sábado, 15 de maio de 2010

COMPORTAMENTO / Antídoto para a solidão
Cães e gatos podem ajudar idosos a evitar a depressão e a melhorar o quadro de doenças crônicas
15 de maio de 2010 | É assim que a culinarista Maria Carmelita Pinto da Costa, 61 anos, descreve a importância do cachorro que lhe faz companhia há três anos, desde filhotinho:

– Se não fosse o Beethoven, acho que eu teria até entrado em depressão.

Acostumada com a correria de uma rotina de trabalho fora de casa, Carmelita estranhou a monotonia do dia a dia menos conturbado quando parou de trabalhar, há cinco anos. Foi Beethoven, um labrador brincalhão e carinhoso, que a ajudou a se adaptar à nova vida.

– No início, me senti isolada porque não trabalhar nos entristece. Mas com ele o dia é muito animado. Durante nossa caminhada matinal, ele é o show da vizinhança – admite Carmelita.

Muitos idosos encontram nos animais de estimação uma ótima companhia. Mas essa convivência é saudável? Segundo especialistas, o vínculo pode ser tão positivo a ponto de tratar enfermidades como a doença de Alzheimer, a partir da melhora na qualidade de vida e na saúde emocional dos idosos.

Morando com a família ou sozinho, o idoso passa a vivenciar uma fase em que a carência afetiva está em evidência, e a necessidade de algo ou alguém que preencha o vazio que as perdas ao longo da vida deixaram é cada vez maior. É o que diz a psicóloga Renata Almeida. Ela ressalta que, nessa fase, as pessoas carregam uma série de danos emocionais, em diversos aspectos, como a saída dos filhos de casa e o falecimento de entes queridos.

– Há muitos casos de depressão causada pela solidão, e animais como gatos e cachorros, que permitem mais contato físico, preenchem esse vazio que eles sentem – explica.

Em geral, a relação com animais domésticos proporciona aos idosos uma vida mais completa, por se sentirem úteis ou pelo simples prazer da companhia dos bichinhos. Carmelita diz que Beethoven não faz nada se ela não estiver junto.

– Somos muito apegados um ao outro. Ele não consegue nem comer se eu não estou por perto – afirma.

Segundo a psicóloga Renata Almeida, o fato de a qualidade de vida dos idosos hoje em dia ser melhor permite que muitos deles morem sozinhos, e não como antigamente, quando grande parte vivia em asilos ou com familiares. Segundo o geriatra Sabri Lakhdari, a solidão que muitos deles sofrem é motivada pela dificuldade de lidar com a perspectiva de menos tempo de vida. Além disso, não existe mais a necessidade de cuidar dos filhos. A companhia de animais domésticos pode preencher esse vazio e aumentar a autoestima.

Como a relação com os bichos ajuda emocionalmente, o quadro de saúde, consequentemente, melhora. Segundo Sabri, há campanhas em todo o mundo que visam a aproximação entre animais domésticos e idosos – inclusive para tratar a doença de Alzheimer. Normalmente, essa indicação esbarra na impossibilidade de acesso de animais a ambientes como hospitais.

Como fazer a escolha
> Para o veterinário Cláudio Barbosa, alguns riscos podem ser evitados na escolha do animal. Não há como definir o bicho ideal para conviver com idosos, mas optar por animais pequenos e menos ativos é mais seguro.
> Cães menores, como os das raças poodle e yorkshire, são mais afetuosos e fazem mais companhia.
> Na opinião do geriatra Sabri Lakhdari, pássaros e peixes não permitem muito contato com o dono e são menos indicados para aplacar a solidão. Mas os especialistas garantem que a melhor escolha é feita de acordo com a personalidade do dono e com o local onde ele pretende criar o companheiro.

Fonte: Zero Hora.

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