Saúde / Inspetor de Guaíba foi o primeiro submetido à técnica no Estado / A injeção de células-tronco em um coração debilitado deu vida nova a um gaúcho enfartado e promete revolucionar as cirurgias cardíacas. Pela primeira vez no Estado, um paciente de 44 anos recebeu células capazes de crescer e regenerar o tecido cardíaco morto durante um enfarte.
A técnica, desenvolvida pelo Instituto de Cardiologia (IC) e coordenada pelo médico Ivo Nesralla, consiste na retirada de células-tronco da medula óssea do próprio paciente, que são injetadas no coração. A medula é considerada uma fábrica de células.
- Por ser do próprio indivíduo, a célula-tronco da medula não oferece risco de rejeição - diz a pesquisadora do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Nance Nardi, responsável pela separação das células.
Feita a separação das tronco dos demais componentes, parte das células retorna ao hospital e é injetada diretamente na área morta do coração do paciente. Outra parte é mantida na UFRGS para pesquisa.
Na cirurgia realizada em 31 de outubro, o inspetor de tributos Gerson Menna Barreto, morador de Guaíba, recebeu 30 pequenas injeções no coração. Ele havia passado por dois enfartes.
- O coração estava bastante prejudicado. Se não fosse feita a cirurgia, o órgão ficaria mais fraco e ele precisaria de transplante. Ele ainda precisou de algumas pontes de safena - diz João Ricardo Sant'Anna, um dos quatro cirurgiões responsáveis.
Menna Barreto teve alta uma semana após a cirurgia. Ontem, esteve no IC com a mulher, Sara, 42 anos, para cumprimentar a equipe médica e disse estar sem o cansaço que o consumia.
- Para carregar sacolas de supermercado, eu tinha de ir parando. Agora, sinto como se tivesse 18 anos - afirmou.
Segundo o médico Hans Fernando Rocha Dohmann, do Hospital Pró-Cardíaco, do Rio, primeira instituição no país a usar a técnica, em 2001, o Rio Grande do Sul é o quarto Estado a transplantar células-tronco para o coração, depois do Rio, de São Paulo e da Bahia.
- Precisamos de um maior número de pacientes para responder se o método é realmente seguro. Levará anos até que se adote como prática clínica - diz Dohmann.
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