
“3 de Maio de 2008
O PEQUENO PRÍNCIPE DA DP PARTIU
Marco Bergeron morreu nos braços do rio Sainte-Anne,
perto de Sainte-Christine D´Auvergne, Quebec
Meu irmão morreu esta manhã
nada o trará de volta.
Mas eu queria que as pessoas soubessem por alguém que o acompanhou de perto
o inferno que viveu,
porque se ter esta doença é duro por si só,
verdadeiranente, sim, verdadeiranente,
com o silêncio sobre as complicações do seu tratamento,
a doença de Parkinson torna-se algo aterrador.
Me reporto, em memória de Marco, às palavras do irmão de Jean-Denis, morto em Julho de 2006, com a mesma idade de Marco, na faixa dos quarenta, pelas mesmas razões e dentro do mesmo inferno.
Marco era o Pequeno Príncipe da DP, todos que o conheciam tratavam-no assim, pois respeitavam-no como a um lutador. E mesmo entre seus amigos que não conheciam a “orla da DP” – conforme se lê em seu site -
Ele me disse há alguns meses:
"Veja, olha o que "eles” fizeram comigo, sou descartável".
Marco nada mais tinha a perder. O inferno de complicações psíquicas dos agonistas dopaminérgicos lhe tinham arrancado tudo e a vida era-lhe demasiado pesada. Morreu nos braços daquilo a que sempre dedicou seu amor, em que confiava que continuaria assim indefinidamente, seu Rio.
Marco pretendia que criássemos juntos um site de depoimentos de francófonos, de modo a impor a verdade e suprimir de uma vez os riscos envolvidos. Ele estava ferido terrivelmente no que tinha de mais fundamental, sua honra de homem, sobretudo a de pai que queria ser para sua prole. Apesar do seu conhecimento do problema, carregava uma enorme vergonha de não ter podido ser forte o bastante para superar os efeitos colaterais e às perturbações compulsivas dos agonistas dopaminérgicos. A realidade e suas conseqüências o tinham quebrado moralmente.
Marco não morreu da DP, mas da cegueira dos homens e sua total falta de humanidade....
Agradeço a quem transmitir aos filhos que ele queria tanto, à princesa Sofia, sua filha, e ao príncipe Felipe, seu filho, que Anne Zé Fee irá vê-los no verão em Montreal. Promete e jura: o pai de vocês era um verdadeiro rei, sobretudo, não duvidem disto JAMAIS.
Eu os abraço afetuosamente, assim como a sua mãe, Raquel, esperando que um dia compreenda esse intolerável imbróglio. E viva apesar dele ser inaceitável...
Até mais ver, Marco, até mais irmãozinho. Danças já, flutuando bem alto com Denis Rocheleau e todos os nossos amigos, “borboletas” que alçaram vôo.
A Deus
Anne
"Qu'il était bleu, le ciel, et grand, l'espoir !
L'espoir a fui, vaincu, vers le ciel noir."
Verlaine”
Fonte: Parkemedia
Trad.: MDS
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