O Nobel brasileiro
por Marcelo Rubens Paiva30 de julho de 2011 | (...) ***
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis arregimenta torcida para ganhar um Nobel.
Seus trabalhos lembram pesquisas do auge da Guerra Fria: mover objetos com o poder da mente. Não se trata de mais um Uri Geller a entortar talheres. Ele recebe verbas da Darpa (Defense Advanced Research Projects Agency), agência militar americana.
Em 2008, conseguiu que o cérebro de um macaco na Universidade Duke movesse as pernas de um robô em Kyoto via internet.
Para Nicolelis, entramos numa era em que as mentes serão conectadas a computadores. E tem proferido que o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014 seja dado por um tetraplégico, uma jogada de marketing que demonstraria ao mundo que o Brasil "é capaz de grandes e inesperadas coisas no campo da ciência".
Seu ousado projeto Walk Again (Voltar a Andar) desenvolve um "exoesqueleto" movido por motores hidráulicos e sinais do cérebro.
O problema é saber se um tetraplégico prefere andar neste traje robótico ou numa famigerada cadeira de rodas.
No passado, a medicina costumava enfiar paralisados em estruturas metálicas, as chamadas botas ortopédicas, com dobras e fechos, para que deficientes pudessem "voltar a andar".
Acontece que o trambolho feria as juntas do corpo e era difícil de "vestir". No mais, as muletas deslocavam os ombros. Nenhum paraplégico queria andar naquilo. Preferiam uma compacta, ágil e universal cadeira de rodas.
O mesmo pode ocorrer com o traje robótico. Ou ele virá com uma equipe para, todas as manhãs, acoplá-lo no corpo do tetraplégico?
O projeto Walk Again serve aos olhos de quem não aceita a diferença e deseja reabilitar o deficiente sem considerar a praticidade. Belo marketing. Mas pouco funcional. Fonte: O Estado de S.Paulo.
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