quarta-feira, 23 de julho de 2014

Grupo estuda papel do sistema endocanabinoide em Parkinson

Região cerebral afetada pela doença é rica em neurônios com receptores para os neurotransmissores com estrutura semelhante aos compostos químicos da maconha
O sistema endocanabinoide é formado por um conjunto de neurotransmissores quimicamente semelhantes a compostos químicos existentes na maconha e por seus receptores cerebrais.
23/07/2014 - São Paulo – Uma pesquisa em andamento no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) tenta desvendar como o sistema endocanabinoide está envolvido no processo neurodegenerativo que acomete portadores da doença de Parkinson.

O sistema endocanabinoide é formado por um conjunto de neurotransmissores quimicamente semelhantes a compostos químicos existentes na maconha (Cannabis sativa) e por seus receptores cerebrais.

De acordo com Andrea da Silva Torrão, coordenadora da pesquisa apoiada pela FAPESP, esse conhecimento poderá ajudar no desenvolvimento de novas ferramentas terapêuticas.

“Os primeiros resultados obtidos mostram que o sistema de neurotransmissão endocanabinoide está envolvido na doença de Parkinson, mas ainda não sabemos se para o bem ou para o mal. Conhecendo melhor como ele se comporta, poderemos ir atrás de drogas capazes de pelo menos melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, disse Torrão.

A doença de Parkinson é resultante da perda progressiva de neurônios que produzem o neurotransmissor dopamina e estão situados em um núcleo cerebral relacionado ao controle de movimentos conhecido como substância negra.

“A substância negra faz parte de um grande complexo cerebral denominado núcleos da base. Uma das funções dos núcleos da base é a organização dos movimentos voluntários”, explicou a pesquisadora.

Quando a perda dos neurônios dopaminérgicos ultrapassa 50%, começam a se manifestar sintomas como tremores de repouso, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão de movimento) e acinesia (imobilidade). A doença também costuma causar depressão, problemas cognitivos e, em estágio avançado, demência.

Para tentar descobrir o que dispara a degeneração dos neurônios dopaminérgicos e entender como o sistema endocanabinoide participa do processo, os pesquisadores do ICB induziram um quadro semelhante ao Parkinson em ratos.

“Os endocanabinoides têm a função de neuromodulação. Fazem uma espécie de ajuste fino das sinapses e controlam a liberação de outros transmissores dos neurônios. Os receptores canabinoides CB1 ficam principalmente nos terminais axônicos de dois tipos de neurônios: os gabaérgicos – que usam como mediador o ácido gama-aminobutírico (GABA) – e os glutamatérgicos – que usam como mediador o glutamato. Ambos existem em grande quantidade nos núcleos da base”, disse Torrão.

Os experimentos com modelo animal foram realizados durante o doutorado de Gabriela Pena Chaves-Kirsten, com Bolsa da FAPESP. Parte dos resultados foi publicada na revista PLoS One.

A morte dos neurônios dopaminérgicos foi provocada em apenas um dos hemisférios cerebrais com a injeção de uma neurotoxina conhecida como 6-hidroxidopamina.

“Por meio de um procedimento cirúrgico, injetamos essa substância diretamente no estriado, um dos componentes dos núcleos da base. Após uma ou duas semanas é possível observar uma perda significativa dos neurônios dopaminérgicos e, por meio de testes comportamentais, vimos que o animal já apresentava déficit locomotor”, contou Torrão.

Em uma primeira etapa da pesquisa, os cientistas avaliaram como a expressão do receptor CB1 era alterada com a injeção da neurotoxina.

Quatro estruturas dos núcleos da base foram monitoradas: o estriado, as porções externa e interna do chamado globo pálido e a outra parte da substância negra que não contém os neurônios dopaminérgicos e é conhecida como porção reticulada. “Todas essas regiões cerebrais estão envolvidas no controle locomotor e dependem da informação dos neurônios dopaminérgicos”, explicou Torrão.

O nível de expressão de CB1 foi medido no primeiro, no quinto, no décimo, no vigésimo e no sexagésimo dia após a indução da morte neuronal. Enquanto no estriado os pesquisadores não observaram nenhuma alteração, na porção reticulada da substância negra a expressão da proteína estava diminuída já a partir do primeiro dia.

Por outro lado, o globo pálido apresentou um padrão bifásico nos níveis de CB1. Na sua porção externa (EGP), houve um aumento inicial de aproximadamente 40% em relação ao lado controle, seguido de uma diminuição gradativa ao longo do tempo. No quinto dia, a expressão era 25% maior que no lado controle e, no vigésimo dia, já estava igual. No sexagésimo dia, estava 20% menor do que no grupo controle.

Na porção interna do globo pálido (IGP), foi observado um aumento da expressão de CB1 de 50% em relação ao controle apenas no primeiro dia. A partir do quinto dia houve uma diminuição gradual, chegando a 60% abaixo do lado controle no sexagésimo dia.

“Acreditamos que esse aumento inicial observado em algumas estruturas dos núcleos da base esteja relacionado a um processo compensatório de plasticidade neural envolvendo a transmissão gabaérgica. Parece ser uma tentativa do sistema nervoso de compensar a falta dos neurônios dopaminérgicos. Mas a estratégia acaba falhando, pois a degeneração neuronal continua ocorrendo e os sintomas motores se agravam”, avaliou Torrão.

Testes com drogas

Em uma segunda etapa da pesquisa, o grupo decidiu tratar os ratos com compostos canabinoides para tentar reverter o processo de degeneração neuronal. Dois tipos de substâncias foram testados: os antagonistas canabinoides, que bloqueiam o receptor, e os agonistas canabinoides, drogas quimicamente semelhantes aos compostos ativos extraídos da maconha e aos endocanabinoides.

Os animais foram divididos em três grupos. O primeiro recebeu apenas a substância agonista, o segundo, a antagonista e o terceiro, placebo.

O tratamento começou no dia seguinte à injeção de 6-hidroxidopamina e durou quatro dias. Além de avaliações comportamentais dos sintomas locomotores, os pesquisadores acompanharam a degeneração neuronal por meio de ensaios de imunoistoquímica, que mediam a expressão de dopamina.

“O tratamento com o agonista canabinoide aparentemente piorou os sintomas motores e a degeneração dopaminérgica e, portanto, parece não ser uma boa opção de terapia. Já o composto antagonista, embora não tenha conseguido evitar a morte progressiva dos neurônios, conseguiu ao menos melhorar os sintomas motores nos ratos. Mas ainda não sabemos exatamente como”, contou Torrão.

A hipótese, acrescentou a pesquisadora, é que, ao conseguir bloquear o aumento inicial na expressão da proteína CB1, a droga retardaria a evolução dos sintomas motores. Na tentativa de compreender melhor os achados, os pesquisadores do ICB/USP estão realizando agora estudos in vitro com as drogas.

“É mais fácil estudar mecanismos moleculares em culturas de células, pois é uma situação com menos variáveis, na qual não há outros processos metabólicos para interferir”, disse Torrão. Fonte: Exame. Leia também na Info Abril.

Could this Parkinson's drug be a magic pill for creativity?

22/07/2014 - Droga para Parkinson pode ser a pílula mágica da criatividade? In Dazed Digital.

Entreouvidos numa reunião de pessoas com Parkinson nos EUA, num dos estados onde é legal o uso da maconha medicinal: "-I prefer marijuana".
In Medical Marijuana Pros and Cons (as of July 7, 2014).

Doença de Parkinson - Dra. Mariana Moscovich

17/08/2013 - Programa Amor Sem Limites com o Vereador Zé Maria - Tema: Doença de Parkinson - Convidada: Dra. Mariana Moscovich - PR.
Segundo informações, a Dra. Mariana Moscovich é especializada na regulagem e ajuste fino do dbs.
(Desculpe os anúncios)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Muito aguardado, teste global de células fetais para Parkinson

Mon, 07/21/2014 - Em dois meses, o primeiro de muitos novos pacientes da doença de Parkinson (DP), irá receber transplante de células fetais. O transplante marcará o fim de uma moratória voluntária de muitos países ocidentais após complicações surgidas há uma década.

Isto, combinado com a notícia de que terapias para DP com células tronco embrionárias podem também ter chegado perto do horário nobre, fez do Parkinson um grande tema na recente reunião da Sociedade Internacional para Stem Cell Research (ISSCR).

"Histórias de sucesso surpreendentes estão saindo na literatura e começando a vir para a clínica", disse Janet Rossant, presidente, na saída da ISSCR.

A meta do novo multicêntro, aberto, de células fetais TRANSEURO DP, é inscrever 150 pacientes para testes, disse o principal investigator Roger Barker, da Universidade de Cambridge, à imprensa no ISSCR. É patrocinado pela União Europeia.

O TRANSEURO vai imitar, em alguns aspectos fundamentais, os ensaios anteriores específicos, disse Barker à  Bioscience Technology via e-mail. Esses estudos anteriores produziram, ao longo do tempo, "efeitos bastante notáveis e sustentados," disse o neurologista Lorenz Studer, do Memorial Sloan Kettering, na conferência. O TRANSEURO tentará evitar táticas menos bem sucedidas de outros estudos anteriores.

Moratória voluntária

A moratória voluntária foi adotada, em muitos países, em transplantes de células fetais para DP em 2003, após a publicação de resultados mistos de dois ensaios clínicos duplo-cegos, controlados por placebo, com células de tecidos fetais. Por 10 a 20 anos anteriores, os resultados foram variados a partir de pequenos ensaios abertos. Mas a impressão geral era de sucesso.

Nos testes controlados com placebo, padrão ouro, quebrou-se a imagem inicial, pois foram encontrados muitos pacientes sofrendo de discinesia grave (robusta agitação) no pós-tratamento.

Os ensaios pontuais tinham sido para substituir os neurônios de dopamina perdidos na DP por células neurais retiradas de fetos com enxertos na substantia nigra e abolir problemas como discinesias.

Em todo o mundo, os cientistas e os médicos recuaram para reavaliar.

"Vidas transformadas"

Nos últimos anos, tem havido boas notícias sobre esses ensaios anteriores. Foi relatado na revista The Lancet que ensaios no ano passado em Saskachewan / Halifax, Canadá e Lund, Suíça produziram um número de pacientes que ficaram bem, anos afora. Os pacientes mais jovens e mais saudáveis​​, estavam entre estes.

Essa revisão observou anteriormente resultados variáveis que podem ter sido em parte devido a enxertos contendo muitos tipos de células, em muitos estágios, produzindo "pontos quentes" de células ou muito densas, ou muito maduras, para funcionarem bem.

Em janeiro, o  JAMA Neurology descobriu que dois pacientes que receberam enxertos em Lund após 15 e 18 anos, estavam passando incrivelmente bem. Disse o JAMA em perspectivas: "No acompanhamento de 18 pacientes no estudo da Lund ... havia diferenças substanciais nos resultados motores de curto prazo entre os pacientes e os dados de acompanhamento de longo prazo poderiam ser obtidos em apenas alguns."

Mas em dois pacientes, segundo o jornal: "ganharam melhorias motoras gradualmente ao longo dos primeiros anos pós-operatórios e foram sustentados até 18 anos pós-transplante, enquanto os pacientes interromperam, e mantiveram-se livres de qualquer terapia farmacológica dopaminérgica ... transplante de células dopaminérgicos pode oferecer alívio sintomático de muito longo prazo. "

A estas perspectivas, os neurologistas da Universidade Northwestern, Dimitri Krainc e Danny Bega, chamaram de "importantes e inesperadas."

Disse Barker: "Se você seguir esses pacientes ao longo do tempo e lembrar que estas são terapias baseadas em células, não em drogas, que elas trabalhem depois de anos não semanas, você pode ver resultados dramáticos .... Temos nesse estudo dois pacientes transplantados 20 anos atrás que quase não têm características hoje de Parkinson. Eles estão sem nenhuma medicação. Os transplantes têm transformado suas vidas. Com trinta anos de sua doença, eles têm um escore motor menor do que eles apresentaram aos neurologistas no final de 1980. Então, quando ele funciona, ele funciona muito bem. Ele simplesmente não funciona de forma consistente em todos."

O TRANSEURO vai repetir os testes de Lund em alguns aspectos fundamentais, Barker disse à Bioscience. As células serão preparadas", essencialmente, da forma como elas estavam em Lund." Elas vão ser "células de dopamina precoce diferenciadas, derivadas do cérebro fetal primário sem manipulação. (E) a técnica de fornecimento garante que elas sejam distribuídas uniformemente em todo o corpo estriado."

A idéia por trás das células diferenciadas prococemente: elas são maduras o suficiente para terem parado a proliferação; imaturas o suficiente para serem sensíveis a novos nichos. Elas ainda não têm crescidos os axônios. Transplantadas com axônios, "morrem", disse Barker via e-mail.

Ivar Mendez, o médico atrás do outro ensaio saudado na revista The Lancet (ensaio de Saskachewan / Halifax), observa que um estudo na Cell Reports de junho 2014 mostra que todos os cinco pacientes que morreram em seu ensaio - de causas não relacionadas ao Parkinson - viram suas novas células durarem até o fim, até aos 14 anos. Os novos neurônios eram saudáveis​​, com mitocôndrias normais e expressão robusta de transportadores de dopamina. "Isso é muito relevante para o julgamento da TRANSEURO", disse à Bioscience em um email.

Células embrionárias: o futuro?

Daqui para frente, a TRANSEURO irá trabalhar com o G ("global") Force. Composto por especialistas de transplante no Japão, Europa e América do Norte, o G Force vai estabelecer normas para evitar a variabilidade. O grupo reuniu-se pela primeira vez em maio.

Mas, Barker disse à ISSCR: "células-tronco embrionárias humanas são a provável fonte do futuro" para transplantes, observando Studer que se faz neurônios a partir de células embrionárias ", que realmente se parecem com as células de dopamina da substantia nigra".

As células-tronco embrionárias vêm de fertilização in vitro (FIV) de reposição de embriões de clínicas de fertilização in vitro que casais armazenam. Elas são as primeiras células, proliferativas e flexíveis, capazes de criar todas as células do corpo. Algumas células-tronco embrionárias de uma clínica de fertilização in vitro cria quantidades infinitas de neurônios. Células do tecido fetal com idade usadas para enxertos em transplantes convencionais, pelo contrário, ficam semanas juntas, mais diferenciadas, definidas nos seus caminhos, menos proliferativas. Enxertos fetais são vistos como mais controversos do que células-tronco embrionárias, vindo de clínicas de aborto.

(Outra opção, intermediária é altamente purificada, dissociada de células progenitoras fetais, que, como células-tronco embrionárias podem gerar neurônios intermináveis​​. a NeuralStem and Stem Cells Inc. conduziu testes aprovados pela FDA com essas células para outros distúrbios.)

Quando Studer da ISSCR chegou ao clímax, ele confirmou que suas células-tronco embrionárias humanas podem estar em testes no "início de 2017".

Studer disse há anos que ele poderia aliviar os sintomas de DP em camundongos com neurônios de dopamina feitos a partir de células-tronco embrionárias de rato. Mas os neurônios humanos não enxertavam. Então, em 2011, sua equipe descobriu, alterando técnicas de diferenciação, que eles poderiam "rapidamente" criar os neurônios de dopamina humanos que "sobreviveriam a longo prazo, e causariam a recuperação funcional em ratos, e modelos de primatas." Depois de um mês em primatas, sua equipe viu "conseqüências bastante promissoras em cérebros de macacos rhesus".

"Magico" números de celulas

A equipe de Studer também descobriu que podiam facilmente subir a escala da produção de células ES derivadas para o "mágico" número de transplantes em DP de "100.000 neurônios sobreviventes de dopamina por paciente." Sua equipe descobriu independentemente que o melhor estádio de maturação para transplante é "jovem neurônio."

Studer disse que células ES permitem transplante de concentrações mais puras de neurônios de dopamina do que enxertos fetais. Isto pode importar. Enxertos fetais podem conter neurônios serotoninérgicos que podem alertar discinesias. A equipe minimiza a contaminação ao dirigir as células para o destino dopamina, a verificação de marcadores de dopamina. Tipos de células de dopamina são classificadas segundo a comportamento, e elas imitam o comportamento no desenvolvimento.

Muitos estudos com primatas confirmam sobrevivência a longo prazo de enxerto, afirmou Studer. "Uma vez no cérebro, ele é bastante notável o quão perto as células imitam a estrutura normal de desenvolvimento de um neurônio da dopamina." Eles integram bem. Visualizando ressonância magnética de neurônios de dopamina a partir de células fetais e ES ", patologistas não conseguiam distinguir a morfologia". Ele acrescenta enzimas maximizando o crescimento do axônio. "Nós temos as células certas, e o número certo para a tradução", disse ele.

Como Studer, Barker planeja, com Lund, para passar para testes com células-tronco embrionárias humanas.

Dois ensaios de transplante mais notáveis ​​planejados envolvem o primeiro uso de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) para DP. Um deles, dirigido por Jun Takahashi, do Centro de iPS celular pesquisa e aplicação, pode se lançar em dois anos. Na Universidade de Saskatchewan Ivar Mendez planeja outro.

Centros TRANSEURO: University College de Londres; Imperial College London; Universidade de Cardiff; Hospital da Universidade de Lund; Centro Médico da Universidade de Freiburg; e Assistência Pública-Hospitais de Paris. (original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: Bio Science Technology, com links.

Volta ao passado para portadores do Mal de Parkinson

21/07/2014 - Passar a ferro uma peça de roupa e assinar o próprio nome são atos corriqueiros muitas vezes riscados da vida de quem sofre do Mal de Parkinson. Mas que podem ser reincorporados à rotina, por um bom período, graças a uma cirurgia. Batizada de Estimulação Cerebral Profunda (ou DBS, da sigla em inglês), a intervenção é capaz de “devolver” parte do controle motor a portadores da doença degenerativa. O resultado: mais autonomia e qualidade de vida.

O procedimento consiste na implantação de um ou dois eletrodos no cérebro. Conectados a uma espécie de marca-passo, emitem impulsos elétricos de alta frequência que reorganizam áreas do órgão ligadas a movimentos do corpo. A operação reduz a rigidez e os tremores nas mãos, braços e pernas, que também se tornam mais ágeis.

Na prática, é como se a doença regredisse e os pacientes recuperassem a condição que tinham tempos atrás. Uma mudança e tanto principalmente para quem manifestou os sintomas cedo, aos 50 ou 60 anos, e estaria fadado a viver por décadas com grandes limitações.

“O Mal de Parkinson é extremamente incapacitante, e o objetivo do DBS é melhorar a vida da pessoa. Muitas voltam a se alimentar sozinhas, fazer a própria higiene, cuidar da casa e escrever de forma legível”, diz o neurocirurgião Marcello Penholate, da Santa Casa de Belo Horizonte, traduzindo o porquê de a tecnologia favorecer a autoestima do doente.

Os “choques” não causam dor. Todo o circuito, inclusive o gerador, é imperceptível, pois fica sob a pele da pessoa. A regulagem do equipamento e da intensidade das descargas elétricas é feita pelo médico, com controle remoto.

RISCOS

Mas o método, oferecido pelo SUS e por convênios, restringe-se a um grupo específico de portadores de Parkinson.

É preciso ter pelo menos quatro anos de diagnóstico. Isso elimina a possibilidade de se operar um paciente que, na verdade, sofre de outra doença degenerativa. A pessoa também não pode estar com demência nem em estágio avançado da doença, pois o risco da intervenção não compensaria o resultado.

“Toda cirurgia oferece risco, inclusive o de morte”, lembra o neurocirurgião. Durante a operação para DBS, a possibilidade de hemorragia é inferior a 1% e a de sofrer um déficit definitivo, como perder a força de um lado do corpo ou passar a engolir e falar com dificuldade, varia de 4% a 5%. Já a chance de uma complicação no geral – rejeição aos componentes, infecção, etc – é de 8%.

- ‘Esperança para quem não tem praticamente nenhuma’

Por mais moderna e eficaz que a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) seja, ela não representa a curado Mal de Parkinson nem um tratamento definitivo contra a doença neurológica progressiva.

Significa que os sintomas voltarão a se manifestar com maior intensidade em alguns anos, talvez mais de uma década. Ainda assim, o paciente terá vivido em condições melhores do que se não tivesse contado com o recurso.

João André da Costa, de 61 anos, tem certeza disso. Em 2008, começou a sentir tremores na mão direita e quatro anos depois foi operado. A cirurgia, conta, acabou com a dificuldade para escrever e se barbear, dentre uma série de atividades do dia a dia. “Valeu muito a pena”, diz o aposentado.

Presidente da Associação de Parkinsonianos de Minas Gerais (Asparmig), Janette Melo Franco relata o caso de um paciente submetido ao método em 2010 que afirma estar no melhor momento da vida desde a notícia da doença, há 12 anos. “Não há salvação para o Parkinson, mas a cirurgia é a esperança para quem não tem praticamente nenhuma”.

Quando a eficácia do tratamento elétrico cai, os médicos tentam compensar a perda aumentando a dose de remédios para o paciente.

CAMINHO

Em Belo Horizonte, a Santa Casa realiza a cirurgia, e o Hospital das Clínicas da UFMG também tem profissionais capacitados para tal.

O encaminhamento é feito a partir do Serviço de Distúrbios de Movimentos do HC/UFMG e do Ambulatório de Neurologia do Centro de Especialidades Médicas, após consulta agendada pela Central de Marcação do SUS.

No entanto, vale lembrar que a indicação para DBS é extremamente criteriosa, mesmo para quem se enquadra nos critérios iniciais – diagnóstico preciso e fase não aguda da doença.

Uma equipe formada por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas avalia o candidato, a capacidade dele de enfrentar o estresse cirúrgico – já que parte da intervenção acontece com o paciente acordado, sob efeito de anestesia local – e até a resposta individual a outros tratamentos.

“É que algumas pessoas se beneficiam mais com os medicamentos”, explica Marcello Penholate, cuja equipe operou, desde 2011, 36 pessoas – nove pelo SUS. A triagem pode levar até seis meses, e o custo estimado do procedimento é de R$ 200 mil. Fonte: Hoje em Dia.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

III Encontro de Lazer Parkinson

O encontro está sendo alinhavado em Itatiaia - RJ


Veja AQUI.

Novo livro

20/07/2014 - Sinopse - Parkinson - Como Entender e Conviver com a Doença de Parkinson - Alan M. Hultquist
Apresentando informações úteis e será uma introdução ao assunto. Ele vai ajudar a família, amigos e acompanhantes a compreender melhor a doença de Parkinson. Conheça David, que tem a doença de Parkinson. A partir de sua perspectiva, ele ajuda o leitor a compreender o que é a doença de Parkinson, como ela afeta a vida cotidiana e como é possível lidar com os problemas provocados por ela. David também dá conselhos de como as pessoas podem ajudar quem tem Parkinson. O autor fornece informações acessíveis sobre uma doença complexa através da experiência de David, que tem Parkinson. Este livro é um ótimo guia para compartilhar com a família, os amigos e os profissionais da saúde na procura por uma compreensão pessoal sobre esta doença.

Parkinson - Como Entender e Conviver com a Doença de Parkinson - Alan M. Hultquist. Fonte: Skoob. Veja também no Entre Páginas e Sonhos.

domingo, 20 de julho de 2014

Dracenense lança livro “Doença de Parkinson e Exercício Físico”

20/7/2014 - Os membros do Programa de Atividade Física para Pacientes com Doença de Parkinson (Proparki) e do Laboratório de Estudos da Postura e Locomoção (Leplo) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), campus de Rio Claro, acabam de lançar o livro “Doença de Parkinson e Exercício Físico”, pela editora CRV. Entre os escritores, está a dracenense Luana Carolina de Morais, 27 anos, ex-aluna do curso de Educação Física da Unifadra.

Luana é filha dos dracenenses Davi Soares de Morais e Maria Regina da Rocha de Morais, estudou na EE Eng.º Isac Pereira Garcez e após graduação na Unifadra em 2009, iniciou seu mestrado na Unesp de Rio Claro e deverá concluí-lo em setembro deste ano.

O livro fala sobre o Parkinson e os exercícios que estabilizam a doença beneficiando e proporcionando bem-estar para o paciente. Luana explicou que a obra ainda aborda a patologia e os sintomas da doença de Parkinson.

Para a educadora, o conhecimento da condição clínica é fundamental para que o profissional de saúde possa intervir de maneira apropriada, com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e estabilizar ou desacelerar a progressão da doença. “Após utilizarmos o programa e aplicarmos a intervenção, obtiveram-se resultados bastante positivos, então, resolvemos passar essas informações adiante com a publicação deste livro”, contou.

Ela ainda ressaltou que nos congressos em que o grupo comparecia, muitas pessoas perguntavam quais os exercícios aplicados desaceleravam a doença. Após grande melhoria na doença do paciente, o grupo decidiu divulgar a “fórmula da receita”, disse Luana, após perceberem grandes avanços nos sintomas do Parkinson.

No livro é apresentado detalhes do planejamento das etapas de adaptação e do programa de atividade física. Os resultados obtidos em cada uma de suas etapas são apresentados e discutidos em seus capítulos.

Os trabalhos do laboratório de estudos foram iniciados em 2006. O paciente passa por várias baterias de avaliações desde cognitivas a físicas. “Como o mal de Parkinson é uma doença progressiva, se conseguirmos estabilizar já é um grande progresso”, falou. Aplicamos a intervenção seis meses, avaliamos novamente e então após três períodos, analisamos e percebemos uma melhora sem que nenhum dos casos houvesse progresso da doença. Essas e outras informações estão disponíveis neste livro que pode ser encontrado pelo site www.editoracrv.com.br pelo valor de R$ 35,90.

Os alunos da Fundec podem ter ao acesso ao exemplar que está disponível na biblioteca da instituição. Fonte: Portal Regional, com foto.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Escapando da camisa de força" do mal de Parkinson

Para assistir ao vídeo (áudio em inglês), clique AQUI, e após PLAY.

July 17, 2014 - Mais de 100.000 canadenses têm a doença de Parkinson, com cerca de 5500 novos casos por ano. Inspirado por seu herói Michael J Fox, mágico Mark Correia, sediado em Toronto  decidiu passar duas semanas amarrado em uma camisa de força, tudo para arrecadar fundos para combater o Parkinson.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

EUA emitem alerta após morte de menina por ameba que "come" cérebro

O parasita vive em água doce e pode entrar no corpo humano pelo nariz. Os casos de infecção, entretanto, são raros

REDAÇÃO ÉPOCA
16/07/2014 18h18 - Atualizado em 16/07/2014 18h24
Hally Yust, de 9 anos, morreu infectada por ameba (Foto: Arquivo pessoal)
O Estado americano do Kansas emitiu um alerta sanitário após a morte de uma menina de nove anos contaminada por uma ameba que devora o cérebro.
Hally Yust morreu na semana passada. Ela passara os dias do feriadão de 4 de Julho (Independência dos Estados Unidos) se divertindo em lagos do Kansas. Testes de laboratório verificaram que a menina contraiu o parasita Naegleria fowleri, que vive em água doce. No alerta, o Departamento de Saúde e Ambiente do Kansas afirma que o risco de infecção é muito baixo, mas aumenta no verão, quando as águas estão mais quentes e as pessoas fazem mais atividades nesses loacis. De 1962 a 2013, foram registrados 132 casos no Estados Unidos. Desses, 34 aconteceram nos últimos dez anos.
Hally adorava brincar na água. Ela praticava esqui aquático. Apesar do sofrimento com a morte da menina, os pais dela disseram em entrevista a uma TV americana que as pessoas não devem temer as atividades aquáticas. “Devia estar muito chato no céu nas últimas semanas e, então, Deus procurou na Terra e achou a pessoa mais interessante, dinâmica e fantástica que Ele poderia achar e disse: 'Hally, você tem de vir comigo'", afirmou a mãe da garota.
Normalmente, a ameba entra no corpo humano pelo nariz, quando a pessoa está nadando com a cabeça submersa, e chega ao cérebro. Por isso, entre as recomendações do órgão sanitário americano estão fechar as narinas, utilizar pregadores nasais ou manter a cabeça acima do nível da água.
Os sintomas, que surgem cerca de cinco dias após a infecção, são dor de cabeça, febre, náusea, vômito, torcicolo, confusão, desatenção, perda de equilíbrio, ansiedade e alucionações. A doença não é transmitida entre humanos e não pode ser contraída bebendo-se água. Piscinas tratadas também não têm risco.
Outro Estado americano, a Flórida, já havia alertado no mês passado sobre os riscos da infecção. Em 2013, Zachary Reyna, de 12 anos, morador do Estado, morreu vítima da ameba, após entrar em lago perto de sua casa.
Também no verão do ano passado, Kali Hardig, de 12 anos, do Arkansas, foi infectada pela Naegleria fowleri. Ela sobreviveu. Dos 132 casos registrados desde 1962, somente Kali e mais dois pacientes tiveram essa sorte.
Fonte: Revista Época / G1.

Em carta aberta, medicina da USP defende reclassificação do canabidiol

Carta foi enviada a Anvisa, que discute a liberação da substância no Brasil.
Medicamento com o canabidiol só pode ser usado com autorização especial.

16/07/2014 - Em carta aberta enviada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um grupo de professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) defende a reclassificação do canabidiol, substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem grande potencial terapêutico neurológico.

O canabidiol circula entre as substâncias vetadas pela Anvisa no Brasil. Em maio, uma reunião da Diretoria Colegiada do órgão, em Brasília, discutiu se o canabidiol seria retirado da lista de substâncias de uso proscrito para entrar para a lista de substâncias de controle especial (comercializado com receita médica de duas vias). Porém um dos diretores pediu vista do processo, o que adiou a decisão.

Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, uma nova sessão está prevista para acontecer em agosto.

Atualmente, remédios que contém a substância só são utilizados por pacientes que possuem autorização especial para importação concedida pelo próprio diretor da agência ou ainda sentença jurídica com a mesma finalidade.

O documento é assinado pelos professores Antonio Waldo Zuardi, José Alexandre de Souza Crippa, Jaime Eduado Cecílio Hallak e Francisco Silveira Guimarães, que há mais de 35 anos pesquisam os avanços do composto.

No texto, o grupo, baseado em trabalhos científicos, considera que “desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa, o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto. Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa.

Segundo os professores, “inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o suo agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros.”

O grupo defende ainda que pesquisadores já obtiveram o canabidiol desprovido de uma substância chamada Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC). Em maio deste ano, o THC foi citado pelo diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, que disse que a reclassificação do canabidiol não necessariamente facilitaria a importação dos medicamentos à base da substância, porque muitos desses remédios, segundo ele, contêm outros derivados da maconha que continuam banidos no Brasil, como o THC.

Na mesma época, o diretor-adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann, disse ao G1 que a reclassificação poderia acontecer muito em breve, porque já existiriam evidências científicas suficientes que comprovam a eficácia da droga e sua segurança para uso terapêutico.

Ainda segundo ele, a partir do momento que o canabidiol deixasse de ser proscrito, problemas de barreira alfandegária acabariam. No entanto, Klassmann disse que era preciso vencer a barreira do preconceito e estigma do uso da maconha medicinal.

Recentemente, a discussão sobre a reclassificação da substância ganhou repercussão com o caso da menina Anny, de 6 anos, portadora da síndrome CDKL5. A doença genética, que provoca deficiência neurológica grave e convulsões, tem como alternativa de tratamento um remédio à base do canabidiol. Segundo os pais dela, Katiele Fischer e Noberto Fisher, Anny chegou a ter 80 convulsões por semana.

Em abril deste ano, o juiz Bruno César Bandeira Apolinário da 3º Vara de Federal de Brasília, permitiu a importação do remédio à base da maconha pelos pais de Anny. De acordo com o casal, o medicamento reduziu as crises de convulsões e trouxe mais qualidade à vida da menina.

Leia a carta na íntegra:
Nosso grupo de pesquisa estuda o Canabidiol (CBD) há mais de 35 anos e durante esse período tem contribuído significativamente nos avanços observados com este composto e acompanhado atentamente a literatura científica disponível sobre o tema. Dessa forma, achamos ser nossa obrigação colaborarmos com alguns subsídios, no momento em que essa Agência discute a reclassificação do CBD, atualmente na lista de substâncias proscritas. Listamos abaixo algumas considerações:

1. O canabidiol (CBD) é um produto natural, que pode ser extraído da planta Cannabis sativa.

2. Algumas companhias farmacêuticas produzem extratos de cepas da planta ricas em CBD. Estas podem atingir altos níveis de pureza. Entretanto, como para todo extrato, não é possível alcançar 100% de pureza.

3. O Prof. Raphael Mechoulam, que identificou pela primeira vez a estrutura química do CBD descreveu um método de obtenção deste canabinóide na forma cristalina (Ref. 1). Como informado pelo Prof. Mechoulam, especificamente para esse documento, nessa forma cristalina seu laboratório tem obtido o CBD com um grau de pureza de 98,9 a 99,9 e desprovido de Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC-  Anexo 1).

4. Na forma cristalina o CBD pode ser obtido também por síntese e existe pelo menos um laboratório Europeu que fornece este composto para pesquisa em animais e humanos, com seu método de síntese aprovado pela Agência Americana Food and Drug Administration (FDA). Este CBD sintético não deriva da Cannabis, não contem outros canabinóides, incluindo o THC ou qualquer outro constituinte psicoativo (Anexo 2).

5. Desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa (Ref. 2, 3), o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto (Ref.4). Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa (Ref. 5).

6. Inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o uso agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos (Ref. 6).

7. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros (Ref.5).

Em face dessas considerações, estamos certos que não se justifica a permanência do CBD na lista de medicações proscritas. Assim, por uma questão de justiça e fidelidade aos novos conhecimentos fornecidos pela ciência defendemos que o CBD seja reclassificado. Destacamos aqui, que isto não se confunde com o registro desta substância para uso rotineiro, o que implica num processo diverso, que não está em discussão no momento.

Acreditamos que a reclassificação da substância está longe de ser inócua. Essa decisão irá facilitar a condução de pesquisas e mais amplos ensaios clínicos com o CBD, que podem confirmar seu potencial terapêutico, cumprindo exigências necessárias para o registro da substância como medicamento. Ao lado disso, esta medida irá facilitar o trâmite para a importação do CBD e a sua utilização no chamado uso compassivo (“disponibilização de medicamento novo promissor, para uso pessoal de paciente e não participante de programa de acesso expandido ou de pesquisa clínica, ainda sem registro na Anvisa, que esteja em processo de desenvolvimento clínico, destinado a pacientes portadores de doenças debilitantes graves e/ou que ameacem a vida, sem alternativa satisfatória com produtos registrados no país”- Ref. 7).

Desejando ter contribuído com essa Agência, despedimo-nos,

Atenciosamente
Prof. Dr. Antonio Waldo Zuardi
Prof. Dr. José Alexandre de Souza Crippa
Prof. Dr. Jaime Eduado Cecílio Hallak
Prof. Dr. Francisco Silveira Guimarães
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Fonte: Globo G1.

Também na Folha de S.Paulo:

Mal Parkinson e Alzheimer ainda são desconhecidas em Barra Mansa

16/07/2014 - Durante a 'Semana Municipal de Apoio aos Portadores de Parkinson e Alzheimer', que teve início na última segunda-feira em Barra Mansa, a prefeitura está realizando diversas palestras e atividades divulgando e informando as pessoas como lidar com pacientes das duas doenças neurológicas. De acordo com a gerente do Centro de Referência do Idoso, Ana Maria dos Santos, as doenças são silenciosas e pouco conhecidas até mesmo pela família e portadores.

- A aceitação da família ainda é muito difícil e por isso estamos realizando esse evento, para tentar explicar como ela age e o que acarreta - disse.

Ainda segundo Ana Maria, grande parte dos idosos recebem cuidados de pessoas mais velhas que acabam tendo que passar por tratamento junto ao paciente.

- Temos diversos casos no Centro onde o cuidador também é idoso e por isso ao trazer o paciente para cá acaba sendo atendido. Além disso, na maior parte dos casos o cuidador é um familiar que fica mais velho - apontou.

A psicóloga Maria de Fátima dos Santos disse que o desconhecimento causa um grande constrangimento, tanto para o idoso quanto para a família.

- O acompanhamento da família é fundamental, pois grande parte dos familiares não sabe que é uma doença e acham que se trata de "pirraça" do idoso. A família tem uma grande dificuldade em aceitar que se trata de uma doença até o diagnóstico. Mesmo com todas as provas ainda há muitas pessoas que não acham que se trata de uma doença - disse.

Além disso, as doenças também alteram o comportamento e o convívio familiar.

- Por exemplo, ter um idoso com Alzheimer na família altera não só a vida do idoso, mas muda toda a estrutura familiar que tem que contar com novas rotinas. O idoso com Alzheimer tem que ser acompanhado mais de perto por conta dos efeitos da doença - disse a fonoaudióloga Sarah Pires. Fonte: Diário do Vale.

Doenças neurodegenerativas: mecanismo patogénico descoberto

Segunda, 07 de Julho de 2014 | Uma equipa internacional de investigadores identificou o mecanismo patogénico que é comum a várias doenças neurodegenerativas, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.

As doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson ou demência frontotemporal, apresentam várias características comuns. Todas elas são caracterizadas pela presença no cérebro de níveis anormalmente elevados de depósitos proteicos insolúveis que estão associados à perda massiva de células nervosas.

De forma a minimizar a progressão dos danos nas células nervosas que se encontram na vizinhança dos depósitos proteicos, as células mortas e os agregados libertados são degradados por um tipo de células imunes, as microglia. Estas células atuam como que “inspetores sanitários” no cérebro, assegurando uma remoção rápida dos detritos celulares, que representa perigo para as células das redondezas.

Neste estudo, os investigadores identificaram agora mutações específicas num gene que codifica uma proteína denominada por TREM2, a qual regula a remoção dos detritos celulares. Esta proteína encontra-se presente na membrana plasmática das microglia, sendo responsável pelo reconhecimento de resíduos deixados pelas células mortas.

Na opinião dos investigadores, a mutação em causa faz com que a proteína seja degradada antes de ser expressa à superfície das microglia, o que conduz a uma diminuição da quantidade de detritos celulares removidos. Os depósitos proteicos, assim como as células mortas não são eficazmente removidos e continuam a acumular-se no cérebro. Este processo despoleta reações inflamatórias que podem promover a perda de mais células nervosas.

“Os nossos resultados podem apontar para formas de retardar a taxa de progressão destas doenças, mesmo após a manifestação de sinais evidentes de demência, o que até à data não é possível”, conclui o líder do estudo, Christian Haass. Fonte: Banco da Saúde.pt.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Parkinson e Alzheimer são temas de ações em Barra Mansa, RJ

Semana de apoio aos portadores das doenças segue até sexta-feira (19).
Atividades são realizadas no Centro de Referência do Idoso, diz assessoria.

15/07/2014 - A Semana de Apoio aos Portadores de Parkinson e Alzheimer segue até sexta-feira (19), em Barra Mansa, RJ. O evento é gratuito e acontece no Centro de Referência do Idoso, na Rua Abdo Felipe, nº 29,  bairro Ano Bom. As informações foram divulgadas em nota da assessoria de comunicação da prefeitura.

De acordo com o comunicado, a programação conta com palestras com profissionais da área e tem objetivo de divulgar e conscientizar a população de como lidar com os pacientes portadores das duas doenças neurológicas.

"Por serem doenças sem cura, os tratamentos buscam controlar os sintomas e proteger o paciente dos efeitos produzidos pela deterioração do cérebro. Além do tratamento medicamentoso, é muito importante o apoio dos familiares e dos cuidadores dos pacientes. Eles precisam entender as doenças e compreender as necessidades dos portadores", explica através da nota a coordenadora do Centro de Referência do Idoso, Ana Maria dos Santos.

Programação
Quarta-feira (16)
9h - Palestra “Aspectos emocionais no Alzheimer”, com a psicóloga Maria de Fátima Vilela

Quinta-feira (17)
9h - Palestra “Manejo das dificuldades motoras”, com o fisioterapeuta Marcos Guimarães
10h - Vídeo sobre Alzheimer e debate com a psicóloga Maria de Fátima Vilela

Sexta-feira (18)
10h - Palestras “Uma troca de experiências” ; “Alzheimer como lidar com o paciente agressivo” e “Parkinson como melhorar a qualidade de vida”, com o médico neurologista Elder Machado
Fonte: Globo G1.

Ginseng mostra promessa de prevenção no Parkinson

Suplemento mostra a prevenção na perda de neurônios em testes com animais

Jul 15, 2014 - A empresa Charlottetown está aguardando iniciar testes em humanos de um suplemento à base de ginseng que acredita poderia ajudar a impedir as pessoas a contrair a doença de Parkinson.

Van Kampen Jackalina, diretor de pesquisa pré-clínica da Neurodyn Incorporated, disse que três ensaios animais no produto NeuroPro assim mostram.

"Na doença de Parkinson há uma perda progressiva de neurônios em uma área muito discreta do cérebro, e neste modelo animal, evitamos cerca de 80 por cento da perda de neurônios", disse Van Kampen.

"Nos animais que foram tratados com o ginseng havia talvez 15 a 20 por cento de perda, e, tanto quanto o seu movimento, foi completamente revertido. De todos os déficits loco-motores, não havia nenhum."

O produto ainda tem um longo caminho para chegar ao mercado. Van Kampen espera que o ensaio clínico segunda fase leve dois anos para ser concluído.

A Neurodyn deverá recrutar pessoas de vários centros na América do Norte para que os ensaios sejam estatisticamente válidos. (original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: CBC News.

Essa invenção vai ajudar as pessoas com Parkinson a ter uma qualidade de vida muito melhor


15 de julho de 2014 - A LiftLabs, empresa responsável pelo invento acima, decidiu fazer alguma coisa pelas pessoas que sofrem com o mal de Parkinson. Como vocês sabem, essa é uma doença que faz as extremidades dos afetados tremerem, impossibilitando a precisão de movimentos e dificultando imensamente tarefas simples, como comer. Isso gera isolamento social para essas pessoas e uma queda gigantesca na auto-estima, mas pelo menos a tarefa de comer poderá voltar a ser executada assim que esse invento deles chegar às lojas. Não é sensacional? Fonte: Miscelanea. Mais vídeo => AQUI.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ao final, devemos optar pelos efeitos colaterais a que vamos nos submeter... Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Efeitos colaterais da Levodopa

Anorexia, náusea, vômitos e diarréia, casos isolados de disgeusia efeitos adversos gastrintestinais em estágios iniciais do tratamento, são em grande parte controláveis com a ingestão de levodopa + benserazida com alimentos ou líquidos, ou com aumento gradual da dose. Reações alérgicas cutâneas como prurido e rubor podem ocorrer raramente. Arritmias cardíacas ou hipotensão ortostática podem ocorrer ocasionalmente. Distúrbios ortostáticos, em geral, melhoram com redução da dose de levodopa + benserazida. Anemia hemolítica, leucopenia transitória e trombocitopenia têm sido relatadas em casos raros. Portanto, como em todo tratamento de longo prazo com levodopa, recomenda-se monitoração periódica hematológica e de função hepática e renal. Em estágios tardios do tratamento, podem ocorrer movimentos involuntários (coreiformes ou atetóides. Estes, em geral, podem ser eliminados ou tornar-se suportáveis com redução da dose. Com tratamento prolongado, podem ocorrer flutuações da resposta terapêutica, incluindo episódios de acinesia, deterioração de final da dose e efeito on-off. Estes podem ser controlados ou tornar-se suportáveis, com ajuste de dose e administração de doses individuais menores, mais freqüentemente. Posteriormente, pode-se tentar aumentar a dose novamente, para intensificar o efeito terapêutico. Agitação, ansiedade, insônia, alucinações, delírios e desorientação temporal podem ocorrer, particularmente em pacientes idosos e em pacientes com antecedentes psiquiátricos. Pode ocorrer depressão em pacientes tratados com levodopa + benserazida, mas esta também pode ser um efeito da doença de Parkinson. Aumentos transitórios de transaminases e fosfatase alcalina podem ocorrer. Elevação dos níveis sangüíneos de uréia pode ser observada com o uso de levodopa + benserazida. Pode ocorrer alteração da coloração urinária, passando, em geral, a avermelhada, e tornando-se mais escura, se guardada.


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Efeitos colaterais do pramipexole

Os eventos adversos relatados mais freqüentemente em comparação com placebo durante o uso de pramipexole foram: náuseas, constipação, sonolência, alucinações, confusão e tontura. No estágio inicial da doença, as reações adversas mais freqüentes foram sonolência e constipação e, no estágio avançado, em associação com tratamento com levodopa, foram discinesias e alucinações. Esses eventos adversos diminuíram com a continuação do tratamento, sendo que constipação, náuseas e discinesia tenderam até mesmo a desaparecer. A incidência de hipotensão em comparação com placebo em pacientes sob tratamento com pramipexole não aumentou. Contudo, em alguns pacientes, pode ocorrer hipotensão no início do tratamento, principalmente quando o aumento da dose de pramipexole é muito rápido. Relataram-se casos de insônia e edema periférico. Os pacientes tratados com pramipexole relataram a ocorrência de sono súbito durante a realização das atividades diárias, incluindo operação de veículos automotores, algumas vezes ocasionando acidentes. Principalmente em pacientes tomando doses acima de 1,5 mg/dia de dicloridrato monoidratado de pramipexol, há alguns relatos de episódios de sono sem sinais de advertência, como sonolência, a qual de acordo com o conhecimento atual sobre a fisiologia do sono, sempre o precede. Não se evidenciou uma relação com a duração do tratamento. Alguns pacientes estavam recebendo outros medicamentos com propriedades potencialmente sedativas. Na maioria dos casos dos quais se obtiveram informações, os episódios não se repetiram após a redução da dose ou a interrupção do tratamento. Compulsões (jogos de azar, sexo, compras, etc...).

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Efeitos colaterais da Maconha

A psicoatividade que gera alucinações em alguns indivíduos é um dos efeitos colaterais do uso da Maconha, outros cientificamente comprovados são: Aumento do risco de esquizofrenia; Sintomas psicóticos crônicos; Insônia; Síndrome de abstinência; Transtorno de personalidade; Delírio; Hipnótico; Diminuição da memória; Dificuldade na aprendizagem; Ansiedade; Depressão; Confusão mental; Insônia; Irritabilidade.

Todos estes efeitos colaterais surgem quando a planta é utilizada indevidamente, sem orientação médica e em quantidades superiores às necessidades do paciente.

O uso da maconha como fim medicinal é polêmico e não é autorizado no Brasil, por falta de pesquisas científicas que apontem a necessidade do uso específico desta planta para fins terapêuticos, visto que existem diversos outros medicamentos que podem ser utilizados para alcançar os mesmos objetivos.

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Efeitos colaterais da Ayahuasca

As variações dos graus de náuseas, vômitos e, ocasionalmente, simultâneas diarréias não são incomuns e estão, geralmente, relacionados às experiências alucinogênicas. Estes efeitos variam de acordo com a pré-disposição fisiológica do indivíduo, dosagem e a composição de alcaloides no chá. É comum observar que muitos efeitos colaterais como náuseas ou sonolências, tendem a diminuir mesmo que se continue com a administração. Supõe-se que algum tipo de adaptação fisiológica esteja ocorrendo, embora ainda muito pouco seja conhecido sobre os mecanismos envolvidos. Ocorre falsa impressão de sensação de frio intenso, um estado transitório de tremor, mesmo estando a temperatura ambiente de 27ºC. Em psiquiatria essa sensação é comumente chamado "tremor de cão molhado". Entretanto, a tolerância física dos indesejáveis efeitos pode ser desenvolvida com o uso regular do chá, provavelmente, pelo aumento periódico dos níveis de neurotransmissores em nosso corpo, especialmente a serotonina. Há especulações que sugerem a não dependência física nem psicológica dessa bebiba.

Evidências farmacológicas sugerem que a causa do ato de vomitar tanto quanto a intensa diarréia pelo aumento da motilidade intestinal, nada mais seria que o resultado da inibição temporária da atividade metabólica da MAO-A pelos alcaloides β-carbolinas. Estudos indicam que os neurônios dopaminérgicos são os que possuem papel determinante na produção de náuseas e vômitos. O chá promoveria uma elevação dos níveis desses dois neurotransmissores não metabolizados por esta enzima, acarretando os desagradáveis efeitos já citados. Portanto, certas substâncias endógenas ou não-endógenas, por terem as estruturas moleculares semelhantes a esses neurotransmissores, ao serem absorvidas por nosso corpo acabariam se ligando no lugar desses neurotransmissores, nos respectivos neuroreceptores. Assim, quase todos os agonistas do receptor dopaminérgico bem como outras drogas que aumentam a liberação de dopamina no cérebro causam náuseas e vômitos como efeitos colaterais iniciais.

Como combater a doença de Parkinson?

14/07/2014 - (...)

Como tratar a doença de Parkinson?
O paciente diagnosticado com Parkinson recebe prescrição médica, além de acompanhamento psicoterápico, em alguns casos até cirúrgico.

Os medicamentos visam diminuição progressiva de dopamina, o neurotransmissor responsável pela conexão de sinais na cadeia de circuitos nervosos.

Como alguns pacientes tendem a se deprimir, além da perda de memória e em alguns casos, o aparecimento de demências, o tratamento psicoterápico ocorre com a prescrição de medicamentos antidepressivos.

Recomendações gerais
Manter atividade intelectual ajuda a controlar o quadro. Ler livros, jogar xadrez e montar quebra-cabeças trazem benefícios.

Atividades físicas regulares e alongamento, auxiliam a preservar a qualidade dos movimentos. Fonte: EMS Genéricos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Criatividade nas artes aumenta em pacientes de Parkinson que usam certas terapias

July 14, 2014 - Um novo estudo da TAU (Tel Aviv University), “o pensamento criativo avançado sob terapêutica dopaminérgica na doença de Parkinson”, publicado on-line na edição de junho/2014 da revista Annals of Neurology confirma que a energia criativa em doentes de Parkinson é maior do que em indivíduos saudáveis​​. Mas quantas galerias de arte ou museus e exposições estão realmente mostrando as obras criativas daqueles que se tornaram mais criativos depois de desenvolver a doença de Parkinson?

E quantas editoras estão publicando as obras de literatura, música ou outras artes de pessoas com a doença? Pode haver uma diferença entre a inclinação artística, por exemplo, como um hobby, e produzindo arte para exposições ou vendas. O que você realmente vê em brechós são as pinturas e artesanato, escultura, cerâmica, ou objetos de malha e várias artes e ofícios feitos por pessoas mais velhas, algumas com a doença de Parkinson, onde o trabalho criativo acaba não em galerias, mas em brechós e várias lojas de segunda mão.

Vinculando a doença de Parkinson e inclinação artística

Os não doentes de Parkinson que tomam certos tipos de medicamentos para aumentar a dopamina no seu cérebro de repente tomam um interesse na criação de projectos artísticos? A Universidade de Tel Aviv realiza o primeiro estudo empírico para verificar a ligação entre a doença de Parkinson e inclinação artística. O estudo demonstra que os doentes de Parkinson são mais criativos do que seus pares saudáveis​​, e que aqueles pacientes que tomam altas doses de medicação são mais artísticos do que suas contrapartes menos medicadas.

A Professora Rivka Inzelberg da Universidade de Tel Aviv, Faculdade de Medicina Sackler e do Centro de Neurociências Sagol no Sheba Medical Center, em Tel Hashomer, documentou a criatividade excepcional de doentes de Parkinson há dois anos em um comentário para a revista Behavioral Neuroscience. Desde então, ela realizou o primeiro estudo empírico para verificar a ligação entre a doença de Parkinson e inclinação artística.

Esse estudo empírico, agora publicado online na revista Annals of Neurology, definitivamente demonstra que os doentes de Parkinson são mais criativos do que seus pares saudáveis​​, e que aqueles pacientes que tomam altas doses de medicação são mais artístico do que suas contrapartes menos medicadas

“Tudo começou com a minha observação de que os pacientes de Parkinson têm um interesse especial na arte e têm passatempos criativos incompatíveis com suas limitações físicas”, disse o professor Inzelberg, em 14 julho/2014 à imprensa, Provado: Parkinson aumenta a criatividade. "No meu último artigo, revisaram estudos de caso de todo o mundo e descobriu-se que eles são consistentes. Em minha pesquisa atual, realizamos o primeiro estudo abrangente para medir o pensamento criativo dos pacientes de Parkinson. Esta não era uma tarefa simples, pois como medir, ou quantificar, criatividade? Tivemos de pensar criativamente nós mesmos. "

Medir a criatividade artística

Profa Inzelberg e uma equipe de pesquisadores da TAU, o Centro Médico Sheba, e da Universidade de Bar-Ilan realizou uma bateria completa de testes em 27 pacientes de Parkinson tratados com medicamentos anti-Parkinson e 27 controles saudáveis ​​pareados por educação. Alguns dos testes são bem conhecidos e outros recentemente adaptados para a finalidade do estudo. Os testes incluíram o exame de Fluência Verbal, em que uma pessoa é convidada a falar tantas palavras diferentes que começam com uma determinada letra e, em uma determinada categoria (frutas, por exemplo) quanto possível.

Os participantes foram então convidados a submeter a um teste mais desafiador de associação remota, em que eles tinham que nomear uma quarta palavra (após três palavras dadas) dentro de um contexto fixo. Os grupos também aproveitou a Tel Aviv University no Teste de Criatividade, que testou a sua interpretação de imagens abstratas e avaliou a imaginação inerente e respostas a perguntas como “O que você pode fazer com sandálias?” O exame final é uma versão do teste para um novo modelo, adaptado especificamente para o estudo.

Durante todo o teste, os pacientes de Parkinson ofereceram respostas mais originais e interpretações mais pensativas do que suas contrapartes saudáveis

Para descartar a possibilidade de que o processo criativo evidente nos passatempos dos pacientes estava ligada a compulsões obsessivas, como jogos de azar e açambarcamento, a que muitos dos pacientes de Parkinson são vítimas, os participantes também foram convidados a preencher um extenso questionário. Uma análise não indicou nenhuma correlação entre o comportamento compulsivo e criatividade elevada.

Expresse-se

As conclusões da segunda rodada de testes – em que os participantes de Parkinson foram divididos em grupos com maior e menor quantidade de medicamentos – também demonstrou uma clara ligação entre a medicação e criatividade. Pacientes de Parkinson sofrem de falta de dopamina, que está associada com a falta de coordenação e tremores. Como tal, eles são normalmente tratados tanto com precursores sintéticos de dopamina ou agonistas do receptor de dopamina.

Segundo o professor Inzelberg, os resultados não são surpreendentes, porque a dopamina e arte são ligados. “Nós sabemos que Van Gogh teve passagens psicóticas, em que altos níveis de dopamina são secretados no cérebro, e ele foi capaz de pintar obras-primas durante esses períodos – por isso sabemos que existe uma forte relação entre a criatividade e a dopamina”, disse o professor Inzelberg, de acordo com o comunicado de imprensa.

A Professora Inzelberg espera que sua pesquisa seja fundamental para difundir o conhecimento.

Os pacientes de Parkinson muitas vezes se sentem isolados por suas limitações físicas, por isso o trabalho artístico poderia fornecer uma expressiva tomada de boas-vindas. “Depois do meu primeiro trabalho, eu ajudei a organizar exposições de pinturas dos doentes em Herzliya e Raanana e recebi feedback sobre exposições semelhantes no Canadá e na França”, disse a Profa Inzelberg. "Essas exposições foram úteis na angariação de fundos para a pesquisa de Parkinson, proporcionando terapia ocupacional para os pacientes. E, mais importante, oferecendo uma oportunidade para que os pacientes se expressem inteiramente"

O pensamento criativo requer uma combinação de originalidade, flexibilidade e utilidade. Vários relatos são descritos com maior criatividade artística na doença de Parkinson (DP) dos pacientes tratados com agentes dopaminérgicos.

Os pesquisadores, de acordo com resumo do estudo, teveram como objetivo analisar a capacidade dos doentes de Parkinson para executar tarefas de criatividade em comparação com controles saudáveis ​​e verificar se a criatividade está relacionada a um transtorno do controle dos impulsos (CID) como uma complicação da terapêutica dopaminérgica.

Pacientes com doença de Parkinson tratados com medicamentos dopaminérgicos demonstraram maior criatividade verbal e visual, em comparação com controles neurologicamente saudáveis​​, diz a sinopse do estudo. Este recurso não estava relacionado ao impulso transtorno de controle (CID). Os agentes dopaminérgicos podem agir através da redução da inibição latente, resultando em ampliação da rede associativa e enriquecendo o pensamento divergente.

A Professora Inzelberg está atualmente pesquisando outras formas de criatividade em pacientes de Parkinson. Você também pode querer verificar o site, American Friends of Tel Aviv University(original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: Examiner, com links.

Margaretta D'Arcy volta à prisão

Publicado em 13/07/2014 - Áudio em irlandês, com legendas habilitáveis em português. Margaretta D'Arcy (pk, 80) de volta à cadeia, prisão, acusada de terrorismo e participante do movimento anti-guerra da Irlanda, em Shannon, Irlanda.

"Margaretta Ruth D'Arcy (nascida em 1934), é uma atriz irlandesa, escritora, dramaturga e pacifista. Margaretta é membro da Aosdána desde a sua inauguração e é conhecida por abordar o nacionalismo irlandês, as liberdades civis e os direitos das mulheres em sua obra "http://en.wikipedia.org/wiki/Margaretta_D'Arcy"

P'rá quem não sabe, a velhinha cabra da peste, é minha ídola!

domingo, 13 de julho de 2014

PESQUISAS EM HUMANOS

PESQUISAS EM HUMANOS

EM BUSCA DE ALÍVIO com tratamentos inovadores, pacientes participam como voluntários em
centenas de experimentos médicos desenvolvidos por instituições de referência no RS

 Bastões nórdicos contra o Parkinson
Na primeira vez que pisou na pista atlética, o paciente da doença de Parkinson João Kern, 58 anos, conseguiu caminhar 400 longos metros, em passo trôpego, com as hesitações e o cansaço que o mal impõe.

Na última sexta-feira, três meses depois de exercícios regulares, percorreu quatro vezes a mesma distância, e ainda sobrou fôlego. Para ele, uma façanha.

Kern e outros 28 voluntários estão recuperando parte da mobilidade, da resistência e do equilíbrio graças ao projeto “caminhada nórdica”, lançado em novembro pela Escola de Educação Física (Esef), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com o apoio de dois bastões – método europeu de quem aprecia andar por lugares com neve –, ganharam confiança para se locomover.

– Retomei os movimentos nos braços e no corpo – comemora Kern, servidor do Poder Judiciário.

A caminhada nórdica foi criada pela professora da Esef Elren Passos, aluna de mestrado na área das ciências do movimento humano. Ela deduziu que a prática auxiliaria na reabilitação dos pacientes, porque a doença de Parkinson afeta a coordenação motora e, por consequência, a locomoção.

– O uso de bastões é comum na Europa, proporciona um exercício específico – destaca Elren.

Funcionando como bengalas, os bastões proporcionam equilíbrio e ânimo para avançar na caminhada. Os resultados já aparecem: quem andava a 0,5 km/h hoje vai a 2,5 km/h. Também aumentou a mobilidade funcional, em atividades como levantar da cadeira e girar o corpo.

Voluntários confirmam a evolução. Há 12 anos com a doença de Parkinson, Flávio Cauduro, 69 anos, pôde caminhar apenas 150 metros na sua estreia, em maio, demorando 15 minutos para cumprir o trajeto. Atualmente, leva nove minutos para dar a volta de 400 metros na pista.

– Para mim é uma vitória. Já que não posso me livrar da doença, consigo estabilizá-la com os efeitos da caminhada. Também diminui o número de quedas – conta Flávio, ex-professor universitário.

AÇÃO FOI MANTIDA A PEDIDO DE PACIENTES

Os participantes temiam que o programa não fosse renovado. Marcus Anflor, 55 anos, e outros chegaram a enviar um documento à Esef pedindo a continuidade.

– Nossas vidas mudaram positivamente – diz Marcus, consultor de empresas.

Heriberto Roos Maciel, 51 anos, promotor de Justiça e professor universitário, espera permanecer na pesquisa. Lamenta que foi “sorteado” pelo Parkinson há 10 anos e precisa se fortalecer.

Os receios sobre o projeto terminaram neste sábado. Na festa de formatura, o coordenador da pesquisa pela Esef, Leonardo Tartaruga, trouxe o presente mais esperado: a caminhada nórdica será ampliada e mais voluntários serão convidados. A conclusão é de que contribuiu para melhorar a aptidão física e a função cognitiva (falar, operar o computador, comunicar-se pelo Skype e outras tarefas antes limitadas).

– Alguns nem conseguiam caminhar de forma independente por falta de equilíbrio – lembra Leonardo.
ESPERANÇA NA CIÊNCIA

Ela não conseguia sequer varrer o chão da cozinha, perdia o fôlego e tonteava com as vertigens de desmaios. Não se animava a subir os 15 degraus da escada da casa onde mora, no bairro Cascata, na zona sul de Porto Alegre, porque temia desfalecer. Ficava sem ar até mesmo ao telefone, caso o interlocutor prolongasse a conversa. Eram os efeitos da hipertensão pulmonar, que suga as forças de quem é acometido pela doença.

Essa mulher que estava sempre extenuada recuperou parte do vigor ao entrar numa pesquisa desenvolvida pelo Complexo Hospitalar Santa Casa, na Capital. Faz parte do grupo de pacientes voluntários, os quais se submetem a tratamentos inovadores, por vezes usando medicamentos ainda não autorizados no Brasil – embora de eficácia comprovada em outros países.

Escassos até a década de 1990, os projetos clínicos com pessoas se multiplicaram – já são quase 500 no Estado nas várias especialidades da Medicina. Executados em parceria com a indústria farmacêutica, são considerados imprescindíveis para descobrir medicamentos e curar doenças raras.

– Eles trazem retorno à sociedade – destaca Eduardo Pandolfi Passos, professor, médico e entusiasta dos testes.

Voluntários como a paciente de hipertensão pulmonar atestam o êxito das experiências. Aos 39 anos, técnica em laboratório licenciada do trabalho, ela não pode ser identificada por razões éticas (usa medicamento não liberado no país, o que torna obrigatório o sigilo). A paciente conta que ingressou na pesquisa clínica em 2010, depois de perambular por consultórios sem obter respostas.

– Agora estou feliz, antes não tinha esperança – diz ela, enquanto afaga a gata de nome Menina.

EXPERIÊNCIA TEM PADRÃO MUNDIAL

Não se achava explicação para o cansaço sem fim. Os diagnósticos variavam de asma a sopro no coração. A técnica de laboratório se empanturrou de remédios, nada adiantava. Até que uma médica da Santa Casa a convidou para testar um novo medicamento (o nome também não pode ser publicado, para não quebrar o pacto de segredo com o laboratório fornecedor).

– Vivia cansada, com dificuldades para respirar – conta a paciente.

A coordenadora da pesquisa sobre hipertensão pulmonar na Santa Casa, Gisela Meyer, diz que experiência similar ocorre nos Estados Unidos e na Europa. São programas multicêntricos, isto é, envolvem empresas farmacêuticas de ponta, que lançam drogas.

– Somos referências pelo número de participantes – ressalta.

Até 20 anos atrás, a hipertensão pulmonar era fatal. Não havia medicamento para aliviar a elevação da pressão sanguínea nas artérias que transportam o sangue do coração para os pulmões. O paciente ficava em casa recebendo oxigênio, diurético e anticoagulante, com sobrevida média de três anos. A única salvação era o transplante.

– Estamos descobrindo novas formas de tratamento – diz Gisela.
Benefícios são de mão dupla 

A medicina avança por meio das investigações com pacientes voluntários, que estão no front de recentes descobertas. Elas possibilitam o lançamento de novas drogas. Criam uma rotina de atendimento aos doentes nos hospitais. Permitem a troca de experiências entre médicos de diferentes países. Ajudam a buscar a cura para males tão nocivos como insolúveis.

O número de experimentos médicos aumenta a cada ano no Estado. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) mantém 195 programas – 15 a mais do que em 2012. O coordenador do Grupo de Pesquisa e Pós-graduação, Eduardo Pandolfi Passos, diz que o HCPA oferece dois prédios exclusivos para voluntários.

– Os maiores benefícios são gerar conhecimento e transferir tecnologia – destaca Passos.

Quem é atendido no HCPA – ou em outros hospitais – não será alvo automático de testes. Só poderá entrar em algum se for selecionado mediante encaminhamento do médico, e se aceitar os termos do tratamento. Há regras a cumprir, estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O HCPA é acreditado internacionalmente pelos programas médicos com voluntários. Apresenta-se como o primeiro hospital universitário do país a instalar o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), em 1997, condição para fazer ensaios clínicos com novos remédios.

Outras instituições também progridem. O Hospital Mãe de Deus (HMD) formulou 86 protocolos (padrões de atendimento médico) desde 2002, somente com pesquisas do coração. O gestor do Instituto de Medicina Vascular do HMD, Euler Roberto Manenti, afirma que novos hipertensivos e anticoagulantes foram aprovados em função dos projetos clínicos.

– É a única maneira de o conhecimento avançar na Medicina. Nenhum tratamento será recomendado se não tiver o ensaio clínico com pessoas – informa Manenti.

DROGAS PARA DIABETES E CÂNCER

Voluntários não devem ser chamados de cobaias, porque optaram e podem desistir a qualquer momento. Um dos mais entusiasmados é João Batista Ribeiro de Vargas, 56 anos, que trabalha como segurança. Cardíaco e diabético, pesava 130 quilos e sofria ataques repentinos.

Em janeiro de 2013, Vargas aderiu ao projeto do HMD. Persistiu na medicação e mudou a alimentação – ingeria três litros de refrigerante por dia e devorava hambúrgueres de dois andares, estufados de bacon, ovo frito e linguiça calabresa.

– Baixei o peso para 95 quilos e passei a caminhar – diz João, agora devoto das saladas verdes.

Pai de dois filhos e avô de uma menina de quatro anos, João tem mantido colesterol e diabetes sob controle. O programa tem duração de cinco anos, mas ele gostaria que fosse prolongado.

Outro paciente satisfeito é um empresário de 48 anos, da Capital, cujo nome não pode ser divulgado por usar medicamento em teste. Ao ingerir a droga, no HCPA, abrandou os efeitos da quimioterapia para tratamento de um linfoma folicular (cancro no pescoço).

O voluntário sente que o remédio – um genérico a ser liberado – é menos agressivo. Não provocou queda de cabelo nem maiores desconfortos. Também parece ser mais eficaz. No começo, ele recebia uma dose a cada 21 dias. Agora, uma infusão a cada três meses.

– Quando me convidaram, não tive a mínima dúvida – conta ele.

NILSON MARIANO | NILSON.MARIANO@ZEROHORA.COM.BR
PARA FAZER PARTE
Como se dá o processo de pesquisas com humanos
-Os ensaios com participação de voluntários são reguladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
-O paciente é indicado pelo seu médico, se ele entender necessário o tratamento diferenciado
-Hospitais precisam ter o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e equipes habilitadas
- Voluntários recebem medicação e, em alguns casos, ajuda para o transporte e lanche
MEDICINA GAÚCHA
Confira experimentos desenvolvidos por hospitais de referência no Rio Grande do Sul
HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA)
-195 projetos em andamento
-3.618 pacientes voluntários, que receberam em torno de 10 mil consultas
-A maioria dos projetos está nas áreas de oncologia, hematologia, reumatologia, cardiologia e genética
COMPLEXO HOSPITALAR SANTA CASA
-102 projetos em andamento
-O maior número está nas áreas de oncologia (39), cardiologia (18), nefrologia (12), pneumologia (nove) e obstetrícia (sete)
-Também há pesquisas em dermatologia, endocrinologia, hematologia, infectologia, neurologia, transplante, traumatologia e urologia
INSTITUTO DE CARDIOLOGIA FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE CARDIOLOGIA
-Em torno de cem projetos em andamento
-Os principais envolvem o consumo da carne vermelha (se faz bem ou mal), efeitos do chimarrão ao coração (flavonoides da erva-mate),
 células-tronco e hipertensão
HOSPITAL MÃE DE DEUS (HMD)
-50 projetos, envolvendo 464 pacientes voluntários
-Mantém três núcleos de pesquisas clínicas: Instituto do Câncer, Instituto de Medicina Vascular e Centro de Pesquisas em Pneumologia e Infectologia
Fonte: Zero Hora.