segunda-feira, 1 de março de 2004

HÁ 40 ANOS, O MUNDO CONHECIA UM REI
Em Miami, Cassius Clay derrotou Sony Liston e passou a ser o maior

WASHINGTON. Há 40 anos, surgia um dos maiores mitos do esporte em todos os tempos. No dia 25 de fevereiro de 1964, em Miami, o jovem Cassius Clay, que depois passaria a se chamar Muhammed Ali, gritava: “Eu sou o rei do mundo”. Ele havia acabado de vencer por nocaute técnico no sétimo assalto Sonny Liston, então campeão mundial dos pesos pesados.

Sofrendo por causa de problemas do Mal de Parkinson desde 1984, Muhammed Ali, hoje com 62 anos, passou a ser um mito mundial e transformou o boxe num esporte popular, ao utilizar, pela primeira vez, a televisão, então em plena expansão, num meio para difundir as suas polêmicas idéias.

“Sou o rei do mundo, sou o maior de todos. Eu conquistei o mundo”, berrava ele, com apenas 22 anos, para as câmaras de TV no Miami Beach Convention Hall. Cassius Clay havia surpreendido a todos ao vencer Liston, um ex-presidiário de 32 anos e que havia conquistado o título dos pesados ao ganhar de Floyd Patterson no primeiro assalto. Liston era cotado como favorito a 6/1 nas casas de apostas.

O novo campeão pôs em prática no ringue o slogan que havia criado para si próprio: “Flutuo com uma borboleta e pico como uma cobra”. E as palavras jorravam de sua boca:

— O que vocês vão dizer agora? Falaram que o Liston me derrubaria no segundo assalto. Jamais apostem contra mim de novo.

Clay estava irritado com os jornalistas desde bem antes da luta. Como só ele era capaz de fazer, transformou o combate num espetáculo. Alguns dias antes, entrou no ginásio onde Liston treinava e começou a gritar:

— Vou derrubar você. Você é muito feio para ser campeã. Se você me ganhar, vou beijar os seus pés no ringue e vou embora para sempre dos EUA.

O estilo de Clay deu novo ânimo a um esporte que havia perdido muito de popularidade com a retirada, invicto, de Rockey Marciano, em 1956. Não havia dúvida, depois da luta, que o boxe tinha um novo rei. Ele ganhou mais do que todos os campeões anteriores juntos, mas gastou com o mesmo empenho.

Pouco depois, criou nova polêmica ao anunciar sua conversão ao Islã, abandonando o seu “nome de escravo” e passou a se chamar Muhammed Ali no movimento Nação do Islã.

Liston teve direito a uma revanche, quase um ano depois, em 25 de maio de 1965. Muhammed Ali repetiu o êxito com ainda maior contundência: venceu logo no primeiro assalto. Ele se retirou do boxe em dezembro 1981, após ter ficado de 1967 a 1970 sem lutar, por causa da recusa em ir à Guerra do Vietnã — “uma guerra de brancos”.

Há 40 anos, o esporte conhecia um dos maiores de sua história. Jornal: O GLOBO Editoria: Esportes

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