sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Crônica de Natal (de novo)
16/12/2004 - Luis Fernando Veríssimo

Tenho inveja dos cronistas novos. Não porque eles não sabem que todas as crônicas de Natal já foram escritas e podem escrevê-las de novo. Mas porque podem fazer isto sem remorso.

Tem a crônica de Natal tipo "o que eu gostaria que Papai Noel me trouxesse". A Luana Piovani ou um fac-símile razoável, a paz entre os povos, um centroavante para o Internacional (ou um fac-símile razoável) etc.

Tem as infinitas variações sobre problemas encontrados por Papai Noel no mundo moderno (seu trenó levado num assalto, sua dificuldade em se identificar em portarias eletrônicas, protestos de ambientalistas contra o seu tratamento às renas, suspeita de exploração de trabalho escravo, suspeita de pedofilia etc).

Tem as muitas maneiras de atualizar a história da Natividade (Maria e José em fila do SUS, os Reis Magos chegando atrasados porque foram detidos por patrulhas israelenses ou militantes palestinos, Jesus vítima de uma bala perdida).

Tem as versões diferentes da cena na manjedoura, inclusive - juro que já li esta, se não a escrevi - narrada do ponto de vista do boi.

Todas já foram feitas.

Há tantas crônicas de Natal possíveis quanto há meios de se desejar felicidade ao próximo. Os cartões de fim de ano são outro desafio à criatividade humana. Pois todas as suas variações também já foram inventadas. Quando eu trabalhava em publicidade, todos os anos recebia encomendas de saudações de Natal e Ano-Novo "diferentes", porque os clientes não se contentavam em apenas desejar que o Natal fosse feliz e o Ano-Novo fosse próspero. Uma vez sugeri um cartão de Natal completamente branco com a frase "Aquelas coisas de sempre..." num canto, mas acho que este foi considerado diferente demais. E dê-lhe poesia, pensamentos inspiradores, má literatura e a busca desesperada do diferente. Um cartão em forma de sapato, de dentro do qual saía uma meia: a meia para o Papai Noel encher de presentes e o sapato para entrar no Ano-Novo de pé direito. Coisas assim.

Enfim, tudo isto é apenas para desejar a você... Aquelas coisas de sempre.

(O Leitor Mais Atento, sempre uma ameaça, talvez tenha notado que até esta crônica sobre a falta do novo em crônicas de Natal não é nova.)

Fonte: Jornal Zero Hora

Europa analisa ropinirole (Glaxo) para síndrome das pernas inquietas (RLS)
Dez 16, 2004 – Londres - O Comitê de Produtos Medicinais para Uso Humano iniciou um referendo comunitário quanto à eficácia e segurança do produto – conhecido pelas marcas comerciais de Requip e Adartrel. (...)

Porta voz da agência disse que o ropinirole já foi aprovado na França mas houve diferenças de opinião entre os membros que o analisaram acerca dos benefícios do produto. (...)

Trata-se de um agonista dopaminérgico já usado para Parkinson.

Leia aqui=> EU panel probes Glaxo restless leg syndrome drug.

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