Este Blog, criado em set/2001, é dedicado às Pessoas com Parkinson (PcP's), seus familiares, bem como aos profissionais da saúde que vivenciam a situação de stress que acompanha a doença. A idéia é oferecer aos participantes um meio de atualizar e de trocar informações sobre a doença de Parkinson e encorajar as PcP's a expressar sentimentos no pressuposto de que o grupo infunde esperança, altruísmo e o aumento da auto-estima. E um alerta: Parkinson não é exclusividade de idosos!
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quarta-feira, 25 de março de 2015
Canabidiol, experimentei.
Minha mãe sempre diz que algumas coisas são óbvias-ululantes. Ela gostava muito dos textos do Nelson Rodrigues, e esta seria uma das suas expresões "de efeito". Assim seriam meus textos. Qualquer pessoa medianamente informada o faria. Seriam textos óbvios-ululantes.
Mas 2a feira, pela primeira vez na vida, experimentei o extrato de canabidiol, o CBD, derivado da maconha. O canabidiol, sobre o qual a comunidade parkinsoniana tanta esperança guarda. Portanto o que consta abaixo é novidade, não óbvio-ululante, pelo menos no momento, para mim.
Imagine um extrato de própolis num vidrinho em spray. Coloração marrom escura. Agite bem antes de usar. Dê 2 a 4 borrifadas na língua/boca .Cai um pingo na camisa branca, pois é um líquido meio pegajoso, um pouco doce, enjoativo e amargo ao mesmo tempo. Eu não achei com gosto bom. Bem menos ruim do que o Mantidam, é certo.
Antes que me perguntem como consegui, eu digo. Uma amiga que tem parkinson conseguiu com uma pessoa que veio do EUA e trouxe até minha casa para experimentarmos. O rótulo diz explicitamente não ser aprovado pelo FDA, não ser recomendado para menores de 18, para grávidas e lactantes. Também diz para consultar o médico antes de tomar qualquer medicamento.
O que senti? Para diminuir os sintomas do parkinson, diretamente, nada. Indiretamente parece-me ter diminuído a dor lombar. De efeito psico - ativo, como dizem, não senti nada, não dá barato nenhum. Quem tinha algum medo de “perder o controle”, não se preocupe. É inócuo. Idem no day-after. Não deu p'ra saber se melhora o sono.
No entanto creio que teria que usar mais vezes para dar um depoimento mais correto.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Liberação da maconha medicinal pode chegar antes do ano novo
Reunião da Anvisa esta semana pode atender pleito de pacientes
14/12/2014 - Saúde
O uso medicinal da maconha pode ser regulamentado no Brasil antes da virada do ano. A expectativa é de pais que, desde o início de 2014, cobram urgência na mudança das normas, já que seus filhos sofrem tipos graves de epilepsias e podem ser beneficiados por medicamentos à base da Cannabis sativa. A pressão já garantiu maior agilidade nas autorizações especiais e na liberação da prescrição por algumas especialidades médicas. Mas a lista de demandas continua grande, pois a burocracia e a desarticulação entre os órgãos ainda posterga o acesso a uma esperança de melhora.
Para o ano que vem, a novidade é que eles se organizaram: ontem, foi oficialmente criada uma associação brasileira para reunir pais e usuários da maconha medicinal. Isso porque, de um tema até então esquecido do debate público, hoje é opção de tratamento para cerca de 500 famílias no país, segundo estimativa do psiquiatra Antonio Zuardi, pesquisador do potencial terapêutico da erva e palestrante da última edição dos Encontros O GLOBO.
— Em 1980, o grupo do pesquisador Elisaldo Carlini fez o primeiro estudo em pacientes resistentes a tratamentos habituais de epilepsia. Mas ele ficou esquecido todo este tempo e foi redescoberto recentemente por famílias de crianças com crises epilépticas graves — lembrou Zuardi, professor Psiquiatria da USP de Ribeirão Preto, durante evento na Casa do Saber O GLOBO.
REUNIÃO EM BRASÍLIA É EXPECTATIVA
Uma das definições mais aguardadas é a reclassificação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do canabidiol (CBD), presente na maconha. Da lista de substâncias proibidas, ele passaria a ser de uso controlado. Na prática, isso garantiria que os pais pudessem importar produtos com CBD sem a necessidade de autorizações especiais.
Na próxima quinta-feira, haverá uma reunião pública da diretoria colegiada da Anvisa, em Brasília, para avaliar a reclassificação do CBD. A primeira ocorreu em 29 de maio, mas não teve resultado prático.
— Vou a Brasília porque, enfim, a Anvisa deverá reclassificar o CBD — anima-se Maragerete Brito, mãe de Sofia, portadora de CDKL5, doença rara que tem como um dos sintomas crises de epilepsia, as quais foram reduzidas à metade após a importação clandestina do produto. — Estamos tendo avanços porque a pressão social tem sido muito forte.
Hoje, já é possível ter autorização, em caráter excepcional, para importação do produto. Segundo a Anvisa, de 297 pedidos, 238 foram aprovados. Um dos entraves, no entanto, é que, para conseguir essa autorização, é preciso ter uma prescrição médica. Como se trata de substância proibida, são poucos os que aceitam fazer a receita. Foi por isso que, na quinta-feira, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou resolução autorizando a prescrição — no entanto, apenas por algumas especialidades médicas (psiquiatria, neurocirurgia e neurologia), em casos de epilepsias que não respondam a tratamento convencional e a menores de 18 anos. O que era para ter resolvido um impasse acabou recebendo críticas.
— O conselho perdeu uma ótima oportunidade de estar mais perto dos pacientes. A resolução é uma decepção, é absolutamente restrita — cobra o cirurgião oncológico Leandro Ramires, cujo filho, Benício, de 6 anos, sofre de síndrome de Dravet. — As instituições precisam se articular e definir uma regulamentação.
Ramires se refere à Anvisa e ao CFM, mas também à Receita Federal, já que um dos entraves é a liberação do produto na alfândega. Um dos casos é de Júlia Merquior, mãe de Helena, de 8 anos, que sofre de epilepsia refratária. Ao tentar importar um produto com CBD, que custaria US$ 100, lhe foi cobrada a cifra de R$ 11.468,97 pela empresa do serviço de remessa. Com a Receita Federal ela sequer conseguiu contato direto.
— Não pudemos pagar a quantia, então o produto não foi liberado. Com esse dinheiro, poderia ir até os EUA e voltar com o remédio — reclama Júlia, que revela que a filha reduziu o número de crises em 50%.
Quando questionada sobre as dificuldades de pais com relação ao CBD, a Receita apenas responde enviando a lista de regras padrões de importação de medicamentos e suas taxas correspondentes, sem sequer citar a substância em questão.
Enquanto as instituições demoram a tomar decisões e discutir como lidar com essa demanda, as pesquisas científicas com a cannabis, muitas das quais brasileiras, avançam velozmente. Há diversos estudos com CBD revelando seu potencial para reduzir sintomas ou tratar distúrbio do sono, fobia social, epilepsia grave, psicose, doença de Parkinson, etc.
O CBD não é o único componente com potencial terapêutico da maconha. Ao todo, são 80 substâncias (os chamados canabinoides) presentes na planta. E há estudos até mais avançados com o tetraidrocanabinol (THC), que é o responsável pelo seu efeito psicotrópico. No plano medicinal, há indicações de uso para náusea e vômito em pacientes com câncer que passam por quimioterapia; aumento de apetite em portadores de HIV; redução de dores crônicas, controle de rigidez muscular em algumas doenças, entre outros.
MAIS ESTUDOS PARA USO MEDICINAL
O número de estudos cresceu exponencialmente a partir dos anos 90, após a descoberta dos canabinoides. Mas seu uso, na realidade, remonta há mais de quatro mil anos. Até as primeiras décadas do século XX, a maconha era usada como erva medicinal, inclusive no Brasil. Mas foi proibida em diversos países, a começar pelos EUA, na esteira da forte política de repressão ao uso recreativo.
Também palestrante do evento do GLOBO, a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa do Rio, explica que, no passado, a maconha fumada era usada com fim medicinal, o mesmo que é liberado em alguns estados americanos, o que é bem diferente do isolamento de substâncias específicas para a produção de remédios.
— Existem estudos mostrando que substâncias da maconha podem tratar doenças, mas é um contrassenso prescrever maconha fumada, que traz males à saúde, principalmente a adolescentes, e causa dependência — diz a psiquiatra. — É importante estarmos atentos aos diferentes níveis de liberação: uso medicinal, descriminalização, despenalização... E notarmos quando o lobby para a liberação da venda está usando a seu favor a campanha da maconha medicinal.
Para o cardiologista e curador dos Encontros O GLOBO, Cláudio Domênico, o debate ganhou fôlego este ano e deverá continuar no próximo.
— A princípio, nenhum médico hoje tem resistência ao uso das substâncias da maconha para tratar crises convulsivas, mas sobre o uso recreativo não há consenso entre psiquiatras, e o debate ainda é longo — conclui Domênico. Fonte: Tribuna Hoje.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Estado arcará com custos de criança em tratamento à base de maconha
Tratamento será feito com um medicamento que contém canabidiol.
Pedido foi autorizado após a solicitação de uma mãe de Uberlândia.
21/11/2014 - O Estado de Minas Gerais vai arcar com os custos do tratamento de uma criança com um medicamento que contêm Canabidiol, substância presente na maconha. O pedido foi autorizado após a solicitação de uma mãe deUberlândia que busca uma melhor qualidade de vida para o filho. A ação foi movida pela Defensoria Pública e a liminar concedida pela Justiça.
Segundo Kerlin de Oliveira Marques Vidal, desde que o menino nasceu ele precisa de atenção e cuidados 24 horas por dia. João Gabriel tem atualmente sete anos e sofre crises convulsivas diariamente.
A mãe contou que a criança já chegou a ter 70 convulsões num único dia e que os medicamentos comuns não conseguem combater o problema. A ideia de usar um medicamento à base de canabidiol veio depois que a mulher assistiu uma reportagem no Fantástico da Rede Globo.
O canabidiol é uma das 80 substâncias presentes na maconha. Estudos mostram efeitos positivos do uso dele no tratamento de doenças como câncer, autismo, esclerose múltipla e doença de parkinson. Segundo especialistas, não há evidências de que ele cause dependência, mas a substância é proibida no Brasil.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já liberou alguns pedidos de importação do produto, analisando caso a caso. Isso animou a mãe de João Gabriel e acabou dando esperança quando o assunto é a cura.
A mãe contou que o médico do filho fez um laudo atestando a necessidade do medicamento e foi através do documento que ela conseguiu a autorização da Anvisa para importar o Canabidiol dos Estados Unidos. O entrave foi o custo, mais de R$ 1 mil uma única seringa. A Defensoria Pública entrou no caso e elaborou uma ação pedindo que o Estado arcasse com os custos do medicamento.
Segundo a defensora pública Bárbara Silveira Machado Bissochi a ação foi baseada no direito à saúde. Fonte: Globo G1, com foto e vídeo.
domingo, 9 de novembro de 2014
Pessoas desafiam a lei para produzir um remédio extraído da maconha
09/11/2014 - Canabidiol / assista vídeo 12:33 AQUI (Fantástico).
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Tarso Araújo comenta uso da maconha medicinal: 'É um assunto muito urgente' (Programa do Jô)
Jornalista lança um documentário sobre famílias que lutam para ter a liberação do uso da erva como medicamento
06/11/2014 - Falar sobre maconha sempre causa muita polêmica, mas o jornalista Tarso Araújo decidiu tocar no assunto para ajudar famílias de pessoas que sofrem com doenças, que podem ter seus sintomas amenizados com o auxílio do uso medicinal. "Esse é um assunto muito urgente em nossa sociedade."Diretor do documentário "Ilegal", Tarso conta que entrevistou muitas pessoas que precisam fazer uso da maconha. "O filme fala sobre maconha medicinal, mas com o foco na luta das pessoas para ter acesso a um direito fundamental, que nesse caso é a saúde."
Durante o Programa do Jô, o jornalista conta a história da mãe de uma menina que tinha 80 convulsões por semana, mas viu a ocorrência cair drasticamente após o uso do canabidiol. "Como tudo na vida, a maconha tem seus dois lados."
Segundo Tarso Araújo, o Brasil já está começando a autorizar alguns casos em caráter excepcional mediante uma burocracia gigantesca. "Eles permitem só que as famílias importem, porque realmente existe uma muralha de preconceito que impede que elas tenham acesso mais fácil e mais barato ao medicamento." Fonte: Globo G1. Clique e assista o vídeo!
E como já havia dito em 30/05/2014:
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Os pacientes refugiados do Uruguai
14/01/2014 | Charlotte tem 8 anos e foi diagnosticada com síndrome de Dravet. Dahlia, 2 anos, tem câncer no cérebro, assim como Spencer, com 1 ano de idade. Landon tem 2 anos e meio e sofre de leucemia, assim como Mykayla, de 8, e Silas, de 1 ano. Zaki, com 10 anos, é autista. Sydni tem 5 anos e sofre de convulsão, assim como Jillian, uma menina de 8 anos, com paralisia cerebral, e Jayden, outra criança de 5 anos que nasceu com uma grave epilepsia.
O que essas crianças têm em comum? Elas consomem diariamente um óleo extraído das flores da maconha, rico em canabidiol, que tem se mostrado promissor no tratamento de câncer e convulsão. Algumas precisaram se mudar para o Colorado, onde a terapia canabinoide é legal. São centenas de pacientes refugiados cujas famílias advogam pela legalização da maconha nos EUA e compartilham suas histórias na internet.
A regulação da maconha é uma questão de direitos humanos. Ela não se resume ao direito à recreação, mas se trata primeiro de uma lei de compaixão em saúde pública. Não é mera lei de drogas, mas a legalização de um remédio proibido.
Há políticos e médicos no Brasil que sabem que a maconha é remédio, mas negam. Sabem que a solução é o modelo uruguaio, mas se abstêm. Sabem que a regulação arrecada impostos, mas condenam. Eles insistem nos erros do passado que os tornaram políticos e médicos. O ano de 2013 foi um ano de reforma nas políticas de drogas em vários lugares do mundo, menos no Brasil, onde ainda se sofre de um vício terrível: o da “guerra às drogas”. Proponho um programa de 12 passos tipo AA, em que os proibicionistas do Brasil poderão discutir por que são viciados e como se salvar.
Primeiro, eles começariam a admitir que não se pode controlar a autonomia de ninguém apenas para manter o statu quo; depois, a acreditar que, por todas as evidências, a política de repressão não alcançou sucesso; o terceiro passo seria decidir que a redução de danos é o modelo de saúde pública superior, que vai minimizar os efeitos deletérios das políticas públicas ineficazes; a seguir, reconhecer que a redução de danos é baseada não apenas na ciência, mas na compaixão e no respeito pelos direitos humanos; depois, admitir que parte da incapacidade de mudar é a dependência de muitos baratos da guerra às drogas, como a militarização da polícia; e, então, prontificar-se a deixar que a maconha medicinal remova todos esses defeitos de caráter.
O sétimo passo seria examinar o passado e os erros cometidos, para aceitar mudanças ideológicas e políticas; depois, fazer uma lista de todos os líderes que evoluíram, e dispor-se a reconhecer publicamente o fracasso da guerra às drogas; a nona etapa é entender que o uso assistido e a substituição de drogas são medidas bem sucedidas, ao contrário da prisão; o décimo passo seria reconhecer que uma política baseada na retórica, não na ciência, contribuiu para muitos dos problemas de segurança pública de hoje; depois, procurar melhorar o contato consciente com a geração que não se viciou na guerra às drogas; e, por fim, procurar levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios baseados na abstinência como única solução.
O Uruguai livrou a maconha do tráfico para prover saúde a mais de 3 milhões de pessoas. Crianças do Uruguai com doenças severas já adquiriram o direto ao tratamento com óleo de maconha, enquanto no Brasil políticos fundamentalistas e médicos ultraconservadores continuam a impedir tais avanços. Fonte: Gazeta do Povo. Leia mais AQUI => O verdadeiro problema da maconha.
O que essas crianças têm em comum? Elas consomem diariamente um óleo extraído das flores da maconha, rico em canabidiol, que tem se mostrado promissor no tratamento de câncer e convulsão. Algumas precisaram se mudar para o Colorado, onde a terapia canabinoide é legal. São centenas de pacientes refugiados cujas famílias advogam pela legalização da maconha nos EUA e compartilham suas histórias na internet.
A regulação da maconha é uma questão de direitos humanos. Ela não se resume ao direito à recreação, mas se trata primeiro de uma lei de compaixão em saúde pública. Não é mera lei de drogas, mas a legalização de um remédio proibido.
Há políticos e médicos no Brasil que sabem que a maconha é remédio, mas negam. Sabem que a solução é o modelo uruguaio, mas se abstêm. Sabem que a regulação arrecada impostos, mas condenam. Eles insistem nos erros do passado que os tornaram políticos e médicos. O ano de 2013 foi um ano de reforma nas políticas de drogas em vários lugares do mundo, menos no Brasil, onde ainda se sofre de um vício terrível: o da “guerra às drogas”. Proponho um programa de 12 passos tipo AA, em que os proibicionistas do Brasil poderão discutir por que são viciados e como se salvar.
Primeiro, eles começariam a admitir que não se pode controlar a autonomia de ninguém apenas para manter o statu quo; depois, a acreditar que, por todas as evidências, a política de repressão não alcançou sucesso; o terceiro passo seria decidir que a redução de danos é o modelo de saúde pública superior, que vai minimizar os efeitos deletérios das políticas públicas ineficazes; a seguir, reconhecer que a redução de danos é baseada não apenas na ciência, mas na compaixão e no respeito pelos direitos humanos; depois, admitir que parte da incapacidade de mudar é a dependência de muitos baratos da guerra às drogas, como a militarização da polícia; e, então, prontificar-se a deixar que a maconha medicinal remova todos esses defeitos de caráter.
O sétimo passo seria examinar o passado e os erros cometidos, para aceitar mudanças ideológicas e políticas; depois, fazer uma lista de todos os líderes que evoluíram, e dispor-se a reconhecer publicamente o fracasso da guerra às drogas; a nona etapa é entender que o uso assistido e a substituição de drogas são medidas bem sucedidas, ao contrário da prisão; o décimo passo seria reconhecer que uma política baseada na retórica, não na ciência, contribuiu para muitos dos problemas de segurança pública de hoje; depois, procurar melhorar o contato consciente com a geração que não se viciou na guerra às drogas; e, por fim, procurar levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios baseados na abstinência como única solução.
O Uruguai livrou a maconha do tráfico para prover saúde a mais de 3 milhões de pessoas. Crianças do Uruguai com doenças severas já adquiriram o direto ao tratamento com óleo de maconha, enquanto no Brasil políticos fundamentalistas e médicos ultraconservadores continuam a impedir tais avanços. Fonte: Gazeta do Povo. Leia mais AQUI => O verdadeiro problema da maconha.
Penso não se tratar de fundamentalismo dos políticos. Sim porque muitos são financiados pelos grandes traficantes e cartéis da droga. Os médicos? Sim. De modo geral são conservadores.
sábado, 25 de outubro de 2014
'Se eu for intimado, vou emigrar para o Uruguai', diz médico que trata filho com canabidiol
Leandro Ramires importa dos EUA remédio derivado de maconha para controlar crises convulsivas de seu filho
Seringa plástica chega por correio para o oncologista
- Depois do uso do CBD, a vida do Benício mudou assustadoramente - conta o pai, que afirma que em sua pouca vida, seu filho foi internado 48 vezes. Fonte: O Globo.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Canabidiol melhora sintomas de Mal de Parkinson, diz estudo.
Derivado da maconha é esperança
São Paulo. Um estudo com canabidiol (CDB),
substância presente na maconha, feito pela primeira vez com humanos, mostrou
eficácia para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar em pacientes
diagnosticados com a doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da
pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto (FMRP) da USP, “com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito
colateral”.
O Brasil é um dos líderes no mundo em pesquisas com o
canabidiol, e o professor José Alexandre Crippa é um dos maiores estudiosos do
tema, com mais de dez anos pesquisando a substância. Para o resultado ser
válido, foram usados meios como o Parkinson Disease Questionnaire-39 (PDQ-39),
considerado atualmente o mais apropriado para a avaliação da qualidade de vida
e de sensação de bem-estar do indivíduo que tem a doença.
O trabalho foi desenvolvido durante seis semanas em 21 pessoas
com Parkinson, mas sem quadro de demência ou problemas psiquiátricos. Elas
foram observadas por dez pesquisadores, sendo nove da Faculdade de Medicina da
USP e um da Universidade Federal de Minas Gerais. Os resultados foram
publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de
Psicofarmacologia. Para Crippa, um dos motivos para a importância da pesquisa
se deve ao fato de que hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a
doença de Parkinson causam problemas como alucinações, náuseas e delírios. “E
uma complicação motora chamada discinesia tardia”, completa.
Ele explica que isso ocorre porque são remédios que atuam no
sistema de receptores da dopamina, substância química que tem um papel
fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da
atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e até o movimento. Para
o pesquisador, é provável que o canabidiol atue no sistema endocanabinoide,
formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos
químicos existentes na Cannabis sativa, a planta de onde é extraída a
substância. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e representa
um passo importante para uma nova opção de tratamento da doença”.
Importação
Anvisa. Dos 167 pedidos excepcionais de
importação do canabidiol (CDB), a agência aprovou 113 pedidos. Dez aguardam o
cumprimento de exigências, e 39 estão sob análise do órgão.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Anvisa recebe nos últimos seis meses 167 pedidos para importação do canabidiol
SEGUNDA, 13/10/2014 - Segundo a agência, o prazo para a liberação tem sido em média de uma semana. Pesquisadores têm apontado efeitos positivos no uso da substância em pacientes com doença de Parkinson, ansiedade, esquizofrenia e alguns transtornos de sono.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária recebeu nos últimos seis meses 167 pedidos para importação do canabidiol, substância derivada da maconha. Segundo a Anvisa, o prazo para a liberação tem sido em média de uma semana. Pesquisadores têm apontado efeitos positivos no uso da substância em pacientes com doença de Parkinson, ansiedade, esquizofrenia e alguns transtornos de sono. Fonte: CBN.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária recebeu nos últimos seis meses 167 pedidos para importação do canabidiol, substância derivada da maconha. Segundo a Anvisa, o prazo para a liberação tem sido em média de uma semana. Pesquisadores têm apontado efeitos positivos no uso da substância em pacientes com doença de Parkinson, ansiedade, esquizofrenia e alguns transtornos de sono. Fonte: CBN.
Estudo aponta eficácia do canabidiol contra Parkinson
Estudo da USP mostrou eficácia substância presente na maconha para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar em pacientes diagnosticados com a doença
Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, "com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral".
O Brasil é um dos líderes no mundo em pesquisas com o canabidiol e o professor José Alexandre Crippa é um dos maiores estudiosos do tema, com mais de dez anos pesquisando a substância.
Para o resultado ser válido, foram usados meios como o Parkinson Disease Questionnaire-39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para a avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do indivíduo que tem a doença.
O trabalho foi desenvolvido durante seis semanas em 21 pessoas com Parkinson, mas sem quadro de demência ou problemas psiquiátricos.
Elas foram observadas por dez pesquisadores, sendo nove da Faculdade de Medicina da USP e um da Universidade Federal de Minas Gerais. Os resultados foram publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia.
Para Crippa, um dos motivos para a importância da pesquisa se deve ao fato de que hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a doença de Parkinson causam problemas como alucinações, náuseas e delírios.
"E uma complicação motora chamada discinesia tardia", completa.
Ele explica que isso ocorre porque são remédios que atuam no sistema de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e até o movimento.
Para o pesquisador, é provável que o canabidiol atue no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, a planta de onde é extraída a substância.
"Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e representa um passo importante para uma nova opção de tratamento da doença".
Humor
Na pesquisa também foi constatado que a nova substância acaba com a flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controlar a ansiedade e a depressão geradas pelo Parkinson.
No estudo os participantes foram divididos em três grupos e um recebeu placebo, ou seja, uma pequena quantidade de óleo de milho.
O outro recebeu o canabidiol a 75mg/dia dissolvido ao óleo e o terceiro 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho. Isso tudo sem que os pacientes ou os profissionais soubessem a que grupo cada sujeito pertencia.
O canabidiol foi fornecido por uma empresa alemã em forma de pó, com 99,9% de pureza e sem qualquer traço de THC - a substância responsável pelos efeitos psicoativos da maconha.
Depois de seis semanas, os pacientes apresentaram melhor qualidade de vida, conforme relato próprio e de familiares.
Segundo os pesquisadores, sintomas não motores, como a depressão e a apatia, deixaram de ser observados ou foram bastante reduzidos. Assim como situações motoras, como os tremores no corpo, que também praticamente desapareceram. Fonte: Exame.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
domingo, 28 de setembro de 2014
CBD associado com melhor qualidade de vida em pacientes com Parkinson
27 de setembro de 2014 - A administração de canabidiol (CBD), um canabinóide não-psicotrópico, está associada com a melhoria da qualidade de vida em pacientes com doença de Parkinson, de acordo com dados de ensaios clínicos publicados online antes da impressão no Journal of Psychopharmacology.
Investigadores da Universidade de São Paulo, no Brasil avaliaram a eficácia da CBD versus placebo em 21 indivíduos com Parkinson. Os autores relataram que a administração de doses de 300 mg de CBD por dia foi associada com "significativamente diferentes escores médios totais" em sujeitos quanto ao "bem-estar e qualidade de vida" em comparação com placebo.
Avaliações distintas da CBD versus placebo relataram que o canabinóide não pareceu atenuar os sintomas gerais da doença, nem foi mostrado como sendo neuroprotetor.
"Este estudo aponta para um possível efeito do CBD na melhoria das medidas relacionadas com a qualidade de vida dos pacientes com DP sem comorbidades psiquiátricas," investigadores concluíram. Eles acrescentaram: "Nós não encontraram diferenças estatisticamente significante entre os sintomas motores da DP; No entanto, estudos com amostras maiores e com avaliação sistemática dos sintomas específicos da DP são necessários a fim de fornecer conclusões mais fortes a respeito da ação do CBD na DP."
Os relatórios clínicos já indicaram que tanto CBD e / ou da planta inteira de cannabis pode tratar vários sintomas da doença de Parkinson, inclusive com a melhora nos sintomas motores, a redução da dor, melhoria do sono, e uma redução na gravidade dos episódios psicóticos.
Os dados da pesquisa de pacientes com DP indica que quase a metade de todos os sujeitos que tentam a cannabis experimentaram alívio.
O resumo do estudo, "Efeitos do canabidiol no tratamento de pacientes com doença de Parkinson: Um estudo duplo-cego exploratório", aparece online aqui. (original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: The Weed Blog.
Matéria específica correlacionada foi publicada neste blog em 19/08.
sábado, 20 de setembro de 2014
Após autorização, criança de Uberaba trata epilepsia com canabidiol
Pais comemoram resultados após uso da substância à base de maconha.
Antes de conseguirem liberação, pais e amigos fizeram campanha na web.
19/09/2014 - Ver Lorenzo Vaz segurar a bola, equilibrá-la em cima do aro, interagir com outras pessoas e se alimentar praticamente sozinho é motivo de orgulho para o casal de enfermeiros Luciana Ferreira dos Santos Vaz e Valdir Francisco Vaz. Há cerca de 15 dias eles conseguiram a autorização da importação do canabidiol (CBD), componente extraído da maconha, para ao tratamento do filho de nove anos, que sofre de Epilepsia de Difícil Controle. Eles comemoram os resultados após o uso da substância, que ainda é proibida no Brasil.
As crises de epilepsia começaram quando Lorenzo tinha quatro anos. A doença responde mal a medicamentos e causa muitas convulsões. Segundo Luciana, nos últimos anos experimentou várias opções de tratamento. "O Lorenzo ainda utiliza um aparelho, que é o estimulador do nervo vago, instalado por meio de uma microcirurgia. Este médoto é bastante utilizado, não sanou, mas melhorou muito a condição e qualidade de vida do Lorenzo. Posterirormente partimos para a dieta cetogênica por mais de um ano, mas também não melhorou. Junto com a dieta, também iniciamos um tratamento com ômega 3. Agora vamos retirar a dieta, porque ela não resolveu", disse.
Em pesquisas pela internet, incluindo contato com famílias que enfrentavam o mesmo problema, Valdir descobriu a opção de um tratamento à base de canabidiol. "Conseguimos trazer os primeiros medicamentos, que eram a tintura do canabidiol, muito fraca em relação a dosagem que deveríamos dar. Hoje conseguimos importar o extrato do CBD com a autorização", afirmou.
Os pais e amigos começaram uma campanha na internet. Eles reuniram mais de 20 mil apoiadores para tentar convencer a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da necessidade do medicamento. Mesmo sem a liberação para importar o produto, tiveram acesso ao composto. Desde julho, incluíram o CBD na rotina de medicamentos de Lorenzo, que é misturado ao óleo de gergelim.
A terapeuta ocupacional que acompanha a criança garante que houve melhoras. "Conseguimos várias evoluções no que tange os aspectos cognitivos como atenção, concentração, memória, capacidade de respostas aos comandos simples e de média complexidade", completou Kátia Ariana Borges.
Mesmo conseguindo o produto de forma ilegal, a família continuou tentando a aprovação da Anvisa. Agora finalmente fazem questão de mostrar com orgulho o documento que garante a liberação, que só veio depois de um processo burocrático.
"Essa autorização foi em estudo conjunto com o médico. Elaboramos cada passo que a Anvisa solicitou. É um relatório médico completo, que fala da história da doença do Lorenzo, o tipo de crise, há quanto tempo, as alternativas de tratamento e que o canabidiol seria o essencial para ele em termos de qualidade de vida. Foi importante frisar que que o CBD é essencial, senão, não teríamos conseguidos a autorização", relembrou Valdir.
O procedimento é praticamente o mesmo para qualquer brasileiro que queira utilizar a substância em algum tratamento, pois de modo geral o canabidiol continua proibido no país, apesar de a discussão em torno dos benefícios não ser nova. Há mais de 30 anos estudiosos brasileiros tentam comprovar a eficácia, mas mesmo assim a Anvisa analisa caso a caso os pedidos de importação. Do começo do ano até agora, menos de 40 foram autorizados e cerca de 15 continuam em análise.
Boa parte do CBD é utilizado em tratamento de doenças neurológicas. Alguns estudos comprovam a melhora em pacientes com esquizofrenia, Parkinson, fobia social e transtorno do sono, por exemplo. Mas o neurologista Emerson Milhorin Oliveira alerta que, apesar de o canadibiol ser benéfico, o uso indiscriminado da maconha é bastante prejudicial.
"Ela tem dois componentes, os quais chamados de psicoativos - o Tetraidrocanabinol (THC), que é um medicamento que causa alucinações, que pode deflagrar psicoses, pode levar à atrofia das áreas cerebrais responsáveis pela memória. Porém, existe um outro componente, que é o canabidiol, que não se relaciona com esses efeitos nocivos", explicou.
Ainda segundo ele, a discussão em torno da liberação da substância medicinal já está bastante avançada no país, mas não acredita que tenha um desfecho rápido. "Normalmente estes processos são lentos. Nos próximos meses e no próximo ano podemos ter notícias favoráveis, que venham para somar. O canabidiol não será uma solução, mas será uma contribuição", finalizou. Fonte: Globo G1.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Substância extraída da maconha pode tratar um dos sintomas do Parkinson
Pesquisadores brasileiros descobriram que um remédio feito a partir do canabidiol cura um dos sintomas da doença de Parkinson.
07/09/2014 - O Fantástico apresenta os resultados de um estudo científico inédito no mundo. Pesquisadores brasileiros descobriram um remédio que cura um dos sintomas da doença de Parkinson.
Mas aí que começa a polêmica: o remédio é feito a partir de uma substância encontrada na maconha, o canabidiol.
As pessoas do vídeo acima estão sonhando. Mas não era pra gente saber com o que elas estão sonhando. Elas chutam, dão pontapés e fumam um cigarro imaginário. Esses pacientes têm um transtorno durante a fase mais profunda do sono, o ‘sono rem’, qualquer um pode ter esse problema. Mas ele é também um dos primeiros sintomas Doença de Parkinson.
“60% dos parksonianos têm essa alteração. Aí, você tem pessoas que, por exemplo, sonham que estão sendo assaltadas e que começam a lutar. Então você está com sua esposa do lado, você pode agredi-la, pode cair da cama, pode sofrer lesões muito sérias”, destaca Jaime Hallax, da USP de Ribeirão Preto.
Até hoje, não existia um remédio 100% eficaz que não tivesse efeitos colaterais nos pacientes com Parkinson.
Durante oito semanas, pesquisadores do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo analisaram o sono de 21 pacientes. Agora, no fim do estudo, eles estão animados com que acreditam ser a descoberta de um novo uso medicinal do canabidiol, substância encontrada na maconha, proibida no Brasil.
Os pesquisadores deram o canabidiol, que também é conhecido como CBD, para essas pessoas com Parkinson. E os problemas para dormir desapareceram. Em todas elas.
“100% dos pacientes que tomaram canabidiol, que tinham essa alteração, tiveram essa alteração resolvida”, diz Jaime Hallax.
Outros sintomas do Parkinson são: a tremedeira, rigidez nos músculos, e em alguns casos, depressão e demência.
Os neurônios mais afetados pela doença são os que produzem a dopamina, que ajuda a regular os movimentos, as emoções, o raciocínio, o sono e a memória. E é nessa região que o canabidiol atua, segundo os pesquisadores de Ribeirão Preto. Isso melhora a qualidade de vida dos pacientes.
A alteração do sono foi só o primeiro objeto de estudo. Os cientistas agora investigam se outros sintomas do Parkinson também podem ser tratados com a ajuda do canabidiol.
“O canabidiol também deve ter ação direta no Parkinson, isso também está sendo testado”, explica Jaime Hallax.
Eles acreditam que o remédio pode atrasar ou até mesmo impedir o surgimento da doença. Isso porque a agitação durante do sono costuma aparecer muito tempo antes dos outros sintomas. É como um alerta de que a doença está para aparecer.
“Você imagina você com 30 anos de idade, começa a ter um transtorno desse, sabendo que daqui a 20 anos você pode ter um Parkinson, uma demência, você poderia ter isso impedido ou, pelo menos, retardado em 10, 15 anos para aparecer. Sua vida melhoraria muito mais”, ressalta Jaime Hallax.
Agora, apesar de proibido no Brasil, a Anvisa liberou a importação do canabidiol para 57 famílias brasileiras, até agora.
A da Anny foi a primeira delas. Ela tem uma síndrome rara, e chegava a ter 20 crises de epilepsia por dia. Em março, os pais da Anny apareceram no Fantástico. Eles contaram que importavam a substância ilegalmente dos Estados Unidos. A história deles também foi contada em um documentário, que estreia em outubro.
Com o canabidiol, a Anny parou totalmente de ter convulsões. E hoje, é outra menina. Essa foi a primeira vez que ela sorriu, depois de anos. E agora arrisca até alguns passos com a ajuda da mãe.
“Quando a gente colocava ela sentada, ela não segurava a cabeça. Desabava, ficava pendida assim para frente. Hoje ela consegue segurar a cabecinha”, diz Katiele Fischer, mãe da Anny.
Nos Estados Unidos, o canabidiol é vendido sem receita, como suplemento alimentar. Uma pastinha, feita da folha da maconha, é livre do THC, que é a substância que dá o efeito psicotrópico. Ou seja, o canabidiol não altera os sentidos.
Fantástico: Depois de terem conseguido isso tudo agora, como é que vocês se sentem?
Katiele Fischer: Aliviados. E muito felizes em receber depoimentos de pais que viram a história da Anny e que correram atrás e as crianças estão melhorando.
A família da Gabi foi uma delas. "Tinha dia que tinha 20 convulsões", diz o pai de Gabi.
Em tabelas que ficam no quarto dela, dá para ver como o número de convulsões por dia diminuiu. Só que para o canabidiol chegar na casa deles, a burocracia é muito grande. O Rosivaldo guarda na geladeira o finalzinho do remédio como se fosse um tesouro.
“A gente tem a medicação só até amanhã. Só até amanhã. Mais um dia”, comenta Leila Weschenfelder, mãe da Gabi.
Eles já compraram mais. Mas demora para chegar.
“Nós temos o remédio lá em Campinas e não está chegando para gente devido a burocracia”, explica Leila.
Essas famílias autorizadas têm hoje dois jeitos de comprar o canabidiol. Através da remessa expressa, o produto chega na porta de casa. Mas tem que pagar 60% de imposto sobre o valor do produto, que já não é barato. Ele custa cerca de R$ 850, um tubinho de três gramas. Para a Gabi, dura 40 dias.
Para não pagar o imposto, o outro jeito é ir buscar o remédio no aeroporto de Viracopos, no interior de São Paulo. As famílias podem ir pessoalmente ou contratar um despachante. Elas querem que esse processo seja facilitado.
“A gente não quer mais o canabidiol como última alternativa. A gente acredita que a gente deva ter o canabidiol, a escolha, até como primeira opção”, destaca Norberto Fischer, pai da Anny.
As pesquisas com o canabidiol estão só no começo. Elas são uma esperança para quem sofre de Parkinson e uma saída para famílias como a da Anny e a da Gabi darem aos filhos a melhor vida que eles possam ter. A recompensa desse esforço vem em grandes doses. Fonte: Globo G1.
Um tanto ufanista! Brasileiros? Cura um sintoma?
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Novo papel interessante para cannabis na doença de Parkinson
03/09/2014 - Uma entrevista com uma pessoa com doença de Parkinson avançada que experimentou alguma melhora dos sintomas com extrato de CBD e THC tópica.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
USP testará canabidiol em voluntários
Serão selecionados 40 voluntários para testar a substância que é alvo de grande discussão no Brasil
18/08/2014 - A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) vai estudar os efeitos do canabidiol, substância química encontrada na maconha, no ciclo do sono. Para isso, a faculdade procura voluntários para a pesquisa “Efeitos da administração de canabidiol no ciclo do sono, vigília em pacientes saudáveis”.
Podem participar pessoas de 18 a 50 anos que não apresentem distúrbio de sono nem façam uso de medicação. Os pesquisadores também darão preferência para não fumantes e moradores de Ribeirão. (veja o questionário: https://pt.surveymonkey.com/s/6FRYWCM)
Serão 40 voluntários. Os participantes terão que passar duas noites no Hospital das Clínicas, com intervalo de uma semana, e serão submetidos a uma polissonografia, exame realizado para investigar os distúrbios do sono.
Em uma das noites, os voluntários vão receber uma dose de canabidiol antes de dormir e, na outra, um placebo (substância caracterizada pela neutralidade de seus efeitos indicada para substituir medicamentos com o propósito de controlar os efeitos psicológicos de um paciente durante seu tratamento).
“O objetivo é entender o papel do canabidiol no ciclo do sono. Nós vamos mapear o sono dessas pessoas, pois queremos descobrir como o canabidiol modula o sono. Pode ser que pessoas com distúrbios de sono tenham algum benefício na fase REM [quando a atividade cerebral é mais rápida]”, explicou a psicóloga Ila Marques Porto Linares, responsável pela pesquisa.
O canabidiol tem sido usado para tratamento de crises epilépticas, esclerose múltipla, câncer, fobia social e dores neuropáticas (associadas a doenças que afetam o sistema nervoso central), mas o composto segue na lista de substâncias de uso proibido no Brasil.
Para ter acesso a medicamentos a base de canabidiol, é preciso fazer um pedido de importação à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acompanhado de prescrição médica, laudo médico e termo de responsabilidade.
Desde abril, quando a Justiça permitiu a importação da substância pela primeira vez, a agência autorizou 37 dos 54 pedidos.
Grande repercussão
Em 27 de junho, uma família de São Carlos, a 105 km de Ribeirão Preto, obteve uma liminar que obrigava a Secretaria Estadual da Saúde e a prefeitura a fornecerem o canabidiol a um menino de 7 anos diagnosticado com Síndrome de Dravet, uma doença degenerativa rara que ataca o sistema neurológico e provoca crises epilépticas.
Antes da decisão, a família importava o composto de forma ilegal e pagava, em média, R$ 1,4 mil por ampola, que é suficiente para um mês.
Pesquisa aponta benefícios em tratamento
Uma pesquisa realizada pela FMRP, em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), comprovou que o canabidiol possui efeito ansiolítico, sem causar dependência, em pessoas que sofrem de fobia social.
O pesquisador Mateus Bergamaschi, orientado pelos professores Regina Queiroz e José Alexandre Crippa, formou dois grupos de 12 pessoas que apresentavam a fobia, mas nunca haviam sido tratadas, e aplicou uma dose de 600 mg da substância em um grupo e um placebo em outro.
Após duas horas, os participantes de ambos os grupos tiveram que preparar um discurso de quatro minutos para ser lido diante de uma câmera enquanto viam sua própria imagem na televisão.
O resultado foi positivo para o canabidiol. O desempenho das pessoas que receberam a substância foi superior. Elas estavam menos ansiosas e mais confiantes. (Com informações do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do campus de Ribeirão Preto)
Professores são contra proibição
Quatro professores da USP, entre eles José Alexandre de Souza Crippa, orientador da pesquisa dos efeitos do canabidiol no sono, apoiam a reclassificação da substância, de proibida para controlada.
Os professores enviaram uma carta aberta à Anvisa dizendo que, desde os primeiros estudos com o canabidiol em humanos, os pesquisadores constataram que a substância não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa, a maconha. “Inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o uso agudo ou crônico do canabidiol é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos.”
De acordo com a nota, “existem fortes evidências de que o canabidiol possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros”. Fonte: Jornal da Cidade.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Pesquisadores pedem liberação de medicamento derivado da maconha
Pesquisadores da USP fazem campanha para que Anvisa libere o Canabidiol.
Ele é usado em pesquisas para tratar pacientes com doenças graves.
05/08/2014 - Pesquisadores da USP fazem uma campanha para que a vigilância sanitária libere um medicamento derivado da maconha. O Canabidiol é usado em pesquisas para tratar pacientes com doenças graves.
Os pesquisadores da USP de Ribeirão Preto estudam os efeitos terapêuticos do Canabidiol há mais de 35 anos. A substância natural é um dos 400 compostos da cannabis sativa, a planta da maconha. O composto já é testado nos casos de ansiedade, de câncer e doenças neurológicas.
Os cientistas pediram à Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que reclassifique o Canabidiol como medicamento de controle especial. "A reclassificação não tem nada a ver com o registro do Canabidiol como droga, isso é um outro processo, um outro nível de exigência", explica Antônio Waldo Zuardi, coordenador da pesquisa.
Hoje, quem depende de medicamentos à base de Canabidiol é obrigado a entrar na Justiça para importar o produto. João, de 7 anos, sofre de um tipo raro de epilepsia. Já fez tratamento com todos os anticonvulsivos vendidos no Brasil, sem sucesso. A família só conseguiu comprar o produto com a autorização da Justiça. Antes o menino tinha até 30 convulsões por dia. Hoje, 4 no máximo.
"Eu espero que assim que tudo terminar, ele possa ter uma vida normal, que eu possa levar ele para brincar, levar ele no parquinho, levar ele em festas, coisa que ele nunca pôde", conta Josiane Aparecida Alves, mãe de João.
Apesar das dificuldades para importar o Canabidiol, os pesquisadores brasileiros têm avançado muito nos estudos na área de neuropsiquiatria. Na USP de Ribeirão Preto, o Canabidiol é usado em mais de 60 pesquisas, como em tratamentos de Mal de Parkinson, epilepsia e fobia social.
No caso de Parkinson, os pacientes tratados com Canabidiol dormiram melhor. A pesquisa já foi publicada em uma revista científica internacional. Segundo os pesquisadores, a reclassificação permitiria obter o Canabidiol para pesquisas e tratamento de pacientes.
"Facilitaria muito, especialmente para ensaios clínicos, em grandes populações de pacientes e a importação desse composto 100% puro vai ficar muito mais fácil na medida que houver essa reclassificação", afirma Alexandre Crippa, pesquisador da USP.
A Anvisa informou que o assunto está sendo analisado, e que a carta dos pesquisadores da USP de Ribeirão Preto deve ajudar na decisão. Fonte: Globo G1.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Menino de sete anos receberá derivado de maconha por ordem judicial
Uso da medicação foi recomendado pela equipe médica após esgotadas todas as outras opções
24/07/2014 | Uma decisão da Justiça obriga o governo paulista a fornecer para um menino de 7 anos, do município de São Carlos, no interior de São Paulo, um medicamento derivado da maconha. A criança sofre com crises convulsivas, e o remédio, cuja comercialização é proibida no Brasil, precisa ser importado.
A ação foi impetrada pela Defensoria Pública, e a decisão, divulgada nesta quinta-feira, proferida no fim de junho. A liminar obriga o fornecimento da medicação canabidiol (CBD), uma substância química encontrada na maconha e que tem propriedades médicas para tratar doenças que afetam o sistema nervoso central.
Para justificar o pedido, foram anexados laudos médicos ao processo, mostrando que a criança tem o problema desde os seis meses de vida e já foi submetida a diversos tratamentos. Inclusive, os remédios disponíveis no mercado foram usados em dose máxima e sem resultado satisfatório. O menino tem, diariamente, cerca de 30 convulsões.
O uso do canabidiol foi recomendado pela equipe médica após esgotadas todas as outras opções. O problema é que, por ser proibido no Brasil, o medicamento só pode ser importado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e, ainda assim, mediante licença especial.
Para o defensor público Jonas Zoli Segura, a decisão é muito importante devido à gravidade da patologia que acomete o menino. Segundo ele, recentemente outra criança morreu nas mesmas condições clínicas enquanto aguardava a importação do medicamento. A Justiça deu 30 dias de prazo para que a decisão seja cumprida, sob pena de multa de R$ 500 por dia.
A Secretaria Estadual da Saúde informou que vai pedir um tempo maior para cumprir a decisão. Isso em razão de o canabidiol não fazer parte da lista definida pelo Ministério da Saúde para distribuição na rede pública e por não ter registro na Anvisa .
Pesquisas
Na semana passada, um grupo de professores de medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, que estuda o canabidiol desde os anos 1970, divulgou um documento em que pede a legalização da substância no Brasil. O assunto está em pauta na Anvisa e uma definição pode sair nas próximas semanas.
Outra pesquisa, essa de 2011, do Laboratório de Psicofarmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revelou que o canabidiol pode ajudar pessoas com ansiedade provocada por experiência traumática. A substância reduziu a ansiedade dos animais durante o processo de condicionamento, funcionando como um ansiolítico. Fonte: Zero Hora.
Mais sobre o tema:
Cannabis Medicinal
Site que defende o uso da substância a favor da saúde, com conteúdos multimídia sobre o tema, com depoimentos de pacientes que fazem uso da maconha para tratamento terapêutico e medicinal.
Maconha Medicinal
Site que reúne os interessados ou os que defendem o uso da maconha em tratamentos médicos. Há notícias atualizadas relacionadas ao tema, depoimentos e indicação de outros links.
In Catarse.
Maconha e Parkinson
Num apanhado de uma coletânea de fontes, visto não existir bibliografia específica, observa-se, com relação ao parkinson, que a maconha auxilia na redução parcial dos tremores, rigidez corporal e dores osteomusculares, ao ser fumada, ou seja, absorvida por vias aéreas, pulmonares. O efeito no SNC é quase imediato, visto a forma de absorção.
Sua eficácia na eliminação dos sintomas, de uma maneira geral é restrita caso a caso, conforme suscetibilidade individual. Observa-se, preliminarmente, ser eficiente nas primeiras doses, sendo que há necessidade de interposição de intervalos da ordem de 3 a 4 dias no uso, para se fazer notar novamente o efeito positivo sobre os sintomas do parkinson. Segundo alguns relatos os efeitos "rebote" seriam mais bem tolerados se comparados à levodopa. Quanto ao efeito do uso contínuo, a longo do tempo de um mês ou mais, não se tem referências. Os efeitos em cada pessoa são caso a caso.
Muitos estudos se desenvolvem e ainda não é sabido qual ou quais dos inúmeros componentes da planta são benéficos na eliminação, atenuação ou redução dos sintomas.
Maconha e Parkinson
Num apanhado de uma coletânea de fontes, visto não existir bibliografia específica, observa-se, com relação ao parkinson, que a maconha auxilia na redução parcial dos tremores, rigidez corporal e dores osteomusculares, ao ser fumada, ou seja, absorvida por vias aéreas, pulmonares. O efeito no SNC é quase imediato, visto a forma de absorção.
Sua eficácia na eliminação dos sintomas, de uma maneira geral é restrita caso a caso, conforme suscetibilidade individual. Observa-se, preliminarmente, ser eficiente nas primeiras doses, sendo que há necessidade de interposição de intervalos da ordem de 3 a 4 dias no uso, para se fazer notar novamente o efeito positivo sobre os sintomas do parkinson. Segundo alguns relatos os efeitos "rebote" seriam mais bem tolerados se comparados à levodopa. Quanto ao efeito do uso contínuo, a longo do tempo de um mês ou mais, não se tem referências. Os efeitos em cada pessoa são caso a caso.
Muitos estudos se desenvolvem e ainda não é sabido qual ou quais dos inúmeros componentes da planta são benéficos na eliminação, atenuação ou redução dos sintomas.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Em carta aberta, medicina da USP defende reclassificação do canabidiol
Carta foi enviada a Anvisa, que discute a liberação da substância no Brasil.
Medicamento com o canabidiol só pode ser usado com autorização especial.
16/07/2014 - Em carta aberta enviada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um grupo de professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) defende a reclassificação do canabidiol, substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem grande potencial terapêutico neurológico.
O canabidiol circula entre as substâncias vetadas pela Anvisa no Brasil. Em maio, uma reunião da Diretoria Colegiada do órgão, em Brasília, discutiu se o canabidiol seria retirado da lista de substâncias de uso proscrito para entrar para a lista de substâncias de controle especial (comercializado com receita médica de duas vias). Porém um dos diretores pediu vista do processo, o que adiou a decisão.
Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, uma nova sessão está prevista para acontecer em agosto.
Atualmente, remédios que contém a substância só são utilizados por pacientes que possuem autorização especial para importação concedida pelo próprio diretor da agência ou ainda sentença jurídica com a mesma finalidade.
O documento é assinado pelos professores Antonio Waldo Zuardi, José Alexandre de Souza Crippa, Jaime Eduado Cecílio Hallak e Francisco Silveira Guimarães, que há mais de 35 anos pesquisam os avanços do composto.
No texto, o grupo, baseado em trabalhos científicos, considera que “desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa, o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto. Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa.
Segundo os professores, “inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o suo agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros.”
O grupo defende ainda que pesquisadores já obtiveram o canabidiol desprovido de uma substância chamada Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC). Em maio deste ano, o THC foi citado pelo diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, que disse que a reclassificação do canabidiol não necessariamente facilitaria a importação dos medicamentos à base da substância, porque muitos desses remédios, segundo ele, contêm outros derivados da maconha que continuam banidos no Brasil, como o THC.
Na mesma época, o diretor-adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann, disse ao G1 que a reclassificação poderia acontecer muito em breve, porque já existiriam evidências científicas suficientes que comprovam a eficácia da droga e sua segurança para uso terapêutico.
Ainda segundo ele, a partir do momento que o canabidiol deixasse de ser proscrito, problemas de barreira alfandegária acabariam. No entanto, Klassmann disse que era preciso vencer a barreira do preconceito e estigma do uso da maconha medicinal.
Recentemente, a discussão sobre a reclassificação da substância ganhou repercussão com o caso da menina Anny, de 6 anos, portadora da síndrome CDKL5. A doença genética, que provoca deficiência neurológica grave e convulsões, tem como alternativa de tratamento um remédio à base do canabidiol. Segundo os pais dela, Katiele Fischer e Noberto Fisher, Anny chegou a ter 80 convulsões por semana.
Em abril deste ano, o juiz Bruno César Bandeira Apolinário da 3º Vara de Federal de Brasília, permitiu a importação do remédio à base da maconha pelos pais de Anny. De acordo com o casal, o medicamento reduziu as crises de convulsões e trouxe mais qualidade à vida da menina.
Leia a carta na íntegra:
Nosso grupo de pesquisa estuda o Canabidiol (CBD) há mais de 35 anos e durante esse período tem contribuído significativamente nos avanços observados com este composto e acompanhado atentamente a literatura científica disponível sobre o tema. Dessa forma, achamos ser nossa obrigação colaborarmos com alguns subsídios, no momento em que essa Agência discute a reclassificação do CBD, atualmente na lista de substâncias proscritas. Listamos abaixo algumas considerações:
1. O canabidiol (CBD) é um produto natural, que pode ser extraído da planta Cannabis sativa.
2. Algumas companhias farmacêuticas produzem extratos de cepas da planta ricas em CBD. Estas podem atingir altos níveis de pureza. Entretanto, como para todo extrato, não é possível alcançar 100% de pureza.
3. O Prof. Raphael Mechoulam, que identificou pela primeira vez a estrutura química do CBD descreveu um método de obtenção deste canabinóide na forma cristalina (Ref. 1). Como informado pelo Prof. Mechoulam, especificamente para esse documento, nessa forma cristalina seu laboratório tem obtido o CBD com um grau de pureza de 98,9 a 99,9 e desprovido de Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC- Anexo 1).
4. Na forma cristalina o CBD pode ser obtido também por síntese e existe pelo menos um laboratório Europeu que fornece este composto para pesquisa em animais e humanos, com seu método de síntese aprovado pela Agência Americana Food and Drug Administration (FDA). Este CBD sintético não deriva da Cannabis, não contem outros canabinóides, incluindo o THC ou qualquer outro constituinte psicoativo (Anexo 2).
5. Desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa (Ref. 2, 3), o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto (Ref.4). Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa (Ref. 5).
6. Inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o uso agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos (Ref. 6).
7. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros (Ref.5).
Em face dessas considerações, estamos certos que não se justifica a permanência do CBD na lista de medicações proscritas. Assim, por uma questão de justiça e fidelidade aos novos conhecimentos fornecidos pela ciência defendemos que o CBD seja reclassificado. Destacamos aqui, que isto não se confunde com o registro desta substância para uso rotineiro, o que implica num processo diverso, que não está em discussão no momento.
Acreditamos que a reclassificação da substância está longe de ser inócua. Essa decisão irá facilitar a condução de pesquisas e mais amplos ensaios clínicos com o CBD, que podem confirmar seu potencial terapêutico, cumprindo exigências necessárias para o registro da substância como medicamento. Ao lado disso, esta medida irá facilitar o trâmite para a importação do CBD e a sua utilização no chamado uso compassivo (“disponibilização de medicamento novo promissor, para uso pessoal de paciente e não participante de programa de acesso expandido ou de pesquisa clínica, ainda sem registro na Anvisa, que esteja em processo de desenvolvimento clínico, destinado a pacientes portadores de doenças debilitantes graves e/ou que ameacem a vida, sem alternativa satisfatória com produtos registrados no país”- Ref. 7).
Desejando ter contribuído com essa Agência, despedimo-nos,
Atenciosamente
Prof. Dr. Antonio Waldo Zuardi
Prof. Dr. José Alexandre de Souza Crippa
Prof. Dr. Jaime Eduado Cecílio Hallak
Prof. Dr. Francisco Silveira Guimarães
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Fonte: Globo G1.
Também na Folha de S.Paulo:
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