quinta-feira, 24 de março de 2005

Amiga DALVA,

As nossas vidas estão repletas de marcos físicos ou psicológicos que derivam dos nossos actos e do nosso livre arbítrio.

Cada gesto, cada acção tomada em dado momento tem sempre uma causa efeito. Todos os nossos passos, todos os nossos gestos interagem e agem com os outros, com a natureza, com toda a terra e com o próprio universo.

Todos somos filhos de uma energia, ou de um Deus qualquer, que tem uma dimensão celestial.

Por isso somos nós próprios uma parte da expressão da vontade do Universo.

Se eu não estivesse parado por aqui para te escrever teria feito qualquer outra coisa. Teria passado no jardim e arrancado qualquer erva daninha, teria partido mais cedo e cruzado com alguém que, por lhe ter parado o passo, irá chegar atrasado ou adiantado a um qualquer lugar. Este simples facto desviante foi o bastante para que lhe acontecesse aquilo que não iria acontecer se não me encontrasse.

Uma simples pedra no chão pode alterar as nossas vidas.

É verdade que não podemos pensar assim.

É claro que se assim pensarmos estaremos a modificar a vontade expressa da natureza. Se vou por ali por onde os meus passos me conduzem, eu não me sinto culpado pelo que virá a seguir. Mas se desvio os meus passos no propósito de que não deveria ir por aí, e fui, estou conscientemente a agir contra a natureza. Então se fui por além e o meu sentido me diz que não devo ir, devo ter a coragem de assumir as consequências. - Boas ou más.

Tudo o que é consciente, tudo o que é propósito ou despropósito tem uma consequência desviante na natureza das coisas.

Vem tudo isto a propósito do trabalho que nos deixaste no blog de Parkinson.

Em primeiro lugar quero agradecer este teu trabalho, esta tua mensagem positiva. Quero dizer que não tenho qualquer dúvida que, mesmo sofrendo, se encararmos o nosso karma sem fatalismos, os restantes dias das nossas vidas serão menos amargos.

Não existe qualquer dúvida que só interiorizando uma enorme espiritualidade seremos capazes de superar as nossas dúvidas, os nossos amargos de boca e, deste modo, enfrentaremos melhor os obstáculos que nos surgem todos os dias.

Há uns anos frequentei um curso de yoga. Aprendi a meditar com os olhos abertos e atingi uma paz interior que tanto me fez bem. Lendo este teu trabalho vejo que necessito de revisitar a yoga e, acima de tudo, entender que a minha Parkinson não me pode tomar, fazendo de mim um farrapo.

Em boa hora, querida Dalva Molnar, interagiste com a minha vida.

Desejo-te e desejo, a todos, uma Santa Páscoa, que o “lume novo” ilumine as nossas vidas e nos traga de volta a nossa qualidade de vida e a alegria de viver.

Sejamos felizes se tempo houver,

Rogério Martins Simões

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