Quinta, 15 de abril de 2004, 10h43
Gene artificial converteu células-mãe em neurônios, mostra estudo
Cientistas dos EUA transformaram células-mãe musculares em células que têm a aparência e a função de neurônios, o que abre esperanças para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças neurológicas, anunciou-se hoje, quarta-feira.
Pesquisadores do Centro de Oncologia D. Anderson da Universidade do Texas utilizaram um gene artificial para esta conversão, considerada um importante avanço na biologia das células-mãe, segundo um artigo que será publicado amanhã na revista "Genes and Development".
Os cientistas informaram que o gene artificial foi criado para "ativar" um grupo de genes que se mantém inativo nas células musculares.
Estes genes foram os que provocaram a transformação de células-mãe que deveriam ser musculares em células que mostram ter todas as propriedades bioquímicas, fisiológicas e estruturais dos neurônios.
Os neurônios são as unidades fisiológicas do sistema nervoso e as maiores vítimas de doenças neurológicas progressivas e incuráveis.
Os cientistas disseram que seus experimentos ajudaram a demonstrar o fato de que as células-mãe podem ser extremamente "flexíveis" e transformadas em diferentes tipos de célula.
"É espantoso saber que se pode alterar a função final de uma célula mediante uma só molécula", disse Sahan Majumder, professor do Departamento de Oncologia Genética e diretor do estudo.
A pesquisa foi feita com cultivos de mioblastos, que são as células embrionárias que originam a fibra muscular e que, na experiência, que foram injetados no cérebro de ratos saudáveis, onde não tiveram nenhum efeito negativo.
Majumder acha que "seria possível aplicar a mesma técnica para mudar a função final de outros tipos de células-mãe".
Segundo o cientista, o próximo passo na investigação é demonstrar se estas novas células podem substituir os neurônios danificados do corpo, o que seria um passo notável para a neurorregeneração.
Até agora, a neurorregeneração foi estudada mediante o uso de células da medula óssea.
No entanto, os experimentos feitos em ratos que sugerem que estas células-mãe podem ser transformadas em neurônios foram alvo de grande polêmica entre os cientistas.
Alguns pesquisadores sugeriram que as células-mãe da medula óssea estão contaminadas com células-mãe neurológicas ou se fundem com as quais estão no cérebro, dando a impressão de uma conversão.
Para evitar que isto aconteça, os cientistas empregaram mioblastos homogêneos utilizados nos estudos sobre diferenciação muscular.
Majumder utilizou no estudo um gene artificial, identificado como REST-VP16, o qual tem uma função oposta à do chamado "gene repressor", que é o que ativa os conjuntos de genes na etapa que determina a função final de cada célula-mãe.
"Convertemos o que é normalmente um freio em um acelerador", declarou o pesquisador.
O passo seguinte do estudo foi estabelecer o que ocorreria com os mioblastos, que têm que se transformar em células musculares, quando são alterados mediante a ação do gene artificial.
O cientista disse que o experimento deu resultados e que o gene REST-VP16 ativado nos mioblastos bloqueou a diferenciação muscular das células e estas começaram a demonstrar propriedades neuroniais.
"Se o gene REST-VP16 não é posto em atividade, os mioblastos acabam se tornando músculo", destacou.
"Mas se ele é ativado, as células não entram na diferenciação muscular. Por outro lado, elas tomaram a aparência de neurônios, puseram em atividade um grande número de genes neurológicos e mostraram as atividades fisiológicas dos neurônios", disse.
Majumder afirmou que seu estudo não só sugere que é possível alterar a função final das células-mãe como também ele apresenta uma forma experimental de impulsionar estas mudanças. EFE
artigo enviado por João Paulo Carvalho.. agradecemos...
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