domingo, 6 de outubro de 2002

ESTADA NO INFERNO � IMPRESS�ES GERAIS AP�S 20 MESES DE TUI NA

SONO: Voc� estar� sempre com sono. Com vontade de se jogar na cama, deitar e dormir. A� voc� se atira, literalmente na cama. Ocorre que ao se atirar, o bra�o, a m�o, a coxa, a cabe�a, ou outra parte do corpo n�o ficou confort�vel. Voc� quer mudar de posi��o e o corpo � t�o pesado que n�o vai. Os bra�os e pernas n�o tem for�a, n�o obedecem. Leva alguns v�rios minutos para ficar menos desconfort�vel. Se deita de bru�os, escolhe um lado para virar a cabe�a, a� come�a a babar no len�ol ou fronha. Come�a um ru�do, de vibra��o de tremor no pavilh�o da orelha. Se voc� deita de costas, o bra�o (no caso o esquerdo) tem que ficar apoiado sobre o peito (tipo Napole�o Bonaparte). As pontas dos p�s (dedos) voc� quer mais erguidos e os calcanhares mais estendidos (num �ngulo mais reto), mas o peso da colcha ou edredon � muito grande. Voc� mal consegue se mover at� encontrar posi��o menos desconfort�vel. A� novamente come�am os tremores, e a situa��o de desconforto se mant�m. Finalmente, depois de uns 20 a 30 minutos voc� pega no sono. Dentro de 40 minutos, em m�dia, acorda de novo, os dois bra�os dormentes. Mudar de posi��o, de costas para lateral (dormir de lado). Ai tem que colocar mais um travesseiro para alinhar a cabe�a, sem deixar de colocar um terceiro entre os joelhos. A� novamente, arranjar posi��o menos desconfort�vel, sem tremor, etc. Ao deitar de costas, quando o tremor � insuport�vel, tento for�ar ao m�ximo a respira��o abdominal. Se n�o der resultado, desisto de tentar dormir e vou para a bicicleta ergom�trica. Isto pode ser as 2:30 h da manh�. �s vezes, n�o raramente, por volta de 3:30 h ou 4:00 h acordo e n�o consigo mais dormir.

CAMINHAR: Sempre tento, mas n�o consigo. Os p�s arrastam, particularmente o esquerdo. O p� esquerdo parece que est� colado ao ch�o. No banheiro por exemplo, de p�s descal�os, sobre um tapete, parece que o suor do p� atua como cola. O p� n�o tem mobilidade para se desgrudar do tapete, que vem junto. Se estou sentado e quero mudar a posi��o da perna esquerda, tem que levantar a coxa com a m�o, mexer a perna e deposit�-la na posi��o menos desconfort�vel. Para levantar de sof�, cadeira, etc, tenho ou que ser puxado, ou me inclinar para a frente, mudando o centro de gravidade do corpo para impulsionar. Diante de uma mesa, p.ex, s� me apoiando, pois n�o tem como inclinar o corpo para frente. O equil�brio para se manter de p�, por exemplo � ruim, n�o pelo mecanismo pr�prio (labirinto, etc.) que acredito estar perfeito, e sim pela defici�ncia mec�nica da perna, que n�o obedece a atos reflexos. Quando caminho dentro de casa, sempre estou apoiado nas paredes ou v�o de portas. Para dar a descarga do vaso, tenho que usar a press�o do corpo sobre a m�o.

ESCREVER: S� no computador, n�o mais usando os 10 dedos, como fazia, e sim s� uma m�o, tipo catando milho, caso contr�rio as letras se repetem. Escrever manuscrito � extremamente dif�cil, todo tremido e numa micro-micrografia. Para assinar um cheque, chego a suar, de molhar a testa.

DIRIGIR: Consigo dirigir razoavelmente, mesmo sem drogas, visto ser carro sem embreagem. N�o sinto sono na dire��o.

SEXO: Acho que gostava mais de transar pelo al�vio que sentia nos tremores internos ap�s o orgasmo (dormia imediatamente ap�s, o que ali�s as mulheres em geral odeiam), do que propriamente pelo prazer sexual em si, agora me dou conta. Os tremores tem dificultado a possibilidade do relaxamento. Quando os tremores s�o menores h� possibilidade de ere��o, mas a rela��o sexual somente deitado de costas, com a parceira vindo por cima, visto eu n�o ter for�as nos bra�os para me apoiar. O relaxamento do tremor interno ap�s orgasmo n�o � mais t�o significativo. O tremor interno p�s orgasmo tem se mantido, embora mais brando. Nem a� consigo dormir!

DROGAS: Tudo acima � sem drogas. Com L-dopa, 250 mg tomado 2 horas antes de compromissos profissionais, fa�o tudo. Fico �perfeito�. O efeito dura de 2 a 3 horas. Se os compromissos profissionais durarem mais do que 3 horas, tomo L-dopa de 2 em 2 horas. Tomo at� 3 / dia (750 mg). O ruim, ali�s, p�ssimo � o est�gio do off. Te acaba f�sica e psicologicamente. Atualmente s� tomo L-dopa (gen�rico Levodopa + Carbidopa) quando tenho que trabalhar. Me organizei e tomo de 2 a 4 dias por semana, dando em m�dia 425 mg /dia.

Abra�os a todos. Sa�de!
N�o 't� morto quem peleia!
Hugo

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