terça-feira, 7 de maio de 2002

Doen�as de Alzheimer e de Parkinson e a Consci�ncia


-----Mensagem Original-----
De: Emilio
Enviado: ter�a-feira, 7 de maio de 2002 08:35
Para: LUCIANO P. Stahelin; marcilio
Assunto: Ci�nciasdo sistema nervoso buscam desvendar ofuncionamento material daconsci�ncia


JC e-mail 2026, de 06 de Maio de 2002.

Ci�ncias do sistema nervoso buscam desvendar o funcionamento material da consci�ncia

A explora��o cada vez mais precisa das caracter�sticas
f�sicas do c�rebro por meio de imagens digitais, entre
outras t�cnicas, assim como os avan�os conseguidos nos
campos da biologia e da inform�tica, est�o
revolucionando a nossa concep��o do funcionamento do
pensamento humano e est�o conduzindo de maneira
aparentemente irrevers�vel a uma materializa��o daquilo
que pertencia, at� recentemente, ao dom�nio do espiritual
Jean-Yves Nau escreve para 'Le Monde', de Paris:

Segundo afirmam e escrevem in�meros cientistas, n�o h�
d�vida de que se trata do mais importante assunto cient�fico,
medical e filos�fico do novo mil�nio.

'Ap�s a decodifica��o do genoma humano, a pesquisa cient�fica
nos permite hoje esperar obter avan�os decisivos na
compreens�o do c�rebro e de suas fun��es, tanto no n�vel do
indiv�duo como no da sociedade. Tudo o que pertencia
tradicionalmente ao campo do espiritual, do transcendental e do
imaterial est� em vias de ser materializado, naturalizado e,
pode-se assim dizer, simplesmente humanizado', escreve
Jean-Pierre Changeux, professor do Coll�ge de France, na
conclus�o de seu mais recente e riqu�ssimo livro, 'L'Homme de
v�rit�' ('O Homem de verdade', editora Odile Jacob, Paris).

'De que maneira pensamos? O que nos torna seres dotados de
consci�ncia, capazes de se lembrar, de perceber o mundo em
nossa volta e de experimentar paix�es? Os fil�sofos sempre
esbarraram, desde as origens, nessas perguntas.

Hoje os cientistas est�o a um passo de trazer verdadeiras
respostas: a biologia do c�rebro e o estudo da sua evolu��o
est�o nos mostrando o caminho que nos dar� a chave da
consci�ncia em si', explicou, repercutindo a tese de Changeux,
Gerald M. Edelman, Pr�mio Nobel de medicina, durante a
palestra 'Biologia e consci�ncia', que aconteceu de 25 a 27 de
abril no Conservat�rio Nacional das Artes e das Profiss�es de
Paris, e foi organizado pela Academia Interdisciplinar das
ci�ncias.

Para esse antigo imunologista que se tornou um explorador das
profundezas do c�rebro, 'a revolu��o das ci�ncias do sistema
nervoso, que j� est�o no mesmo n�vel que as ci�ncias fundadas
por Copernic, Darwin e Einstein, traz embutida uma nova teoria
da alma e do corpo que est� apenas come�ando a transformar
todas as nossas cren�as'.

Gerald M. Edelman e Giulio Tononi (do Instituto das ci�ncias do
sistema nervoso de La Jolla, na Calif�rnia) explicam
detalhadamente no livro 'Comment la mati�re devient
conscience' ('De que forma a mat�ria torna-se consci�ncia',
editora Odile Jacob), que daqui para frente a porta est�
entreaberta.

Esse avan�o, segundo eles, nos permitir� descobrir na sua
integralidade a soma dos mecanismos neurofisiol�gicos que
geram a consci�ncia humana. 'A consci�ncia nos parece ser ao
mesmo tempo um mist�rio e uma fonte de consci�ncia',
explicam.

'Trata-se de um dos alvos mais importantes do questionamento
filos�fico. Mesmo assim, s� muito recentemente ela foi admitida
na fam�lia dos objetos cient�ficos que justificam uma
investiga��o experimental. A raz�o disso � clara: todas as
teorias cient�ficas pressup�em a consci�ncia; a sensa��o e a
percep��o conscientes s�o necess�rias para aplic�-las; mas h�
muito pouco tempo que dispomos dos meios para levar a termo
as pesquisas cient�ficas sobre a consci�ncia em si'.

Para Jean Delacour (m�dico e professor da Universidade
Paris-VII), especialista na neurobiologia do comportamento, o
fato de que a consci�ncia tenha se tornado um dos temas mais
importantes das ci�ncias humanas e das ci�ncias da natureza
resulta de uma dupla revolu��o.

A primeira imp�s, a partir dos anos 60, contra o behaviorismo, o
reconhecimento dos estados mentais despertados pelas
atividades cognitivas, quer se trate da percep��o, do
pensamento abstrato, da mem�ria ou da imagina��o.

'Esta revolu��o cognitiva n�o constitu�a um retorno ao
espiritualismo ou ao idealismo tradicionais pois seu motor
principal era o desenvolvimento de uma ci�ncia 'dura' e do seu
prolongamento industrial: a inform�tica. A ci�ncia dos
computadores conferia uma realidade a no��es tais como as da
representa��o ou do pensamento simb�lico, mas essa realidade
era material', escreve Jean Delacour na introdu��o do livro
'Conscience et cerveau, la nouvelle fronti�re des neurosciences'
('Consci�ncia e c�rebro, a nova fronteira das ci�ncias do
sistema nervoso', Editora De Boeck Universit�, Paris).

A segunda revolu��o - dita 'da consci�ncia' - come�ou a partir
dos anos 80. 'De fato, tratou-se antes de uma restaura��o, a
do 'esp�rito', como uma realidade transcendente, ou, pelo
menos, inacess�vel para a ci�ncia cl�ssica', prossegue Jean
Delacour.

'Com isso, as duas �ltimas d�cadas viram o reaparecimento, sob
diversos r�tulos, em particular o do 'p�s-modernismo', da maior
parte das teses espiritualistas, trazendo com elas a tenta��o
de libertar a consci�ncia de todo e qualquer conhecimento
objetivo ou ainda de reserv�-la para uma ci�ncia
'n�o-convencional', que ainda est� por ser inventada'.

� dentro desta perspectiva que estamos observando hoje o
surgimento de in�meros estudos que visam descobrir e
identificar as bases materiais do esp�rito e, mais precisamente,
da consci�ncia humana.

Nesse ponto preciso, existe um paradoxo dominante segundo o
qual aceitamos com mais facilidade a exist�ncia de uma base
material permitindo o funcionamento do subconsciente que a
ocorr�ncia de mecanismos proporcionando a emerg�ncia da
consci�ncia.

Para a maioria dos participantes da palestra 'Biologia e
consci�ncia', n�o h� mais qualquer d�vida de que a revolu��o
das ci�ncias cognitivas, inspirada na inform�tica, associada �s
m�ltiplas contribui��es trazidas pela explora��o cada vez mais
precisa das caracter�sticas f�sicas do c�rebro por meio de
imagens digitais, e pela neurobiologia (que diz respeito aos
mediadores neurol�gicos, �s interconex�es e �s sele��es
neurol�gicas), permitir�o em prazo mais ou menos longo
decodificar os fundamentos materiais, moleculares da
consci�ncia, a qual � definida como 'um estado mental que
integra, com intencionalidade, o aqui e o agora de uma
situa��o, e a experi�ncia �ntima a ela associada'.

Mas este encontro permitiu tamb�m medir a import�ncia das
diverg�ncias que op�em os expoentes entusiastas dessa
abordagem �queles que persistem em pensar que existe uma
parte subjetiva, �nica, da consci�ncia caracterizada pelas suas
propriedades intr�nsecas, pela sua qualidade (os especialistas
chamam-na de 'qualia'), que, por defini��o, escapa de maneira
inelut�vel de todo e qualquer conhecimento objetivo, geral e
reprodut�vel.

'As pesquisas desenvolvidas sobre o c�rebro e as hip�teses
te�ricas que lhes servem de base permitem pelo menos formular
em termos novos o problema da fisiologia do pensamento e da
verdade', defende Changeux.

'Ser� um exerc�cio de provoca��o? Talvez n�o. Afinal, se
ningu�m se atreve a duvidar de que o apetite de conhecimento
est� no pr�prio cerne da natureza humana, por que dever�amos
abrir uma exce��o t�o logo se trata de tentar entender melhor
o seu pr�prio funcionamento? Ao contr�rio, um dos maiores
m�ritos do homem est� justamente nesse interesse em procurar
desvendar as suas origens o funcionamento de suas
capacidades em vez de limitar-se � exalta��o misteriosa do ser
humano, que abre a porta para todas as quimeras e para todos
os fundamentalismos...'

Doen�as de Alzheimer e de Parkinson

Durante a palestra 'Biologia e consci�ncia', Jean-Marc
Orgogozo, da Unidade 330 do Instituto Nacional da Sa�de e da
Pesquisa Medical (Inserm), na Universidade de Bordeaux,
apresentou um balan�o dos conhecimentos obtidos at� hoje no
que diz respeito aos dist�rbios da consci�ncia observados junto
�s pessoas que sofrem das doen�as degenerativas do sistema
nervoso, a de Alzheimer e a de Parkinson.

'Na doen�a de Alzheimer, a consci�ncia dos doentes � alterada
de maneira precoce por causa dos dist�rbios da mem�ria e da
aten��o, os quais s�o caracter�sticos desta enfermidade',
explicou.

'De forma mais ou menos r�pida, surgem dist�rbios da
personalidade. Com a evolu��o do processo patol�gico, esses
dist�rbios resultam na destrui��o da identidade, num
desconhecimento da doen�a (a anosognosia) e na perda de
todo e qualquer relacionamento com os outros'.

Ao contr�rio, as pessoas acometidas da doen�a de Parkinson
sofrem bem menos altera��es da consci�ncia de si mesmos e de
seu meio ambiente. Segundo esse especialista, 'a doen�a de
Alzheimer � caracterizada por um desmoronamento implac�vel
da consci�ncia enquanto os que sofrem da doen�a de Parkinson
acabam se enclausurando aos poucos dentro de si mesmos'.
(Tradu��o: Jean-Yves de Neufville)
(Le Monde, Uol.com/M�dia Global, 5/5)

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