Famílias vivem drama de ter de interromper tratamentos importantes
29/09/2011 | A rotina do aposentado José Rodrigues, de 67 anos, mudou desde a última vez em que esteve na Farmácia de Alto Custo do Hospital Regional. Antes do dia 10 de agosto, como costuma fazer todos os meses, munido de receita foi em busca do medicamento prescrito para a filha que é portadora de doença mental. Mas qual não foi sua surpresa ao saber que o remédio estava em falta. "Ligo todos os dias pra saber se já chegou", revela. O problema não é novo e o Olanzapina 5 miligramas que o senhor José espera é apenas um dos medicamentos de alto custo em falta, de uma lista extensa, que tem prejudicado pacientes e até interrompido tratamentos.
O coordenador de Programas de Saúde de Votorantim, Adalberto Leme, tem denunciado com frequência a situação, inclusive com apoio de setores da saúde de outros municípios da região. Ele explica que a falta de medicamentos vem ocorrendo há mais ou menos um ano, com meses de maior proporção. Leme esclarece que atualmente tem faltado com certa frequência, entre outras, as medicações de esquizofrenia (Olanzapina 5 mg), asma (Salbutamol), para epilepsia (Lamotrigina), colesterol (Fenofibrato) e para osteoporose (Calcitriol). Hoje, em Votorantim, pelo menos 128 pacientes são prejudicados pela falta de doze itens de medicação, revela ele.
Há cerca de um mês, a lista de medicamentos com falha na distribuição, divulgada pelo coordenador de Programas de Saúde de Votorantim, por meio do jornal Cruzeiro do Sul, chegava a vinte itens. Outros 18 municípios também demonstravam descontentamento com a situação. Para cobrar explicações do Governo do Estado a respeito da situação, os responsáveis pelas assistências farmacêuticas das cidades protocolaram pedido de reunião com o diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-16), em Sorocaba, João Márcio Garcia. No entanto, segundo Leme, a reunião solicitada com todos os municípios acabou realizada em blocos. (blá..., blá...)
Dramas pessoais
O aposentado José Rodrigues, 67, da Vila Jardini, assim como a aposentada Olga Hipólyto Coan, 69, do Jardim Maria do Carmo, têm decorado os números dos telefones da Farmácia de Alto Custo do Hospital Regional. Seu Zé perdeu a conta das vezes que já ligou para a farmácia, pelo 3332-9517. "Ligo todo dia para saber se chegou Olanzapina." Para Olga, a situação de seu tio pode complicar, caso não venha logo o medicamento para sua doença, o Mal de Parkinson. "A gente sempre pega no começo do mês, mas chegou a ficar um mês defasado", revela a aposentada. José Rodrigues conta que o medicamento retirado na farmácia de alto custo está a R$ 272,00, com 28 comprimidos, enquanto o genérico custa R$ 176,88. "Não tenho condições de comprar porque existem outros remédios que ela usa e tenho que pagar. Meu gasto mensal é alto", comenta. (...)
Explicação
A falta de medicamentos de alto custo nas farmácias, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, pode ocorrer por diversos fatores, como escassez de matéria prima, atrasos por parte de fornecedores e problemas logísticos, entre outros. Em agosto a Secretaria aplicou R$ 630 mil em multas contra laboratórios e distribuidores que atrasaram a entrega de medicamentos, prejudicando o tratamento de pacientes. Em resposta aos questionamentos e à lista da Coordenadoria de Programas de Saúde de Votorantim, a Secretaria enviou a seguinte nota:
"Os medicamentos Calcitriol, Hidróxido de Ferro e Pramipexol já se encontram disponíveis na Farmácia de Alto Custo de Sorocaba, administrada por empresa terceirizada, que está providenciando o repasse das remessas a Votorantim. (blá..., blá..., blá...) Fonte: Portal Cruzeiro do Sul.
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