Medicina personalizada: a cura está nos seus genes
07/12/2009 - São Paulo - Você entra no consultório e a primeira ação do médico é pedir seu mapa genético. Com ele em mãos, indica o medicamento mais eficaz para tratar sua doença. Ou, com as informações contidas no seu DNA, sugere tratamentos preventivos e a adoção de um estilo de vida que evitem problemas aos quais você tem predisposição. Bem-vindo ao mundo da medicina personalizada - o método no qual diagnósticos e tratamentos são adaptados à genética de cada um.Para alguns, realidade próxima; para outros, sonho distante. O fato é que a medicina genética avança a um ponto em que, segundo os estudiosos, vai permitir um conhecimento tão profundo de cada pessoa que o médico vai saber de coisas que hoje só se acerta por probabilidade. “A medicina personalizada veio para ficar”, diz Fernanda Teresa de Lima, geneticista do Hospital Albert Einstein. “Com ela, pode-se pensar em melhor prevenção, tratamento e desenvolvimento de novos medicamentos.”
Até o fim do mês, o Hospital Albert Einstein põe para funcionar um dos mais modernos sequenciadores genéticos do País, o Solid 3dx. O equipamento tem capacidade para mapear o DNA de um ser humano - que tem 3,3 bilhões de pares de bases - em 20 horas. Por enquanto, só será usado para pesquisas científicas (como para estudos de câncer e doenças como Parkinson e Alzheimer). Mas está se aproximando em boa velocidade o dia em que essa moderna ferramenta estará disponível aos médicos para o atendimento aos pacientes. (segue...) Fonte: Abril.
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Alterando nossa realidade várias vezes ao dia
(...) O dilema tem dois pontos de vista diferentes: o farmacêutico e o filosófico. No ponto em que estamos, o filosófico pode chegar a uma resposta melhor. Aqui vai o problema: escolha seu veneno ou, mais precisamente, escolha sua cinesia: bradicinesia ou discinesia. Você pode ser uma dessas duas pessoas, ambas sentadas em uma cadeira no meio de uma sala. A distância até a porta é de uns quinze passos. Para um paciente de Parkinson não medicado, que tem que lidar com a bradicinesia, movendo-se para a frente em linha reta, desde que consiga levantar da cadeira, ele deverá dar uns cinqüenta passos meio mancos, indecisos e arrastados, e levará um certo tempo para chegar à saída. Uma vez lá, provavelmente não conseguirá fazer o quase impossível movimento do pulso para girar a maçaneta. O outro, o paciente com discinesia profunda, também deverá dar uns cinqüenta passos, mas nem uma arma de choque o faria andar em linha reta. Seus passos são rápidos, selvagens e circulares, com um dramático balanço de um lado para outro, corrigido com um ocasional passo para trás. (...) Essa jornada pode levar o paciente discinético aos dois cantos da sala e a encostar em todas as paredes antes de chegar à porta; ele baterá algumas vezes na maçaneta até conseguir segurá-la e abrir a porta sem a opção “nenhuma das anteriores”, qual dos dois dilemas você preferiria enfrentar?Nós, pacientes de Parkinson, a não ser por aqueles momentos cada vez mais ilusórios de “ligado”, quando os remédios funcionam e os sintomas ficam controlados, podemos ser as duas pessoas descritas, alterando nossa realidade várias vezes ao dia. Mas, se tiver de escolher, prefiro a discinesia. Alguns passos falsos infelizes, batendo e cortando minhas pernas nas cadeiras, a cabeça rolando como uma bola em um barco – é um preço baixo a pagar por conseguir chegar à porta e abri-la, com a esperança renovada pelo que pode haver do outro lado dela. Tendo dado uma tarefa à minha mente, pouco me importa que tipo de dança tenho que fazer primeiro. Fico feliz de apenas poder andar, falar, sentar e ficar em pé, apesar de fazê-lo com meu outro corpo britânico que tem discinesia. Em geral, como fiz naquele dia no Waldorf, esqueço-me do fardo que carrego e mostro-o ao mundo. Também aprendi a ter recursos e a fazer ajustes. (...)
Trecho de “Um otimista incorrigível”, pág 120/1.
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