Refeito de cirurgia, Paulo José diz que ganhou segurança e volta aos palcos
21.10.09 - Um marca-passo implantado no cérebro reinventou a vida do ator Paulo José. “Eu sou biônico”, brinca o artista de 72 anos, recuperado de uma cirurgia para atenuar os efeitos do mal de Parkinson — que causa sintomas como tremores —, diagnosticado há 16 anos. A bem-humorada declaração sugere ainda seu caráter indestrutível e obstinado, definições bem mais apropriadas ao veterano ator, diretor e pensador, que sofre de um ‘mal’ progressivo e irreversível: quer viver e trabalhar intensamente, sem temer as más ondas que possam aparecer em seu percurso.Longe dos palcos há nove anos, Paulo José retorna sexta-feira em ‘Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar’, que inaugura o Teatro Oi Futuro, em Ipanema. Na peça em homenagem à poeta morta na década de 80, o ator divide a cena com Ana Kutner — uma de suas três filhas do casamento com Dina Sfat —, a quem também dirigiu. “A vida é feita de acasos. Quem planeja já sabe que vai dar errado. A ideia de fazer o espetáculo está rolando há tempos”, diz Paulo, que atribui à última cirurgia a segurança para voltar às temporadas teatrais. “A operação me fez muito bem e me senti apto a voltar, pois agora controlo melhor os movimentos”, explica.
No tempo de cortinas fechadas, Paulo esteve (muito) envolvido com cinema, TV e projetos da cena cultural, e não perdeu a leveza. “É meu ‘Parkinson de Diversões’. Eu me dou bem com a doença. Quando as peças estão saindo da garantia, com a idade, vão aparecendo os problemas. Tem gente que tem gota, o fígado está um patê... A doença é degenerativa, mas o envelhecimento o é”, resume, sabiamente.
PAULO QUASE SE AFOGOU
A filha companheira de cena é também parceira de vida — “Temos ligação forte demais”, diz Ana — e dá sermão quando necessário. Em fevereiro, quando o ator quase se afogou nos mares da Bahia, em intervalo das filmagens de ‘Quincas Berro D’água’ (Sérgio Machado), Ana assumiu o papel de mãe autoritária. “Soube pelo ‘Jornal Nacional’ e liguei desesperada. Ele me disse: ‘Mas não foi nada...”. E brincou: ‘É doce morrer no mar...’”, conta ela, interrompida pelo pai: “De fato não aconteceu nada, eu nem engoli água, mas tinha um cidadão filmando e virou uma coisa de maluco”, explica.
A preocupação de Ana se estende para o excesso de trabalho de Paulo José, recomendação que o ator pretende — “Vamos ver até quando” — acatar: “Tenho que recarregar meu chip, e minha maneira é tendo muita coisa para fazer”, diz ele, que emendará a peça com o próximo filme de Selton Mello.
ATOR FARÁ MAIS UMA CIRURGIA
Ativo, Paulo José luta há 16 anos contra o mal de Parkinson e, no final do ano passado, fez a primeira etapa de uma cirurgia de estímulo cerebral profundo. De acordo com o chefe da neurocirurgia do Hospital Geral de Ipanema, Salim Michel, esse é o procedimento mais promissor dentro das condutas de hoje.
“É colocado um marca-passo no cérebro que diminui principalmente o tremor e a agitação. A bateria precisa ser trocada com frequência”, explica o médico. Paulo José ainda vai operar o outro lado do cérebro. “Vou fazer o segundo ato, pois a melhor cirurgia é a bilateral”, diz o ator. Fonte: O Dia.
Em verdade se implantam eletrodos no cérebro e marca-passo no peito. E não troca bateria, troca todo o estimulador.
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VÍCIO
ENTREVISTA - "O mais duro foi perder o nome"
Uma advogada com Parkinson está processando um laboratório. Ela diz que o medicamento que tomava levou-a a perder R$ 1 milhão em bingos
26/04/2007 - Marli Matroni, supervisora noturna de um bingo em Campinas, deu o seguinte depoimento aos autos: "Quando eu chegava para trabalhar, às 22 horas, a dra. Maria Amélia já estava lá. Quando eu saía, às 7 horas, ela continuava jogando. Eu cheguei a pedir para a dra. ir embora, mas ela não ia. Ela apostava de R$ 20 mil a R$ 35 mil por noite. Quando o talão de cheques acabava, fazíamos vales para ela continuar jogando. Quando ela ia embora, eu ou outro funcionário a acompanhávamos até sua casa para pegar um cheque no valor do vale que estava em aberto. Ela chegava a trocar cheques de R$ 15 mil por noite".Uma advogada com Parkinson está processando um laboratório. Ela diz que o medicamento que tomava levou-a a perder R$ 1 milhão em bingos
Maria Amélia diz ter notado os primeiros sintomas de Parkinson em 1997. "Comecei a sentir uma rigidez nas costas. Quando andava de avião endurecia, tinha dificuldade de me mexer." Em dezembro de 1999, ela começou a usar pramipexol, em doses pequenas, que foram aumentando progressivamente. Maria Amélia diz ter entrado pela primeira vez num bingo em 2001. Ele ficava perto do flat onde vivia na capital paulista. Não parou mais de jogar até 30 de setembro de 2003. Nessa data, avisada pela família sobre o estranho comportamento da paciente, sua neurologista, Elizabeth Quagliato, suspendeu o pramipexol.
Professora do Departamento de Neurologia da Unicamp, Elizabeth Quagliato apresentou o caso no Congresso Brasileiro de Neurologia, em 2004. Mas não quis falar sobre a paciente. Alegou impedimento ético. Em relatório médico, datado de 1o de março de 2004, a neurologista afirma: "A paciente, portadora de doença de Parkinson em fase avançada, apresentou durante o período em que usava pramipexol (Sifrol) quadro característico de jogo compulsivo. Após a suspensão desse medicamento, a compulsão pelo jogo cessou. Em nenhum momento anterior ao período em que usou Sifrol a paciente apresentou tendências ao jogo compulsivo".
Depois de suspender o uso do medicamento, Maria Amélia afirma ter percorrido alguns bingos. "Eu queria ter certeza de que jogava por causa do medicamento. Me sentei na frente das máquinas, mas não joguei", diz. Em seguida, procurou neurologistas e psiquiatras que confirmaram a conexão entre o pramipexol e o jogo patológico. No processo, o neurologista Carlos Rieder, doutor em Neurologia pela Birmingham University, diz que em seu caso "o jogo patológico deve ser decorrente do emprego do pramipexol". A opinião é compartilhada por outro neurologista de renome, Telmo Tonetto Reis.
A primeira pesquisa que despertou a atenção da comunidade científica internacional foi feita pelo Centro de Pesquisas de Doença de Parkinson Muhammad Ali, em Phoenix, nos Estados Unidos. Os pesquisadores acompanharam 1.884 pacientes de 1o de maio de 1999 a 30 de abril de 2000, divididos em três grupos tratados com medicamentos diferentes. Dos nove pacientes que apresentaram compulsão ao jogo, oito haviam tomado pramipexol. Seis deles pararam de jogar após trocar de remédio e um sétimo não suportou uma mudança na terapia, mas apresentou melhoras com a redução da dosagem. Outros dois precisaram de intervenção psiquiátrica adicional e tratamento com estabilizadores de humor. Um deles abandonou a terapia e cometeu suicídio após uma recidiva do jogo patológico. O trabalho foi publicado em 2003, com uma ressalva importante: a incidência de jogo patológico entre os pacientes tratados com pramipexol foi de 1,5% - apenas um pouco mais elevada que o pico encontrado entre a população geral naquela data, que variava de 0,3% a 1,3%.
Quase um ano depois, em 7 de junho de 2004, o laboratório afirmou a Maria Amélia que desconhecia qualquer relação entre o remédio e o jogo patológico. Em papel timbrado da Boehringer Ingelheim, seu diretor-médico, José Carlos Breviglieri, e o gerente-médico, Marco Marchese, diziam: "Confirmamos nossa resposta anterior de não termos recebido notificação de nenhum caso de compulsão por jogo desencadeada pelo Sifrol, por outros produtos à base de pramipexol ou por qualquer outro agonista dopaminérgico".
Em 14 de novembro de 2005, o laboratório protocolou, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a seguinte alteração da bula: "Conforme dados da literatura, drogas com ação dopaminérgica, usadas para o tratamento sintomático da doença de Parkinson, especialmente em altas doses, podem provocar comportamentos compulsivos (jogos patológicos), geralmente temporários e reversíveis com a suspensão do tratamento". (...) Fonte: Época.
Notícia velha, mas é um alerta, pois tem muita gente usando Sifrol!
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