quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Sugestão para presentes
09/12/2004 - Luis Fernando Veríssimo - Aproxima-se o Natal, aquela data em que a humanidade se une num só sentimento, a dúvida sobre o que dar de presente a crianças em idade pré-eletrônica e velhos em idade pós-bebida alcoólica. Principalmente aos velhos.

Velhos geralmente ganham meias no Natal. Antes ganhavam gravatas, loções de barbear ou carteiras, quando ainda achavam que eles poderiam sair de casa, precisavam cheirar bem e tinham uma vida econômica. Depois só ganhavam meias, progredindo para um último estágio antes de não receber mais nada, que era o das meias de lã.

Mas já escrevi que existem, sim, presentes para velhos que passaram a etapa da meia de lã. São as caixinhas para remédio. Você sabe que entrou numa fase especial da existência quando seus presentes se dividem entre meias de lã mais grossa e estojos para as suas pílulas. Quando ninguém tem mais dúvidas de que sua principal preocupação na vida, além de manter os pés quentes, é ter seus remédios todos juntos no bolso.

As caixinhas para remédios têm um significado simbólico. Fecham um ciclo. Na nossa primeira infância não nos interessávamos muito pelos nossos presentes e sim pelas suas embalagens. Muitas vezes o carrinho de corrida era atirado longe e brincávamos com a caixa em que ele viera - como se ela fosse um carrinho de corrida, claro. A caixinha para remédios é a embalagem que recupera seu prestígio conosco. Ganhar uma caixinha para remédios na velhice é como ganhar só a caixa, sem o brinquedo, na infância. Também damos mais atenção ao invólucro do que à sua utilidade. Só que desta vez não é irracionalidade infantil, é fingimento.

Não sei se existe uma relação direta, mas, quanto mais ornamentada a caixinha (quadrada, redonda, oval, funcional, florentina), mais forte os remédios que ela carrega e mais crítica a saúde do portador. O objetivo da caixinha incrementada é desviar a atenção dos remédios para a bijuteria que os contém. E nos consolar, sugerindo que no fundo todos invejam a nossa necessidade de termos tantos remédios à mão, como pretexto para uma caixinha daquelas.

Ouvi dizer que já existem caixinhas para remédio musicais. Aí, claro, é preciso ter muito cuidado na escolha da música que toca quando se abre a caixinha. Não deve ser nada tão frívolo que pareça insensibilidade, ou fúnebre que pareça gozação.

já tenho minha "caixinha" ..., rir da própria desgraça ainda é um bom remédio, e este não cabe na caixinha ...

Fonte: Jornal Zero Hora de 09/12/20004.

Droga para Alzheimer talvez possa ajudar no Parkinson
Dec 8, 2004 - BOSTON (Reuters) – A droga Exelon, prescrita para para recuperação da memória em pacientes com Alzheimer, pode também oferecer alguma ajuda para pacientes que desenvolvem demência em Parkinson, disseram pesquisadores nesta quarta-feira. O grau de melhora ainda é assunto em debate. (...)

Leia na íntegra, em inglês, aqui => Reuters.

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