Para quem não sabe, as sensações do mal de Parkinson, desde os casos menos graves até os mais severos, são tremendamente desconfortáveis, porque causam uma depressão orgânica, tremor, dificuldades de coordenação motora, problemas de deglutição e fala, dificuldades de movimento, chegando à impossibilidade da realização de determinadas funções. Mas a incapacidade de realizar certos movimentos, como caminhar, carregar objetos, escrever, levar a comida à boca, escovar os dentes e outras habilidades comuns não são constantes. Há momentos de quase total impossibilidade, intercalados com horários de "normalidade". Isso faz com que o doente sofra mais, porque nem sempre esses horários são bem definidos.
Os sintomas indesejáveis provocados pelos medicamentos são muitos e por isso os pacientes têm dificuldade em aceitá-los. Como a maioria dos medicamentos causa um certo grau de excitação mesclado com sonolência, pode-se imaginar o esforço que os pacientes fazem no dia-a-dia para obterem um relativo grau de controle e independência.
Por isso, tem-se grande esperança de que a injeção de células-tronco em vasos sangüíneos periféricos as encaminhe aos locais em que houve degeneração, propiciando a recuperação dos tecidos e conseqüentemente o desaparecimento dos sintomas.
E, neste momento, está na dependência do Congresso Nacional a decisão sobre a utilização das células-tronco em pesquisas, misturando-se resistências religiosas com fantasias relativas a clonagem e outras encrencas políticas.
Não são muito simpáticas as medidas provisórias. Há muito que os nossos políticos falam mal, mas não acabam com elas. Esse seria um assunto para uma medida provisória, uma compreensão apropriada do Executivo e do Legislativo em abstrair os ganhos e perdas políticas, fazendo com que urgentemente seja aprovada.
Sabemos da pouca importância do assunto, comparando-o com os demais problemas que precisam ser equacionados no país. Mas deixem esse de lado. Aprovem e permitam que os nossos pesquisadores se encarreguem do resto.
RONALD PAGNONCELLI DE SOUZA/ Médico
Fonte: Jornal Zero Hora de 02/03/2005.
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