O ADEUS DE PASSEMOTS
“O RIO RETOMOU SEU FILHO...
Marco, o rapaz que todos queriam como amigo, aquele que jamais dizia não, apesar de tudo reencontrou-se sozinho com a sua solidão, sua doença e... seu rio. Guardo a lembrança de um homem que soube manter-se "livre" para falar a verdade das coisas, mesmo aquelas que ninguém queria ouvir. Neste mundo onde se é respeitado se dissolvido na massa; sem agitar demasiado a ponto de poder enlamear os gigantes ávidos de lucros, que determinam as regras do jogo.
Uma provação pior que a doença, embora com ela relacionada, é a confusão em nossas vidas. Vivemos deslocados, no inferno dos efeitos secundários dos agonistas. À época, nada mencionava os efeitos graves provocados pelo medicamento, testado, aprovado e apresentado aos neurologistas como "a solução” perfeita, sobretudo no início do tratamento. Não surpreende que tanto jovens pacientes tenham sido atingidos.
A vergonha, as lesões afetivas, o julgamento, a punição, o sofrimento, a solidão, teu corpo que lutava contra tua raiva de viver razão de tua moral não impediu de ali residir um homem lúcido, articulado, apaixonado. Quero que um dia as pessoas compreendam e aceitem que eras como muitos de nós impotente diante dos fantasmas que tomaram o controle de tua vida. Esses fantasmas tornam-nos loucos, fazendo de nós autômatos que vivem num mundo paralelo que nada tem a ver com a realidade. Autômatos, que ferem as pessoas de quem gostam. Autômatos que, uma vez caçados os fantasmas, voltam a ser entes humanos.
Os vícios desaparecem com o desmame, entretanto as devastações são permanentes. Coletamos os potenciômetros quebrados, realizamos todo o mal que se fez em redor de nós. Submetemo-nos ao julgamento dos outros, a vergonha e a tudo que possa destruir uma confiança.
Teus fantasmas tomaram o que tinhas de mais precioso. O Marco que nunca dizia não, o que tinha valores familiares; marido, pai, homem respeitado e respeitável, foi julgado. Os fatos estavam lá, efetivamente reais e tinhas que encarar as conseqüências.
Só os fatos foram considerados, o porquê não tinha importância, não era necessário falar. Não era necessário inclusive contar o que quer que fosse para defender-te; Aqueles e aquelas que tinham o poder ou o dever de fazê-lo não eram livres. Tinham vendido a sua alma ao diabo.
Marco, não cairás no esquecimento! É uma promessa! Os responsáveis e seus cúmplices, voluntários ou não, terão contas a ajustar.
Terão sua vez...
Serei eternamente grata à vida que permitiu nosso encontro...”
Jocelyne Gouge | Homepage | 05.06.08 - 4:13 pm | #
Fonte: Parkemedia
Trad. MDS
Este Blog, criado em set/2001, é dedicado às Pessoas com Parkinson (PcP's), seus familiares, bem como aos profissionais da saúde que vivenciam a situação de stress que acompanha a doença. A idéia é oferecer aos participantes um meio de atualizar e de trocar informações sobre a doença de Parkinson e encorajar as PcP's a expressar sentimentos no pressuposto de que o grupo infunde esperança, altruísmo e o aumento da auto-estima. E um alerta: Parkinson não é exclusividade de idosos!
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