Mostrando postagens com marcador Paulo Niemeyer Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Niemeyer Filho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Esperança de uma vida digna para portadores do Mal de Parkinson

Instituto Estadual do Cérebro realiza cirurgias que anulam sintomas da doença, como tremores e rigidez

01/09/2013 - Rio - Foi ampliado o acesso à qualidade de vida para os portadores do Mal de Parkinson. Somente este mês, seis moradores do Rio de Janeiro ficaram livres de temores e outros sintomas típicos da doença. A boa notícia é que tudo foi feito gratuitamente, no recém-inaugurado Instituto do Cérebro Paulo Niemeyer, no Centro, primeiro hospital da rede estadual de Saúde a fazer as cirurgias que corrigem o problema.

Conhecido por estereotaxia, o procedimento tem um aspecto curioso: o paciente permanece acordado e ‘participa’ da operação, respondendo a perguntas dos médicos. Ao tocar determinada área do cérebro, os profissionais verificam se a ação reduz os sintomas da doença neurológica ou se traz danos como dormências e distúrbios visuais. Já para ter certeza de que a intervenção não vai alterar voz e movimentos, o paciente conta de um a cem diversas vezes, com braços ou pernas levantados.


O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, diretor da unidade, explicou que o paciente precisa ficar acordado durante a cirurgia, para poder conversar com médicos
Foto: André Mourão / Agência O Dia
“Se o paciente relatar dormências, contraturas, distúrbios visuais, é porque não está sendo estimulado o local correto do cérebro. Por isso precisamos dele acordado. A anestesia é local”, explica o diretor do Instituto, Paulo Niemeyer Filho. De acordo com o neurocirurgião, a operação não cura o Parkinson, mas resolve os sintomas. A cirurgia foi feita, pela primeira vez na América Latina, na década de 1950, pelo pai do diretor do instituto.O procedimento é indicado aos casos em que tremor e rigidez não são resolvidos com medicamentos ou quando o próprio remédio traz efeitos colaterais, como movimentos involuntários.

MEDICAMENTO MANTIDO

Ele alerta que o doente não deve procurar a cirurgia antes do tratamento com remédio. E depois da operação o medicamento é mantido. “O tremor leva o paciente a sofrer preconceito e a não querer sair de casa. Já a rigidez causa dor e faz com que ele tenha dificuldade de andar e se vestir. A operação devolve a qualidade de vida”, disse, acrescentando que os resultados são melhores em pessoas com menos de 75 anos. Clique na imagem abaixo para ampliar o infográfico:
Funcionamento da cirurgia - O Dia
O Mal de Parkinson é causado pela não produção do neurotransmissor chamado dopamina no cérebro. A falta da substância no organismo causa desequilíbrio responsável pelos sintomas da doença. Ao ‘lesionar’ outro neurotransmissor cerebral durante a cirurgia, o equilíbrio é recuperado. O acesso à unidade inaugurada em julho é pela Central de Regulação da Secretaria estadual de Saúde. O paciente precisa ser encaminhado por unidade municipal. Fonte: O Dia.

domingo, 29 de abril de 2012

Bambambãs da medicina dão injeção de excelência em hospitais públicos

28/04/12 - RIO - Movidos pelo amor à medicina e interessados em exercer a cidadania, profissionais reconhecidos nacional e internacionalmente estão dividindo seu tempo entre consultórios e hospitais particulares, onde sempre atuaram, e a rede pública de saúde. Considerados pela Secretaria estadual de Saúde como a tropa de elite da rede pública e apelidados de bambambãs nas unidades em que trabalham, o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, o cirurgião bariátrico Cid Pitombo, o cirurgião plástico Bruno Costa e o microcirurgião João Recalde oferecem atendimento de qualidade a pacientes carentes e contribuem também para a melhoria dos hospitais públicos. Eles exigem tecnologia de ponta e infraestrutura para desenvolver seus trabalhos nos polos de excelência que o governo estadual está criando.

Um dos melhores neurocirurgiões do país, Paulo Niemeyer Filho, de 60 anos, já atuou na filantropia quando assumiu o Instituto de Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia. Agora, está prestes a assumir uma nova empreitada: o Hospital do Cérebro Paulo Niemeyer, cujo nome é uma homenagem ao pai dele, outro médico renomado. Previsto para entrar em funcionamento no segundo semestre, a unidade fica na Rua do Resende, no Centro, no local do antigo Instituto de Traumato-Ortopedia (Into).

— Todo médico tem o desejo e deveria participar do aspecto social e de ensino. O Rio tem carência de hospitais eletivos. Locais para fazer cirurgias de mal de Parkinson e tumores de cabeça — explicou o neurocirurgião. (segue...) Fonte: Extra Globo G1.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Jô entrevista o neurocirurgião Paulo Niemeyer

12 mar 2012 - Ele vai falar sobre a importância do check-up cerebral, AVC, aneurismas e as novidades sobre as cirurgias de neuromodulação, procedimento para quem tem Parkinson. Assista ao vídeo aqui (14 min).

sábado, 19 de novembro de 2011

DOUTOR CEREBRAL

Doutor cerebral

"Recuperação surpreendente de
Herbert Vianna faz o neurocirurgião
Paulo Niemeyer Filho sair da sombra do pai"

Reportagem de Sofia Cerqueira na Veja Rio on-line da semana passada (5 a 11 de nov).
http://veja.abril.com.br/vejarj/071101/capa.html

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Distonia / Mulher supera doença incurável com a ajuda de um controle remoto

Por conta de uma doença incurável, ela passou os últimos quatro anos em uma cadeira de rodas.

30/10/2011 / Conheça a história emocionante de uma mulher que renasceu aos 62 anos. Por causa de uma doença grave e incurável, ela passou os últimos quatro anos em uma cadeira de rodas. Mas agora, graças à ciência e a um controle remoto, ela voltou a andar.

“Eu estava vivendo como se estivesse em um cubículo escuro, trancafiada e sem nenhum contato com o mundo exterior”, conta a aposentada Nazaré Albino.

Aprisionada no próprio corpo, Nazaré só via o mundo que passava pelas janelas de casa. Aos 50 anos, foi diagnosticada com uma doença cerebral chamada de distonia. “Uma doença degenerativa, sem cura e que não tinha tratamento”, diz a aposentada.

A médica não escondeu o futuro que a esperava. “Ela me disse que eu não ia mais andar dali a um tempo e que a tendência é a pessoa ir se contorcendo toda, porque essa doença é distonia muscular deformante. Então, ela deforma o corpo”, explica Nazaré. (...)

No fundo do poço, Nazaré pensou em morrer. Na certeza de que não tinha nada a perder, procurou o cirurgião Paulo Niemeyer Filho. Ele ofereceu uma cirurgia já usada para conter tremores do Mal de Parkinson. Nos casos de distonia que começam na adolescência, as chances de recuperação são de 50%. (...)

Um vídeo de um paciente que tem Mal de Parkinson e fez o mesmo implante de Nazaré mostra o que acontece quando o marca-passo é desativado. “É imediato”, surpreende-se Nazaré ao ver os tremores do homem voltarem assim que ele desliga o botão. “Esconde seu aparelhinho”, brinca o médico Paulo Niemeyer Filho.

Algumas pessoas desligam para economizar a bateria do gerador. Tem um tempo de duração e, depois, você precisa operar novamente para trocar. Mas eu vou gastar a bateria toda. Não quero perder nem um minuto”, afirma Nazaré. (com vídeo) Fonte: Fantastico Globo.
Já temos a bateria recarregável! Para trocar não precisa mais operar, é só recarregar na tomada, via rádio-freqüência!

sábado, 21 de maio de 2011

O NEUROCIRURGIÃO PAULO NIEMEYER FILHO CONTA OS AVANÇOS NOS TRATAMENTOS DE DOENÇAS COMO O MAL DE PARKINSON E COMO EVITAR ANEURISMA E PERDA DE MEMÓRIA.

E projeta, ainda, o futuro próximo, quando boa parte do sistema neurológico estará sob controle do homem.
Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea, no Rio de Janeiro, é uma emoção. A começar pela vista deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim.
Cada uma dessas flores foi presente de um paciente do médico, que sua mulher, Isabel, replantou na parte externa da casa.
Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica sua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser contada em flores. E são muitas.
Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro da microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda adolescente.
Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres.
De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina. Ao todo, sua formação levou 20 anos de empenho absoluto.
Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Janeiro e da Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia na PUC-Rio.

  • Revista PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o influenciou? 
  • PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.

  • PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um complicador para um neurocirurgião? Ela não tira a destreza das mãos, numa área em que isso é crucial? 
  • PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual. Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade do resultado. Você tem de ser um estrategista.

  • PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de marcapasso do cérebro? 
  • PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que popularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos de estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e são colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento de alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson. Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára. Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças. Daqui a um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral.Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.

  • PODER: O que se conhece do cérebro humano? 
  • PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o cérebro vem sendo desvendado. Ainda há muito o que descobrir, mas com essas técnicas de estimulação você vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas. O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo. Por que um clone jamais será igual ao original? Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende muito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai desvendar totalmente. 

  • PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com remédios. Qual é sua opinião? 
  • PN: Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais: você opera e o doente fica bem. Há casos de depressão que são causados por deficiência química: você repõe a química que está faltando e a pessoa fica bem. Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam trancados num quarto escuro e quando faziam a cirurgia se livravam da depressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente psíquicos,emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio. 

  • PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco? 
  • PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente tem um déficit motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz o movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle, ainda.

  • PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor? 
  • PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

  • PODER: Cabeça tem a ver com alma? 
  • PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. 

  • PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas? 
  • PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up. 

  • PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha? 
  • PN: Não,eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor. 
  • PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro? 
  • PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa. 

  • PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia? 
  • PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça. 

  • PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer? 
  • PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é? 

  • PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida? 
  • PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem. Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates. 

  • PODER: Você acredita que na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa? 
  • PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema: todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do romantismo e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos. Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto. 

  • PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas? 
  • PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando. 

  • PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer? 
  • PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor. De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É muito difícil, a gente tem de respeitar muito. 

  • PODER: Como é o seu dia a dia? 
  • PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório. Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente. O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos) 

  • PODER: Você é workaholic? 
  • PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo. Quando viajo, fico entediado. Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado. 

  • PODER: Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente? 
  • PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender. Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo. 

  • PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes? 
  • PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico. O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida. 

  • PODER: Você acredita em Deus? 
  • PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz: "Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós. 

  • PODER: Como você relaxa? 
  • PN: Estudando. A coisa que mais gosto de fazer é ler. Sábado e domingo, depois do almoço, gosto de sentar e ler, ficar sozinho em silêncio absoluto. 

  • PODER: E o que gosta de ler? 
  • PN: Sobre medicina ou história. Agora estou lendo um livro antigo, chamado Bandeirantes e Pioneiros, do Vianna Moog, no qual ele compara a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute por que os Estados Unidos, com 100 anos a menos que o Brasil, tiveram um enriquecimento e um progresso tão rápidos. Por que um país se desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.
________________________________________________________________________
 Fonte: Revista Poder. Obs.: Informação e arquivo fornecidos através de email por leitor do blog. Não há informação de data e/ou edição da citada revista. Presumo tratar-se de entrevista verídica.

terça-feira, 23 de março de 2010

‘Medicina não é para ganhar dinheiro’
22.03.10 - Em qualquer emergência no Rio, não há quem não procure Paulo Niemeyer Filho na Clínica São Vicente. Por isso mesmo, os rumores de que ele teria tido um convite bilionário para medicar no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, está deixando os cariocas à beira de um ataque de nervos.

O neurocirurgião, que acabara de chegar de uma visita a Fábio Barreto – o cineasta, ainda em coma, recebe alta essa semana – jura que não pretende deixar o Rio. “Recebi, sim, o convite, mas vou esperar o Albert Einstein vir para cá.” contou à coluna em seu consultório. O hospital pretende instalar uma unidade na Cidade Maravilhosa com ajuda de Eike Batista.

Filho de lagartixa, jacaré não é. Paulinho é filho do também neurocirurgião Paulo Niemeyer. Foi o DNA que determinou sua profissão? “Sempre tive grande admiração por meu pai e o desejo de ser como ele me levou para o mesmo caminho.” Do que um sujeito precisa para fazer Medicina? De gostar dela, gostar de ler, de estudar e estar disposto a trabalhar muito. Mas adverte: Medicina não é profissão para se ganhar dinheiro. É para quem quer se realizar, sentir-se útil e dormir em paz. “Levam-se 20 anos para ser neurocirurgião. São seis de faculdade, cinco de residência e mais uns dez operando, para adquirir experiência. Uma vida intensa. Eu recomendo!” A seguir, trechos da entrevista.

Dizem que a neurocirurgia é a especialidade mais dura da Medicina. E a mais cética, já que não leva em conta doenças de fundo psicológico. É isso mesmo? Fica simples colocar a culpa da doença no doente deprimido. Isso vai deixá-lo mais deprimido ainda. Mas não é raro que, ao se aposentarem, muitos entrem em depressão e fiquem doentes. Difícil é provar essa relação causa-efeito. O que já ficou claro é que o pós-operatório de um deprimido é mais complicado. O desejo de viver é fundamental para a recuperação. (...)

O que é a depressão? Pergunta difícil. É um desinteresse pela vida, acompanhado de sensação de prostração física e abatimento moral. Pode ser desencadeado por sofrimentos, perdas, problemas reais ou imaginários. Também pode ser sintoma de outra doença, como um tumor cerebral.

Para onde caminha a neurocirurgia? Acho que, assim como todas as grandes cirurgias de hoje, ela deve acabar. Creio que não fará sentido, no futuro, abrir a cabeça, o tórax ou o abdome de um paciente. A solução para o câncer, por exemplo, certamente não será cirúrgica. O cérebro, entretanto, continuará sofrendo intervenções – mas por métodos não invasivos ou minimamente invasivos. Ao contrário da neurocirurgia atual – voltada apenas para a retirada da doença -, vamos ter uma neurocirurgia restaurativa, centrada no restabelecimento de funções cerebrais perdidas. Por exemplo, a falta de dopamina na Doença de Parkinson poderá ser corrigida, seja pela substituição desses neurônios atrofiados ou pela correção genética.

Já é possível produzir neurônios a partir de células-tronco? Há casos documentados com animais de laboratórios. Porém, são transformações sem controle e sem a certeza de que aqueles neurônios vão assumir as funções desejadas. Esse controle é o maior desafio dos pesquisadores. (...)

Então, qual a saída? A neurocirurgia começa a entrar nessa área, ainda experimentalmente, com a proposta de utilização de estimuladores, que funcionam como se fossem um marca-passo, atuando nos núcleos cerebrais que produzem a dopamina. Essa estimulação poderá reproduzir a sensação de satisfação que esses pacientes obtêm com as dietas hipercalóricas.

O que você considera o maior avanço da Medicina nos últimos tempos? Posso falar dos últimos 500 anos. De longe, é o início da era genômica, que começou com a publicação da estrutura do DNA, em 1953, e se consolidou com o mapeamento do genoma humano. Essas descobertas abriram caminho para o entendimento das doenças e novos tratamentos.

Ao que você compararia, em termos de História? Estamos revivendo a Renascença, quando os trabalhos de anatomia de Vesalius abriram um mundo novo. As perguntas feitas na época – para que serve o fígado, que doenças ele causa – são as mesmas de hoje sobre os genes.

E o cérebro, que é sua área? Sabe-se muito pouco sobre ele… Principalmente sobre o psiquismo, que é o que nos diferencia dos outros animais. Olha, e quando falo psiquismo estou considerando também a linguagem, o raciocínio abstrato, a capacidade de planejamento. Duas vacas clonadas serão sempre idênticas. Mas isso jamais acontecerá com dois humanos. As doenças psiquiátricas ainda são misteriosas. Fonte: O Estado de S.Paulo.