É portanto motivo de entusiasmo para os defensores do progresso científico e tecnológico, e vem se somar a outras boas notícias, como a aberta defesa dos alimentos transgênicos pela Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), da ONU, como instrumento para o combate à fome mundial.
Na mesma linha, a União Européia liberou a importação e comercialização durante dez anos do milho geneticamente modificado da Syngenta, resistente a insetos. Numa demonstração de elementar sensatez, a Comissão Européia considerou que as regras de rotulagem em vigor são mais do que suficientes para assegurar proteção aos consumidores que receiem maus efeitos dos transgênicos.
O Brasil não está muito atrás no que se refere aos transgênicos. Ainda que o projeto da Lei de Biossegurança aprovado na Câmara dos Deputados apresente falhas também nesse aspecto, tem pelo menos o mérito de preservar a autonomia da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no que se refere a autorizar pesquisa e plantio, com a finalidade de estudos, de sementes geneticamente modificadas.
Mas no que se refere às células-tronco, o projeto é um verdadeiro modelo de obscurantismo. Por pressão de bancadas religiosas, seu texto foi modificado de maneira a incluir a proibição do uso de células de embriões humanos em experiências — uma barreira intransponível às pesquisas.
A palavra agora está com o Senado. Os cientistas brasileiros que lutam por uma mudança no texto não têm o poder de pressão dos lobbies evangélicos e outros, mas contam com o poder de convencimento das boas causas. Eles precisam ser ouvidos pelos senadores, porque o preço de uma vitória do obscurantismo será pago por todo o país, na moeda do atraso na ciência. Jornal O Globo de 27/05/2004.
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