Da boca pra fora
A gagueira, distúrbio da fala abordado no filme O Discurso do Rei, continua a ser tratada como piada ou "problema emocional"
19 de fevereiro de 2011 | Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago/ Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago/ Não po-posso com a cru-crueldade da saudade/ Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago/ Tem tem pe-pena deste mo-moribundo/ Que que já virou va-va-va-va-ga-gabundo/ Só só só só por ter so-so-sofri-frido/ Tu tu tu tu tu tu tu tu/ Tu tens um co-coração fi-fi-fingido. (...)Excesso de dopamina
Calcula-se que existam no mundo cerca de 60 milhões de gagos. No Brasil o problema incide sobre 4% a 5% da população. Um dos mitos que mais reverbera sobre a gagueira é o de que ela tem origem emocional e está relacionada à ansiedade ou ao nervosismo - o que talvez explique a desenvoltura com que se brinca com o tema. Na verdade, gagueira é um distúrbio de base neurofisiológica, com forte componente genético e hereditário. Estudos demonstraram que a falha que ocorre entre o que a pessoa pensa e a resposta de suas estruturas cerebrais responsáveis pela área motora da linguagem pode estar associada a uma produção excessiva de dopamina - o contrário do que ocorre com o portador de mal de Parkinson, cujo cérebro produz pouco desse neurotransmissor. “A gente já entende o mecanismo, já sabe onde está essa falha, mas não por que ela acontece”, explica a especialista gaúcha Anelise Junqueira Bohnen. (segue...) Fonte: Estadao.
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