São Paulo - Por muito tempo, associações de pacientes com doenças incuráveis viviam divididas entre duas missões: nunca desistir de encontrar a cura e a resignação de saber que a única coisa que podia ser feita era cuidar do bem-estar dos doentes. Nos últimos meses, pais e filhos reféns dessa vida sofrida e limitada vêm erguendo uma terceira bandeira, a da pesquisa científica. Acima de tudo, depositam na polêmica clonagem terapêutica a esperança de que um dia suas histórias vão mudar.
Só que essa briga envolve cientistas e, sobretudo, religiosos. O que está em discussão é o uso de embriões humanos para a obtenção de células-tronco. Os primeiros se arvoram o direito de aproveitar células embrionárias que clínicas de fertilização assistida vão descartar por serem de baixa qualidade - quando um casal tenta ter um bebê de proveta, mais de um embrião é produzido pelos médicos, mas nem todos são aproveitados. Já alguns católicos e evangélicos consideram isso um crime contra a vida e dizem que nada justificaria qualquer tipo de manipulação genética dessas células.
Entre os dois grupos, muitos podem achar difícil tomar uma posição, mas não quem sofre de doença incurável ou convive com um paciente. Para eles, os cientistas têm razão.
Biossegurança
O atual texto da Lei de Biossegurança, em tramitação no Senado, proíbe esse tipo de pesquisa. É por isso que os cientistas, como poucas vezes se viu, começaram a freqüentar os corredores verdes e azuis do Congresso para pressionar deputados e senadores.
Querem ter o direito de pesquisar usando as células embrionárias. Fazem questão de se posicionar contra a clonagem humana, mas não abrem mão da terapêutica. E muitos pais e filhos que buscam a cura estão sendo convencidos por eles de que as pesquisas nessa área devem continuar.
"Luto por isso pensando nos atuais parkinsonianos, mas sei que as pesquisas e descobertas científicas podem levar anos. E sei que elas não trarão benefícios para minha esposa", lamenta Samuel Grossmann, de 70 anos, presidente da Associação Brasil Parkinson, fundada pela mulher, Marylandes. "Graças às pesquisas, hoje muitas doenças são curáveis", diz o advogado aposentado, que já se esteve no Senado.
A doença de Parkinson foi descrita em 1817, mas os maiores avanços no tratamento surgiram na segunda metade do século passado. Remédios permitiram controlar efeitos da doença e os pacientes passaram a sofrer menos com a tremedeira, um dos efeitos mais visíveis desse problema neurológico.
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Distrofia muscular e esclerose (...)
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