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sábado, 16 de agosto de 2014

Ilusão de paredes

A ilusão de paredes.
O caminho sem fim.
O entrar pelo cano.
O maior dos enganos.
O beco sem saída.
O problema sem solução.
Um ser sem ação.

O criar das paredes
traz o fim do caminho.
Fechar a boca do cano
traz um grande sufoco.
Reduz a certeza
de sermos capazes.

Pense forte.
Viva bem.
Seja alguém.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O VENTO DISPERSAVA AS MARCAS DAS SANDÁLIAS
Rogério Martins Simões

O tempo gasta as estradas…
Alisa os caminhos
Varre as pegadas
- A sua bênção - minha mãe!

Peguei na enxada e cavei um rego.
É tarde e tenho águas por deitar…
Atrelo ao meu olhar que avança,
As levadas do desassossego…

- Que magrinho está o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não tremas!, ainda te vais curar!

Agarrei no pensamento
e consegui debutar nas bolhas da lembrança
(Não tenho artroses no pensamento)
Mas o poço secou lentamente
E os matos tomaram conta de mim…

Atrelei-me ao olhar
Recordei o sorriso traquina de criança
Retomei o trilho
e lá vou eu a caminho da horta distante…

Os meus pezitos tocavam ao de leve nos caminhos,
Vinha o vento!,
E dispersava as marcas das sandálias.


O tempo varre as estradas,
Alisa os caminhos e apaga as pegadas…
Peguei na enxada e cavei um rego.
Tão tarde!, já não tenho as águas em sossego…
Ainda, assim, não perdi nas orvalhadas,
Que debutam nas bolhas da lembrança.
E o cheiro da urze e do jasmim
E com palavras ditas assim
Retomam, em mim, um milho de esperança:

- Que lindo está hoje o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não temas!, ainda te vais curar!

Recuperei o trilho e lá vou eu
A caminho da horta distante
Com a fé para reencontrar
Na sombra que avança
Os meus pezitos que tocavam
Ao de leve nos caminhos da lembrança:

Quando o vento vinha
e dispersava as marcas das sandálias…
Lisboa, 07-11-2008 0:15:00

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MEU CHÃO
Rogério Martins Simões

Soltei meu versos, asas de condor,
Paixão não rima com dor
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Tenha a mão presa num cordel
Parkinson só rima com dor
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Tombei, caí, senti o chão…
Que seria de mim sem tua mão
Meu chão!, és tu, meu lindo amor

Agarro o verde esperança de papel
Ando nas cores arco-íris dum pincel
Compaixão?
Meu chão!, és tu, meu lindo amor.

Soltaste minha corda, minha mão
Ao peito a levaste em oração
Meu chão?
Meu chão é teu chão oh lindo amor!

Lisboa, 15-02-2007 23:59
(Escrito agora para a ciranda Poetrix “Meu Chão”)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI!
(Rogério Martins Simões)

Sabes encontrar-me pela manhã.
No riacho cristalino do desapego.
Onde, renunciando, dores refego,
Para que a esperança não seja vã…

Livre da dor e tortura é este afã,
Cuido este corpo onde me apego.
Tarde libertar-me deste carrego,
Que extingue o carma de amanhã.

E se estiver na hora quero propor:
Irei de mãos dadas pelo caminho
Perdido eu de amores devagarinho.

Levarei comigo o meu lindo amor,
A estrela mais bela que encontrei
Não quero perder quem tanto amei!

Lisboa, 27-03-2008 22:04:08
http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt
INTROSPECÇÃO
Rogério Martins Simões

Se não conseguires escrever
com as duas mãos,
ainda assim, escreverás com uma;

Se tiveres dificuldade em escrever direito,
com uma mão,
escreve com os dedos que te restam;

Se te tremerem as mãos
e sentires que te olham,
não te importes!
Só treme quem está vivo.

Se não conseguires escrever
Dita os teus reversos
para que alguém
te apare a escrita…
e o néctar dos teus versos.

Se mesmo assim
tiveres em dificuldade,
esforça-te:
grava as palavras
no teu coração
E recorda que já foste poeta

Lisboa, 29 de Janeiro de 2008

(Companheiros não desistam, de lutar, de sonhar. Li o trabalho sobre a Internet e estou de acordo. Criem blogs, colaborem neste ou no meu em Portugal, comentem e me sentirem triste não liguem - é apenas catarse)
Um abraço deste vosso companheiro e amigo
Rogério Martins Simões

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

(Óleo sobre tela Elisabete M. Sombreireiro Palma)


Sonhos desfeitos


Rogério Martins Simões



O Sol resplandece e a água espuma


As ondas vagueiam e o barco desliza


Sobra no meu peito uma dor bruma


Que se esfuma nas colinas da brisa



A minha mão sobressai e já foi calma


O meu papel reproduz o adverso


Deixa escrever o que chora a alma


Acalma, vagueia e ensaia um verso



A escrita azul tem uma mancha preta:


Letra miudinha que desenha a caneta.


Do bloco de notas gotejam os defeitos



E se não mais encontrar sonho vão…


Fiquem os versos que redigi com a mão


Colorindo sonhos, com sonhos desfeitos




Lisboa – Tejo – 14 de Agosto de 2007


Concluído em 18 de Outubro de 2007