terça-feira, 23 de julho de 2002

F�sicos da USP criam neur�nio artificial

De : Takase (takase@cfh.ufsc.br)
Data : Mon, 22 Jul 2002 18:47:26 -0300

F�sicos da USP criam neur�nio artificial

Circuito desenvolvido na Universidade misturou c�lulas com
componente eletr�nico e poderia ajudar tetrapl�gicos
Reinaldo Jos� Lopes escreve para a 'Folha de SP':

A ci�ncia ainda deve apanhar muito para conseguir juntar
dispositivos eletr�nicos com o complicado sistema nervoso
humano. Mas pesquisadores do Instituto de F�sica da USP
deram um passo importante para resolver o problema, ao criar
um chip que funciona como um neur�nio (c�lula nervosa) num
pequeno circuito.

"Neur�nios de sil�cio" como esse n�o s�o exatamente uma
novidade. Contudo, o chip da USP � muito mais promissor para
aproximar essa tecnologia de fic��o cient�fica da realidade, j�
que ele dispensa o batalh�o de opera��es matem�ticas
necess�rias hoje para faz�-los funcionar.

Enquanto os chips existentes se baseiam em um modelo
matem�tico de 15 equa��es, o novo dispositivo usa apenas
quatro.

Por enquanto, a t�cnica s� foi testada num minicircuito
composto por tr�s neur�nios do siri da esp�cie Callinectes
sapidus, t�pico de estu�rios.

Os neur�nios s�o de um circuito maior, com 30 deles, que
controla as contra��es do est�mago do bicho e empurra o
alimento pelo sistema digestivo.

"Essa redezinha neural do siri, al�m de ser pequena, tem a
vantagem de funcionar bem fora dele", conta Reynaldo Daniel
Pinto, coordenador do projeto que desenvolveu o chip. "Por
isso, ela foi estudada para tentar entender como os neur�nios
funcionam."

Um desses neur�nios age mais ou menos como um
marca-passo, emitindo um impulso el�trico a cada segundo,
enquanto os outros, quando isolados, t�m um comportamento
ca�tico.

O neur�nio marca-passo � que mant�m as contra��es dos
m�sculos, empurrando a comida pelo est�mago. A id�ia, ent�o,
foi retirar neur�nios do circuito e criar chips que pudessem ser
ajustados para imitar o sistema de marca-passo ou os outros
neur�nios.

Em laborat�rio, os neur�nios foram unidos ao chip com a ajuda
de um eletrodo e a coisa funcionou: quando o chip fazia o papel
do marca-passo, ele conseguia induzir os dois neur�nios reais a
entrar em sincronia.

"Uma poss�vel aplica��o disso seria usar o chip para ajudar
pessoas tetrapl�gicas, que �s vezes perdem os movimentos
involunt�rios do est�mago", afirma o pesquisador da USP.

A longo prazo, o princ�pio poderia ser utilizado para corrigir
outras fun��es autom�ticas, como caminhar. "Mas o modelo
n�o � perfeito. Com tr�s c�lulas n�s conseguimos algo parecido
com o sistema vivo, enquanto com quatro o resultado � muito
pior", ressalva.

O projeto tem financiamento da Funda��o de Amparo �
Pesquisa de SP (Fapesp).
(Folha de SP, 20/7)


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