NOVIDADES SOBRE DP
O Canal Zero � um dos melhores sites de arte e cultura do Brasil, segundo o Ibest. Ele entrevistou o Dr. Sergio Costa, M�dico neurologista e neurocirurgi�o, perito m�dico legista e professor na Universidade de Caxias do Sul. Eis o que o Dr. S. Costa fala sobre DP:
� Quais os estudos da atual viagem ao King's College - Inglaterra?
O King's College London � um dos centros mais avan�ados de pesquisa do mundo. Existem naturalmente v�rias pesquisas simult�neas. No momento, estamos (neste departamento) tratando de encontrar um melhor tratamento para a mol�stia de Parkinson (1) e outras s�ndromes de dist�rbio do movimento. N�o s� h� v�rios tratamentos em estudo, como tamb�m tratamentos j� existentes est�o sendo reconsiderados porque novos efeitos surgiram. Nada disto � novidade, pois � a pr�pria hist�ria dos tratamentos ao longo do tempo. Vamos aos dados: sabe-se agora que os agonistas D2 (2) como por exemplo o pramipexol, s�o neuroprotetores. Se v�o continuar sendo, � outro problema. A seleginina (inibidora da MAO-B) (3) j� n�o � a "estrela". Mas esta nova descoberta, at� que seja desmascarada, oferece perspectivas excitantes. Por exemplo, novos modos de descobrir a doen�a antes dela manifestar-se, seja por aparelhos como PET (positron emmission tomography ou tomografia por emiss�o de p�sitrons)(4), seja por an�lise gen�tica, dariam novo alento a essas pessoas que jogariam tudo na neuroprote��o, esperando nunca ter a doen�a. Modos de contornar a discinesia (5) provocada pela ingest�o de levodopa (6) est�o constantemente sendo experimentados. A pr�pria palidotomia (7), t�o popularmente utilizada em todo o mundo, causa efeitos que s�o considerados paradoxais � luz dos conhecimentos atuais dos circuitos dos n�cleos da base 8).
No momento, estudamos os efeitos moleculares (9) da palidotomia em macacos. Drogas neurotr�ficas (10) como o BDNF (11) e o GDNF (12) est�o sendo estudadas sob v�rios �ngulos, inclusive a respeito de sua penetra��o gen�ticas atrav�s de um vetor viral. Funcionando da seguinte maneira: Pega-se um v�rus que infecte o sistema nervoso, por exemplo o v�rus da encefalite herp�tica. Deixa-se a parte que penetra no c�rebro mas tira-se a parte que destr�i o c�rebro. Insere-se o gen desejado no v�rus, no caso o gen que fabrica dopamina. Provoca-se a infec��o e fica-se aguardando as rea��es.
H� tempos, alguns grupos de cientistas, particularmente na Su�cia e nos EUA, v�m experimentando com transplante de c�lulas removidas de c�rebros de fetos humanos. As c�lulas s�o transplantadas no c�rebro de pessoas com mal de Parkinson. Estas pessoas t�m melhorado, via de regra, por v�rios anos. A t�cnica entrava no detalhe �tico do feto que normalmente � produto descart�vel de aborto provocado em pa�ses onde este procedimento � protegido pela lei.
(NOTAS)
(1) Doen�a descrita em 1817 por James Parkinson na Inglaterra e caracerizada por uma instala��o progressiva e gradual de rigidez, paralisia e tremor. A doen�a de Parkinson resulta da morte de c�lulas cerebrais respons�veis pela s�ntese do neurotransmissor dopamina.
(2) Agonistas s�o drogas que agem no receptor de um transmissor e o receptor responde. � como uma chave falsa que abre perfeitamente a fechadura. Agonistas D2 s�o naturalmente os que agem nos receptores sin�pticos D2. A dopamina tem v�rios receptores, todos eles D (de dopamina): D1, D2, D3, D4 e D5. Cada um desencadeia uma rea��o.
(3) A MAO (mono-amino-oxidase) � uma enzima que degrada as monoaminas como a noradrenalina e a dopamina. Existem basicamente dois tipos: A e B. A seleginina inibe a MAO-B.
(4) O PET at� recentemente era somente utilizado em pesquisa. Mas foi industrializado e diminuiu consideravelmente de tamanho e hoje j� tem uso cl�nico.
(5) Discinesia � um movimento s�bito, imprevis�vel e involunt�rio, como torcer a m�o ou levantar o ombro ou fazer caretas.
(6) Levodopa � a droga que, ap�s ingerida, penetra no c�rebro e l� � transformada em dopamina. A dopamina � necess�ria � fun��o mas incapaz de penetrar no c�rebro, devendo ser fabricada l� mesmo.
(7) Palidotomia vem a ser a destrui��o de um pequeno peda�o do globo p�lido, um dos n�cleos da base (vide 8). A palidotomia diminui a discinesia e tamb�m melhora outros sintomas da doen�a de Parkinson, da� o paradoxo: como � que melhora o que � movimento demais (discinesia) e tamb�m o que � movimento de menos (Parkinson)?
(8) N�cleos da base s�o grupos de neur�nios que se encontram na profundidade cerebral e que servem de rel� inteligente. Na verdade � um grupo complexo de rel�s que coordenam movimentos e intermediam sensa��es.
(9) Muitos conhecimentos da gen�tica s�o usados para estudar-se os efeitos moleculares. Basicamente estuda-se o tipo de s�ntese prot�ica que � realizado ap�s a palidotomia, em compara��o com antes.
(10) Algumas drogas receberam o nome de neurotr�ficas porque foram descobertas quando promoviam recupera��o ou mesmo o aparecimento de partes do sistema nervoso. Muitas delas depois foram vistas provocando rea��es bem diversas, como por exemplo, fazer brotar o rim.
(11) BDNF � um fator neurotr�fico. � abrevia��o de brain derived neurotrophic factor ou fator neurotr�fico derivado do c�rebro. Foi chamado assim porque assim foi obtido experimentalmente pela primeira vez.
(12) GDNF � outro. Significa Glial cell derived neurotrohic factor ou fator neurotr�fico derivado de c�lulas gliais. Tamb�m assim foi obtido pela primeira vez.�
Fonte: http://www.canalzero.com.br/canal2_entrv6.htm
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