sexta-feira, 5 de março de 2004

UNIVERSIDADE DE HARVARD DESAFIA BUSH E DISTRIBUIRÁ CÉLULAS-TRONCO - como saiu aqui no Brasil
04/03/2004 - Pesquisadores procuram desenvolver tratamento eficiente para diabetes

WASHINGTON. Ignorando as tentativas do governo do presidente George W. Bush de proibir as pesquisas com células-tronco de embriões humanos, a Universidade de Harvard, uma das mais importantes dos Estados Unidos, anunciou ontem que desenvolveu 17 linhagens diferentes dessas células. Harvard ainda se dispôs a enviar gratuitamente suas células-tronco de embriões humanos a centros de pesquisa governamentais interessados em estudá-las.

Alegando razões morais e religiosas e atendendo a grupos conservadores, Bush proibiu o financiamento público de estudos sobre essas células. A medida praticamente paralisou as pesquisas em muitas universidades e institutos americanos, já que o governo federal ainda é o maior financiador da ciência no país. Bush apoiou um projeto de lei que proíbe as pesquisas, mas está parado no Senado.

Todavia, nos EUA não há qualquer lei que impeça a iniciativa privada de realizar ou financiar as pesquisas com células-tronco embrionárias. E Harvard usou dinheiro oferecido pelo Howard Hughes Medical Institute para suas pesquisas, cujos resultados foram publicados na “New England Journal of Medicine”, uma das mais importantes revistas médicas do mundo. O grupo de Harvard dobrou o número de linhagens de células-tronco disponíveis para pesquisa.

Células-tronco de embriões podem originar todos os órgãos e tecidos do corpo. A ciência ainda dá os primeiros passos na compreensão dos processos biológicos que permitem a geração de todos os tipos de células e de como desenvolvê-los em laboratório. Porém, as células-tronco têm potencial para revolucionar a medicina e curar doenças como os males de Parkinson e Alzheimer.

O coordenador do estudo, Douglas Melton, disse que a principal meta de sua pesquisa é o desenvolvimento de uma terapia eficiente para o diabetes do tipo 1. Ele observou que investiga como as células-tronco originam células do pâncreas produtoras de insulina. Melton procura uma cura para uma doença que atinge seus dois filhos e milhões de pessoas em todo o mundo.

— Usamos embriões congelados de clínicas de fertilização que iriam para o lixo. As células-tronco representam uma rica fonte para transplantes, mas precisamos aprender a controlá-las — disse Melton.
Jornal: O GLOBO, Editoria: O Mundo, Página: 38, Primeiro Caderno.

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