria não recarregável (descartável). Nesse sentido apresento um gráfico, relativo aos custos comparativo entre estes 2 geradores. O gráfico 1 apresenta o custo comparativo entre os 2 aparelhos para o prazo de 9 anos. Junto ao gráfico vai um texto explicativo.
A UNIMED tem se negado informalmente a fornecer o marca-passo de bateria recarregável (que tem tempo de vida estimada em 9 anos) em que pese todos os argumentos contrários.
E agora a substituição do marca-passos é urgente.
Enquanto a Unimed se nega informalmente a fornecer o recarregável, e sem recusar formal e oficialmente, pois não permite ao médico disponibilizar referências e/ou códigos dos materiais, numa clara estratégia de me impossibilitar fazer o pedido específico do material, me impossibilitando de ingressar na justiça, o hospital me passa o orçamento:
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O Laudo Médico Neurocirúrgico em anexo por si só justifica o uso do neuroestimulador Activa RC, com alegações como o fato observado de ter havido 3 (três) trocas de neuroestimuladores nos últimos 9 anos.
O gráfico que segue procura fazer um comparativo de custos entre um marca-passo descartável (Medtronic Activa PC) e um recarregável (Activa RC). Parte-se da hipótese de que o marcapasso recarregável tenha um custo que equivale a 1,5 marca-passo descartável.
Observa-se claramente que o custo de 3 (três) marcapassos descartáveis (linha em vermelho) é mais alto do que 1 (hum) marca-passo recarregável (linha em azul) para um período de 9 anos, resultando num custo estimado 50% inferior ao cabo deste período, com a adoção do Activa RC (recarregável).
Aliado a este fato, a adoçao do neuroestimulador recarregável, que possui vida útil estimada em 9 anos, “acarretaria em menos procedimentos cirúrgicos, menor risco anestésico e de infecção para o paciente”.
Outro aspecto não referenciado, traduz-se na economia para esta Cooperativa Médica. Mesmo que pese ser de custo mais elevado, comparativamente ao neuroestimulador de bateria descartável, a adoção do recarregável dispensaria 3 (três) despesas hospitalares e médicas a serem satisfeitas por esta Unimed.
O presente arrazoado decorre do fato de que o Hospital Moinhos de Vento alega não ser disponibilizado por esta Unimed, os códigos ou referências dos materiais da Medtronic solicitados pelo médico. Tem o objetivo de pedir à Unimed uma atenção especial ao caso e pelos aspectos particulares do mesmo abrir uma exceção, liberando os materiais requisitados pelo médico associado e por este segurado.
Sem outro particular, espera o acolhimento, a aceitação e deferimento da presente solicitação.
Porto Alegre, 26 de maio de 2015.
Pedido feito à Unimed hoje.
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Porque não procuro a via judicial?
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Porque não procuro a via judicial?
A Unimed não diz não! Para ingressar na justiça ela tem que dizer não formal e explicitamente. E eu estou "quase" desesperado com os meus tremores, sem poder ao menos caminhar ou dormir em paz. E dê-lhe levodopa. Me lembro do episódio "Sr Bombinha", personagem vivido pelo ator Ricardo Darin, no filme Relatos Selvagens.
