segunda-feira, 29 de maio de 2006

Retratos da vida
Outro dia, Paulo José, 69 anos, que há 13 enfrenta o mal de Parkinson, emocionou amigos no Mistura Fina tocando ao piano “Passarim”, de Tom Jobim.

O ator é um belo exemplo de vida. Já doente retomou o estudo de piano que tinha parado aos 14 anos. O gosto pela música ele herdou da mãe, a pianista espanhola Maria del Carmen, hoje com 94 anos.

Paulo José, salve ele!, conversou com a turma da coluna:

Por que você voltou a estudar piano?
— Quando descobri que tinha Parkinson, fui obrigado a fazer uma série de exercícios diariamente. Como sempre gostei de piano, voltei a estudar para exercitar as mãos. Não toco como um concertista. Eu converso com a música.

Que tipo de música você gosta de tocar?
— Sou um jobinófilo, adoro harmonias delicadas. O “Passarim”, por exemplo, foi abertura de “O tempo e o vento”, dirigida por mim na Rede Globo.

A doença fez você descobrir outras coisas?
— A doença me interiorizou. Fiquei menos exibido, menos festivo. Passei a escrever. Antes, eu me torturava para escrever qualquer coisa. Hoje me divirto. Digo que tenho “Parkinson de diversões”.

Como você luta contra a doença?
— Procuro não perder muito tempo, sou mais seletivo. A gente começa a ver que a morte está se aproximando. Um dia, você se olha no espelho e pensa “quem é este velho? Estou parecendo o meu pai”. Hoje, eu tenho um projeto por dia para ser executado. Os sonhos te animam para a vida.

Fonte: O GLOBO, Edição: 1, Página: 27, Coluna: Ancelmo Gois, Seção: Caderno: Primeiro Caderno

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