segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Escolher comida ou medicamentos / Portugal
2005-09-26 - A redução da comparticipação de 100 para 95 por cento de 388 medicamentos – decidida pelo ministro da Saúde, Correia de Campos (notícia publicada neste Blog em 16/09/2005) – coloca em risco de vida muitos doentes. O alerta parte de médicos e associações de pacientes, que já ouviram queixas de quem não pode comprar remédios. Mesmo cinco por cento sobre o preço de fármacos caros fazem diferença, quando é preciso esticar a reforma para pagar a conta na farmácia. Assim, torna-se necessário escolher entre comprar medicamentos e alimentação devidamente. (...) À Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson já chegaram pedidos de ajuda – monetários e de influência – para reverter a decisão de Correia de Campos. Duarte Abreu, da associação, conta ao CM os pedidos. “Estamos alarmados. Muitos doentes pedem-nos ajuda porque não podem pagar os remédios e têm de comprar sete ou mais, alguns para anular efeitos secundários dos outros. Sei de pessoas que vão parar os tratamentos”. Segundo o responsável, que sofre da doença há seis anos, pagar cinco por cento de um medicamento contra a Parkinson pode representar 20 euros, o “que é incomportável”. Um valor a multiplicar por vários remédios. (...) Ermelinda Duarte tem 58 anos e é doente de Parkinson há 19. Sofre, além disso, de insuficiência cardíaca, que a dificuldade com que respira torna evidente a quem conversa com ela. Ermelinda recebe 386 euros de reforma e, todos os meses, gasta 70 na aquisição de medicamentos para o coração. Não sabe onde há-de ir buscar o dinheiro para comprar os ‘antiparkinsónicos’, até agora gratuitos. Só vê uma possibilidade. “Tenho de cortar na comida.” Ermelinda fica nervosa quando percebe que vai ter de pagar os remédios contra a doença de Parkinson. O nervosismo torna-lhe a respiração mais custosa. “Não posso tratar da casa e já prescindi do serviço da senhora das limpezas porque não podia pagar-lhe.” Faz contas à vida para concluir, mesmo sem ter ideia do que lhe vão custar os ‘antiparkinsónicos’: “Por pouco que possa parecer será muito para mim.” (...) Duarte Abreu, da Associação dos Doentes de Parkinson, critica o ministro por não reconhecer a doença como crónica, “evitando dar benefícios aos doentes”, que se estima serem entre 15 a 20 mil no País. (segue...) Fonte: Correio da Manhã.
Nossa solidariedade às PcP's portuguesas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.