CÉLULAS EMBRIONÁRIAS (Carta aberta da ABP)
"Em sua carta (A3 - 28/2) a leitora Maria Esther Leme Brito, invectivando contra a matéria da dra. Mayana Zatz, e invocando a ficção de um filme, se insurge contra a posição daquela cientista; procura ela defender a proibição das pesquisas com células embrionárias, ora em discussão na Câmara dos Deputados.Pela maneira de abordar, revela que integra o grupo de pessoas vinculadas a grupos religiosos contrários a essa prática.Peço vênia para aqui invocar as judiciosas considerações estampadas por esse prestigioso Jornal em seu editorial "Vitória da fronda do atraso" (in A3 19.9.04) quando diz
"...em relação às pesquisas com embriões quando ainda não passam de um aglomerado de uma centena de células, a pressão da Igreja Católica e dos evangélicos reduziu o parecer de Rebelo a um restritivo pastiche sem nexo que horrorizou os cientistas a ponto de se abalarem a Brasilia para impedir que a enormidade se transformasse em lei. O caso é cristalino. De mesma forma, por exemplo, que Testemunhas de Jeová objetam a transfusão de sangue, mas nem por isso são proibidas por lei, o Estado tampouco pode proibir pesquisas para a criação de tecidos aptos a curar doenças degenerativas e não raro mortais, além de patologias provocadas por acidentes. Quem considerar que ouso de embriões indiferenciados, descartados em clínicas de fertilização, ou obtidos mediante clonagem terapêutica, vai de encontro às suas convições religiosas tem todo o direito de recusar o tratamento médico que poderá advir desses estudos. Mas, não sendo o Brasil uma teocracia, ninguém tem o direito de impor as verdades de sua fé a toda a população, manietando pesquisas legítimas e promissoras para a humanidade - e obrigando cientistas a migrar em busca de ambientes mais arejados..."
Dona Maria Esther não deve ter ninguém em seu lar que seja portadora de uma patologia degenerativa e incurável. Convido-a a visitar nossa Instituição para sentir de perto o drama vivenciado por pessoas acometidas de uma insidiosa doença e que deverão carregar pelo resto de suas vidas, as quais poderão ser beneficiadas pelas pesquisas em questão.Pois em caso contrário, poderia ela sentir o drama de famílias que se vêm a braços com o sofrimento e a angústia de um ente querido, impotentes para mitigar a dureza da realidade do dia a dia.As várias enfermidades hoje sem perspectivas de cura abrangem um contingente de algumas dezenas de milhões de brasileiros, uma parcela ponderável da população, que alimentam a esperança retratada no projeto de biossegurança ora em debate no Congresso Nacional. Não devem elas ser condenadas por todas suas vidas, a suportar patologias até hoje incuráveis.A pesquisa com células embrionárias abre uma perspectiva para a humanidade, haja à vista que vários países, conforme noticiado pela imprensa, estão revendo suas posições a fim de permitir a cura ou eventualmente as buscas de tratamento das doenças e minorar seu sofrimento. O que poderia inclusive mitigar as consquências atuais de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, nosso Irmão de infortúnio."
ASSOCIAÇÃO BRASIL PARKINSON
Samuel Grossmann, Presidente
RG 1577826 - OAB 11827/SP
Rua José Maria Lisboa 1035 apto. 112
01423-001 São Paulo
(Texto de carta encaminhäda hoje pela ABP ao jornal O Estado de São Paulo)
Este Blog, criado em set/2001, é dedicado às Pessoas com Parkinson (PcP's), seus familiares, bem como aos profissionais da saúde que vivenciam a situação de stress que acompanha a doença. A idéia é oferecer aos participantes um meio de atualizar e de trocar informações sobre a doença de Parkinson e encorajar as PcP's a expressar sentimentos no pressuposto de que o grupo infunde esperança, altruísmo e o aumento da auto-estima. E um alerta: Parkinson não é exclusividade de idosos!
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