sexta-feira, 16 de setembro de 2011

UFC e as lesões cerebrais

sex, 16/09/11 - (...) As consequências ao cérebro depois de tanto impacto ainda não são conhecidas pelos profissionais de saúde. Por isso mesmo, está sendo lançado um estudo com 500 lutadores profissionais (boxeadores e de luta livre), em parceria com a Cleveland Clinic, nos Estados Unidos. O projeto esta sendo financiado pela bilionária fundação Kirk Kerkorian’s Lincy.

A ideia é justamente entender o impacto físico das pancadas no cérebro dos atletas com a finalidade de melhorar o tratamento das lesões cerebrais. Hoje em dia, sabemos apenas como os danos se comportam no cérebro nos estágios finais, mas sabe-se pouco dos estágios iniciais das lesões e o que acontece com o acúmulo de danos ao passar dos anos. Lógico, cada pessoa reage a pancadas na cabeça de forma diferente, mas isso nunca foi estudado de forma criteriosa.

Os participantes irão se submeter a quatro procedimentos de MRI (escâner cerebral usando ressonância magnética) por ano, antes e depois das lutas. Além disso, terão acompanhamento físico, cognitivo e testes de fala que servirão para monitorar como a atividade cerebral é afetada após traumas no ringue.

A pesquisa tem atraído treinadores de outros esportes e conta com o apoio das associações de boxe, preocupadas com o impacto negativo de grandes lutadores em estados deploráveis depois de uma vida de glória nos ringues. Um exemplo clássico é o lutador Muhammad Ali, afetado com o mal de Parkinson – um ícone do esporte que sofre de imobilidade, tremores e demência.

Um dos objetivos da pesquisa será correlacionar a dinâmica do fluxo sanguíneo, medidas de regiões especificas do cérebro e tamanho da lesão a tempo de informar ao atleta quando é a hora de parar. Espera-se que o estudo traga autoridade suficiente para convencer lutadores seriamente machucados a se retirar dos ringues e aposentar, antes de serem afetados por doenças mais sérias.

Um dos objetivos da pesquisa será correlacionar a dinâmica do fluxo sanguíneo, medidas de regiões especificas do cérebro e tamanho da lesão a tempo de informar ao atleta quando é a hora de parar. Espera-se que o estudo traga autoridade suficiente para convencer lutadores seriamente machucados a se retirar dos ringues e aposentar, antes de serem afetados por doenças mais sérias.

Hoje em dia, segundo o regulamento oficial do boxe, apenas um exame de MRI é necessário durante a carreira inteira do atleta. O custo de cada exame fica em cerca de U$ 3.500. Com pouco dados e exames caros, a decisão de parar acaba sendo subjetiva e não intimida o lutador ou a equipe.

O estudo deve beneficiar neurologistas interessados em outras doenças, como Alzheimer, Parkinson e Esclerose Múltipla – todas relacionadas com lesões cerebrais durante a vida do indivíduo. Os resultados serão divulgados publicamente em uma revista científica especializada, mas os dados de cada lutador permanecerão confidenciais. Os pesquisadores acreditam que a metodologia vá incentivar organizadores a exigir o escâner de cérebro como requisito para a licença de luta. (segue...) Fonte: G1 Globo.

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