domingo, 3 de agosto de 2003

�AS C�LULAS-TRONCO S�O UMA B�N��O DE DEUS�

Extrato de artigo da Revista Veja, Edi��o de 30/07/2003
Karina Pastore

Uma das grandes esperan�as no tratamento das doen�as card�acas s�o as c�lulas-tronco. Essas c�lulas n�o t�m uma fun��o espec�fica e, por isso, podem se transformar em partes de qualquer tecido do corpo. Injetadas no cora��o, assumem a caracter�stica de c�lulas card�acas e regeneram �reas deterioradas por causa de um infarto ou uma insufici�ncia coronariana, entre outros problemas. Iniciados em 1998, os estudos com c�lulas-tronco avan�am num ritmo impressionante. E, nessa corrida, o Brasil tem posi��o de destaque. Dos cerca de sessenta transplantes de c�lulas-tronco realizados no mundo, dezoito foram feitos no Brasil � catorze deles no Hospital Pr�-Card�aco, no Rio de Janeiro. V�timas de infartos graves, os pacientes tinham, em m�dia, 63 anos. "Nosso primeiro objetivo era avaliar a seguran�a da t�cnica", diz o cardiologista Hans Dohmann, do hospital carioca. A primeira cirurgia ocorreu em 16 de dezembro de 2001. At� hoje, segundo o m�dico, nenhum paciente apresentou efeito adverso algum. Ao contr�rio, eles recuperaram a vitalidade e a qualidade de vida.

O transplante de c�lulas-tronco � relativamente simples e seus resultados s�o espantosos. Nas cirurgias brasileiras, as c�lulas foram retiradas da medula �ssea da bacia dos pacientes. Por interm�dio de um cateter, introduzido na virilha, elas foram implantadas na regi�o do cora��o a ser recuperada. As opera��es n�o duraram mais de quatro horas e os pacientes receberam alta em dois dias. Entre tr�s e sete semanas depois, j� era poss�vel notar a forma��o de um novo sistema de art�rias coron�rias, que acabaram por fazer com que o m�sculo card�aco dos transplantados voltasse a funcionar a contento.

Hoje � poss�vel transformar c�lulas-tronco em cerca de 150 tipos de c�lula, o que abre caminho para o tratamento de diabetes, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, tetraplegia e v�rios tipos de c�ncer, entre outras doen�as. A princ�pio, acreditava-se que c�lulas-tronco existiam apenas em embri�es que se encontravam nos primeiros dias de gesta��o. Mais tarde, constatou-se que elas estavam presentes tamb�m no cord�o umbilical e na medula �ssea de um adulto. A melhor fonte de c�lulas-tronco s�o os embri�es. Mas, como eles precisam ser destru�dos para que a coleta seja feita, a Igreja Cat�lica e governos de pa�ses com forte lobby crist�o, como o dos Estados Unidos, erguem obst�culos � continua��o das pesquisas. A resist�ncia come�a a ser vencida. Na sexta-feira passada, a Espanha, pa�s predominantemente cat�lico, autorizou experi�ncias com c�lulas-tronco embrion�rias, desde que os embri�es sejam fruto de fertiliza��o artificial.

N�o fosse o estudo com embri�es humanos, que inauguraram as pesquisas nesse campo e continuam a aliment�-las, o aposentado carioca Jos� Carlos da Rosa, de 55 anos, talvez n�o estivesse vivo � e, o que � melhor, com boa sa�de. Para ele, "as c�lulas-tronco s�o uma b�n��o de Deus". No fim de 2000, quatro anos depois de um infarto, o seu cora��o come�ou a dar sinais de que estava falhando. Com muita falta de ar e dores fortes no peito, Rosa n�o tinha f�lego para nada. "Se eu dava tr�s passos, j� me cansava", conta. Tomar banho e at� comer exigia dele um esfor�o descomunal. Uma consulta com um cardiologista trouxe a not�cia de que o seu m�sculo card�aco estava dilatado demais e que a �nica sa�da seria o transplante de cora��o. Foi ent�o que ele foi convidado a receber um outro transplante � o de c�lulas-tronco. Operado em 21 de dezembro de 2001, no Hospital Pr�-Card�aco, Rosa come�ou a sentir que seu cora��o retornava ao normal uma semana depois da cirurgia. Hoje, ele voltou a fazer suas caminhadas di�rias, a andar de bicicleta e � o que � melhor, na sua opini�o � a acompanhar os jogos do Flamengo. Torcedor fan�tico, na �poca do cora��o enfraquecido, ele nem se atrevia a escutar uma partida pelo r�dio, tamanho era o receio de infartar. "Hoje, eu tor�o, me emociono e comemoro sem medo algum."

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