NOVA YORK. O Brasil se mostrou mais cauteloso nas discussões da ONU sobre clonagem. Pela primeira vez, não quis co-patrocinar a proposta da Bélgica para uma proibição mundial da clonagem de seres humanos que faculta aos países-membros a decisão sobre a pesquisa com células-tronco. Oficialmente, o Brasil continua alinhado com os países mais progressistas — como Bélgica, Cingapura, Japão, Cuba, China, Suécia — e contra a posição dos Estados Unidos, que querem um tratado proibindo todo tipo de clonagem, inclusive para fins terapêuticos.
— O Brasil não mudou de posição. Não co-patrocinou a proposta porque a Lei de Biossegurança estava sendo discutida no Congresso. E se o projeto não fosse aprovado? — diz o secretário Sidney Romeiro, que representa o país nas negociações da ONU sobre clonagem.
A posição foi entendida por alguns países como um recuo do Brasil, um indício de que os brasileiros poderiam vir a mudar de posição por pressões da Igreja Católica e de evangélicos, cujos representantes são mais próximos do governo Lula do que foram da administração Fernando Henrique Cardoso.
No ano passado, Brasil co-patrocinou a proposta.
Co-patrocinar um texto significa que o país concorda com tudo o que está escrito na resolução. Não co-patrocinar significa um apoio não tão completo à proposta. Diplomatas estrangeiros que perceberam um recuo na posição brasileira argumentam que em 2003 o país co-patrocinou a proposta da Bélgica, apesar de a Lei de Biossegurança já estar no Congresso.
— O Brasil apoiou milhares de resoluções e não as co-patrocinou — explica Sidney.
Por falta de consenso, a votação na ONU foi adiada para fevereiro. Todos os países concordam em assinar um tratado proibindo a clonagem para reprodução de seres humanos, mas a discussão sobre pesquisas com células-tronco de embriões clonados ainda gera polêmica.
Os grupos religiosos entendem que fere a ética clonar embriões porque, para eles, existe vida humana a partir do momento da concepção. Os cientistas argumentam que a proibição de pesquisas com células-tronco bloquearia os avanços da ciência no tratamento de câncer, diabetes, mal de Parkinson e na recuperação de lesões na coluna vertebral. Há quatro anos o debate ocorre na ONU. A proposta da Bélgica é que os países-membros assinem um tratado banindo a clonagem reprodutiva e deixando os Estados decidirem se querem proibir, regulamentar ou fazer uma moratória da pesquisa com células-tronco. A Costa Rica, apoiada entre outros por EUA, México, Argentina, Portugal e Vaticano, propõe um tratado mundial banindo toda e qualquer clonagem.
Fonte: O Globo.
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