Pacientes sofrem com falta de medicamento
07/12/2010 - Os pacientes portadores da Doença de Parkinson que utilizam medicamentos com a combinação das drogas Cardidopa e Levodopa estão sofrendo com sua ausência das prateleiras das farmácias. Há cerca de um mês o remédio não é encontrado para comprar, o que tem gerado insegurança em muitos doentes. Classifico como a falta de insulina para um diabético. É de uso contínuo. Meu medo é piorar, comentou Ligia Xocaira, de 71 anos. Ela está tomando um medicamento similar, porém com dosagem diferenciada das drogas. Segundo os laboratórios brasileiros que comercializam a medicação, sua fabricação foi suspensa temporariamente -sem data para ser regularizada - por conta da falta da matéria-prima Levodopa no mercado mundial. A Associação Brasil Parkinson, grupo de apoio sediado na capital paulista, confirmou que o problema atinge todo o País.Ligia, que há 18 se trata por conta da doença e, com o uso do remédio, leva uma vida normal, diz que tentou obter mais informações junto ao laboratório e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém sem sucesso. Liguei no 0800 do laboratório e fui informada apenas que a fabricação foi suspensa por tempo indeterminado. Na Anvisa, não fomos atendidos, contou, referindo-se a ela e a um amigo médico, que também sofre da doença e, pela falta da medicação, precisou inclusive suspender seus atendimentos na área de cirurgia. Além do medo que a doença piore, a paciente se diz prejudicada pela falta de informação.Estou indignada porque não sei a quem recorrer. Meu médico já disse que não há outro medicamento igual. Para quem que a gente reclama se o laboratório diz que não fabrica mais?, questionou.
A combinação de 25 mg de Cardidopa e 250 mg de Levodopa é comercializada, no Brasil, por quatro laboratórios: Teuto (com nome de Carbidol), Cristália (Parkidopa), NeoQuímica (Parklen) e na versão genérico pelo Biosintética. Todos estão em falta nas farmácias consultadas pelo Cruzeiro do Sul - a reportagem entrou em contato com as principais redes instaladas em Sorocaba. A paciente Ligia diz que substituiu o medicamento pelo Prolopa, mas este possui apenas um dos princípios ativos. Consegui também uma caixa do Cronomet, distribuído na rede pública, mas as dosagens são diferentes, contou.
Questionados sobre o problema, alguns laboratórios se manifestaram sobre a suspensão da produção do medicamento. O Aché Laboratórios, que comercializa os genéricos da Biosintética, enfatiza que o produto não deixou de ser fabricado. A ausência em algumas farmácias se deve a um problema com a empresa fornecedora da matéria-prima. A situação será regularizada e o medicamento voltará a ser produzido em janeiro de 2011, diz nota enviada pela assessoria de imprensa. O laboratório Cristália reiterou que o medicamento Parkidopa está em falta devido a ausência da droga Levodopa no mercado mundial. Tão logo o fornecimento se normalize, o produto voltará a ser distribuído para todos os clientes, informou. A NeoQuímica, fabricante do Parklen, também confirmou esta versão e a informação de que volta a produzir o remédio no próximo mês. A Anvisa não se posicionou sobre o assunto.
Sintomas pioram
Segundo o geriatra Vicente Spínola Dias Neto é comum que alguns medicamentos sumam do mercado, por razões diversas, e depois voltem a ser distribuídos. Uma medicação chamada Sustrate, muito utilizada há décadas para tratamento cardíaco, também não está sendo encontrada. A quantidade da droga faz muita diferença no tratamento dos paciente. Se a evolução é boa com um determinado remédio, não é indicado mudar.
Spínola disse que não recebeu, ainda, nenhuma reclamação de seus pacientes sobre a falta do Cardidopa+ Levodopa nas farmácias. Esse medicamento é considerado ‘padrão ouro no tratamento da Doença de Parkinson. É muito usado pois melhora a qualidade de vida do paciente. Apesar de considerar significativa a falta nas farmácias, o médico deixou claro que, neste caso específico, não há risco de evolução da doença. Esse remédio melhora muito os sintomas, mas seu uso também acelera o desenvolvimento do Parkinson. Parar de tomá-lo significará a piora do tremor, da rigidez, mas não que a doença avançará mais rápido, muito pelo contrário, tranquilizou. Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul.br.
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