quinta-feira, 13 de dezembro de 2001

Outra vez

Estamos em clima de festas natalinas. A cidade toda enfeitada com o indefect�vel �Papai Noel� subindo nos telhados (h� pessoas que exageram: colocam v�rios), in�meros "jantares de final de ano", votos de paz e renova��o de prop�sitos. O velho ritual se repete, fazendo-me lembrar dois ensaios de E. R. Leach sobre a representa��o simb�lica do tempo, publicados no livro Repensando a Antropologia (Ed. Perspectiva, 1974). No primeiro, ele defende a tese de que o tempo no imagin�rio dos gregos do per�odo cl�ssico era um processo temporal em ziguezague, onde o come�o da vida � tamb�m o come�o da morte. No segundo, ele exp�e a tese de que as festas e rituais (ano novo, carnaval, etc.) s�o marcadas por tr�s tipos de comportamento: 1. formalidade; 2. mascarada; 3. invers�o de pap�is. Uma festa que come�a com formalidade, como um casamento, por exemplo, pode terminar em baile � fantasia. Um ritual que come�a com mascarados e invers�o de pap�is (como o carnaval) pode terminar em formalidade (quarta-feira de cinza e jejum). A tese de Leach � que esses tipos de comportamento devem ser vistos em conjunto, pois tem um sentido l�gico independente da �poca ou cultura. As fases representam a passagem do secular para o sagrado; �o tempo normal parou, o tempo sagrado � representado �s avessas, a morte � convertida em nascimento.�(p. 209).
Toda essa teoria, contudo, apenas explica o clima de compaix�o que nos invade e � pouco para suavizar certa nostalgia surgindo da certeza de que o tempo passou independente da sinaliza��o para come�ar tudo de novo.

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