segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Depressão bipolar danifica DNA, mostra estudo no RS
29/10/2007 - O distúrbio bipolar - transtorno que causa crises alternadas de depressão e de hiperatividade maníaca- pode desencadear uma série de doenças não-psiquiátricas por meio da deterioração do DNA. Ao demonstrar o mecanismo celular por meio do qual o problema ocorre, um grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul propõe uma mudança no tratamento de pacientes bipolares. (...)

"Quando a mitocôndria está desfuncional --ou por estar sendo superexigida ou por estar sofrendo algum tipo de toxicidade externa- ela acaba liberando mais radicais livres", explica o pesquisador. Radicais livres, uma classe de moléculas extremamente reativas, causam então o dano ao DNA, por meio de oxidação. (...)

"O endotélio [tecido dos vasos sangüíneos] é muito sensível à toxicidade, seja ela por oxidação ou outro tipo", diz o cientista. "E o estresse oxidativo produz um envelhecimento acelerado, então ocorreria também uma prevalência maior de doenças ligadas ao processo natural de envelhecimento."

Mudanças no tratamento
Segundo Kapczinski, a descoberta reforça a importância de antecipar o tratamento. "Temos uma parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e eles têm um grupo de pacientes bipolares que acabaram de apresentar o primeiro episódio [crise], já os nossos pacientes aqui tiveram vários", conta.

"A gente está comparando os dois grupos, e há uma evidência boa de que o estresse oxidativo está bem mais aumentado naquele que tem doença mais avançada."

A rapidez em diagnosticar e tratar também ocorre porque entre os males causados pelo estresse oxidativo está a morte de neurônios em áreas importantes para a consciência. "Se o indivíduo tem um dois episódios [crises da doença bipolar] e começa a tratar, ele tem chances muito boas de nunca mais ter episódios na sua vida", afirma o pesquisador. "Mas essas medicações não restauram o sistema nervoso." (segue...) Fonte: Folha de S.Paulo.

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