segunda-feira, 19 de abril de 2004

ESTÁGIOS DA DOENÇA DEGENERATIVA

Elisabeth Kübler-Ross, no seu livro sobre a morte e o morrer, fala de cinco estágios por que passam pessoas que se defrontam com notícias trágicas como o diagnóstico de uma doença incurável ou terminal. O livro trata da experiência com moribundos, principalmente pacientes com câncer, mas os estágios descritos pela autora aplicam-se também a portadores de doenças degenerativas como o parkinson. São eles:

1. Negação. A pessoa nega a doença para se preservar da dor. Peregrinação pelos consultórios. Exames e reexames. A negação funciona como um pára-choque, sendo uma defesa temporária durante o período de recuperação gradual do abalo ou torpor causado pela notícia.
2. Raiva. Quando não é mais possível negar, advém um período de raiva, revolta, inveja, e de ressentimentos. Aparecem os atritos com familiares, as queixas contra os médicos e os serviços de saúde. Se a reação a essa raiva for compreendida como uma fase do processo logo o paciente baixa a voz e diminui o tom irascível.
3. Barganha. Depois do choque, da negação e da raiva contra Deus e o mundo, vem a tentativa de negociar o adiamento do fim ou um prolongamento da vida útil. As barganhas quase sempre são feitas com a divindade através de promessas mantidas em segredo. Frequentemente as promessas estão associadas a sentimentos de culpa reais ou imaginárias.
4. Depressão. Quando o portador não pode mais negar ou esconder a doença surge em lugar do estoicismo e da raiva um sentimento de perda de coisas passadas ou iminentes. Perda de mobilidade, perda de uma função ou órgão, ou, simplesmente, a perda da imagem. Problemas mais prosáicos podem juntar-se ao processo como o custo de medicamentos, a aposentadoria forçada, etc. São vários os fatores de depressão.
5. Aceitação. O individuo aceita sua condição, seja porque já não tem mais forcas, seja por ter aprendido a conviver com a doença.


Segundo Kübler-Ross, os “(...) estágios terão duração variável, um substituirá o outro ou se encontrarão, às vezes, lado a lado. A única coisa que geralmente persiste, em todos esses estágios, é a esperança.“ (p. 143)

Fonte: KUBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer. Martins Fontes. São Paulo, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.