quarta-feira, 12 de dezembro de 2001

Mecanismo de busca tamb�m pega blogger


Ando pesquisando sobre �riscos�. O tema virou moda depois que o soci�logo e assessor do primeiro ministro ingl�s, Antony Giddens, escreveu sobre os riscos da modernidade. Se voc� pensou que ando a perigo, acertou. Meus prazos est�o estourando e a sa�de, para n�o me tornar dram�tico, j� foi bastante melhor. Afinal, envelhecer � a coisa mais natural do mundo, j� dizia algu�m que gosta de abusar dos lugares comuns e das palavras que consolam.
Usando o cad�, heis que me deparo com o Blog do Rog�rio Macedo, de Fortaleza, Cear�, "Rog�rio Prado - Riscos e Rabiscos. Weblog com coment�rios sobre pol�tica, atualidades, comportamento, livros e governo." Esta � a primeira vez que vejo refer�ncia ao blog em relat�rio dos buscadores e n�o resisti � curiosidade de ver do que se tratava. Ele foi pescado, imagino, pela palavra risco contida no t�tulo. Me chamou � aten��o, entretanto, n�o o �risco� mas uma referencia � arte de escrever. Ai vai o registro da
Segunda-feira, Maio 28, 2001 ::
Homo economicus
Hoje � moda cortar adjetivos e adv�rbios. A escrita enxuta � cultuada, algo como uma exig�ncia da era da velocidade. O texto deve ser feito para o sujeito que vai ao MacDonalds comer um sandu�che sem gosto somente porque l� � servido em cinco minutos.
Essa exig�ncia de uma escrita de frases curtas favorece, claro, o sujeito que n�o sabe escrever. N�o que todos que escrevam, digamos, de forma menos rebuscada sejam maus escritores. O Kafka est� a� para demonstrar o contr�rio. Mas � moda falar mal de quem use adv�rbios e adjetivos, de quem estenda os per�odos atrav�s dos conectivos (e como � dif�cil us�-los) que nosso idioma oferece. Repito: nem todos que escrevem contidamente s�o maus escritores. Mas nenhum mau escritor sabe escrever, por exemplo, como Augusto dos Anjos, que distribui as palavras pelo texto com perfeita harmonia e sem qualquer preconceito quanto �s classes. Veja abaixo.
Versos �ntimos
(Augusto dos Anjos)
V�s?! Ningu�m assistiu ao formid�vel
Enterro de tua �ltima quimera.
Somente a ingratid�o - esta pantera
Foi tua companheira insepar�vel!
Acostuma-te � lama que te espera!
O Homem, que nesta terra miser�vel
Mora entre feras, sente inevit�vel
Necessidade de tamb�m ser fera.
Toma um f�sforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, � a v�spera do escarro,
A m�o que afaga � a mesma que apedreja.
Se a algu�m causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja esta m�o vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.