por LUCAS FERRAZ
08/01/2012 - Para demarcar os limites de sua imaginação, Henry Engler traça um círculo que abriga e controla seus pensamentos.
Foi assim na prisão, onde ele desenvolveu a técnica intuitivamente, para tentar manter-se são; na vida cotidiana, como na recente briga de trânsito em que terminou agredido; e no trabalho de pesquisa médica, que o fez chegar perto do Prêmio Nobel de Medicina, por desenvolver um dos estudos mais importantes em sua área nos últimos cem anos.
Ex-preso político da ditadura uruguaia por 13 anos, 11 dos quais numa solitária, sofrendo alucinações e diagnosticado com psicose delirante crônica, Engler apresentou em 2002, na Conferência Mundial sobre o Alzheimer, em Estocolmo, um trabalho que revolucionou os estudos do cérebro.
Ele detectou, pela primeira vez, a proteína amiloide, associada ao Alzheimer, em um homem vivo, passo mais importante no estudo da doença desde que o psiquiatra alemão Alois Alzheimer (1864-1915) detectou o mal, em 1906, na cabeça de um morto.
"Claro que houve influência da prisão na minha investigação, ela me deu disciplina e muita paciência", disse Engler à Folha em sua sala de diretor do Cudim (Centro Uruguaio de Imagenologia Molecular), criado por ele em Montevidéu em 2008. "Para o pesquisador, o mais importante não é a inteligência, mas sim a paciência, em primeiro lugar, e depois a intuição. Tanto na prisão como na minha pesquisa, tomei um caminho intuitivo." (...)
ALZHEIMER
Em 1997, já integrado à equipe de investigação de Uppsala, Henry Engler participou de pesquisas com cientistas da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia.
Nos Estados Unidos, os pesquisadores conseguiram criar uma substância que era usada em animais. Os estudos com o composto "PiB", como os suecos o nomearam, foram bem-sucedidos. Monitorada até chegar ao cérebro, a substância tornou possível detectar a proteína amiloide, associada à doença de Alzheimer.
Na Suécia, a Universidade de Uppsala desenvolveu um avançado exame de imagem, e Engler e seus colegas testaram o "PiB" em homens. "Colocamos uma pequena quantidade de radioatividade nessa substância, a injetamos no corpo humano e a monitoramos até o cérebro. Com as câmeras especiais, foi possível detectar a reação da amiloide, substância do cérebro que produz a doença e vai matando os neurônios".
O teste foi feito com cinco pessoas saudáveis e nove doentes. Deu certo. Era a primeira vez na história que a medicina conseguia mostrar a presença do Alzheimer no cérebro de pessoas vivas.
ACERTO DE CONTAS
Dividindo o tempo atualmente entre a Suécia e o Uruguai, Engler voltou ao seu país para um pequeno acerto de contas. Em 2008, fez um acordo com o governo para a criação do Cudim, erguido em frente ao mítico estádio Centenário. O centro médico é uma organização que atua em regime privado, mas que depende do Estado.
"Damos assistência a toda a população do Uruguai, sem cobrar nada, porque o Estado nos deu essa oportunidade", afirma.
No Cudim, há uma parceria com as Universidades de Montevidéu e de Uppsala. Os exames são para diagnósticos de câncer (todos os tipos), além de neurologia. O diagnóstico do Alzheimer deve começar a ser feito em breve. "Senti uma obrigação de ajudar, de voltar, o Uruguai estava muito distante nessa área. Senti muita gratidão pelas pessoas que lutaram pelo fim da ditadura e pela minha geração".
Engler também dirige o recém-criado Clube Latino de Imaginologia Molecular, cujo objetivo é integrar toda a rede médica da região, e torce para que seu estudo ajude a encontrar uma cura para o Alzheimer, cujos tratamentos, até o momento, são todos paliativos. (segue...) Fonte: Folha de S.Paulo.
Este Blog, criado em set/2001, é dedicado às Pessoas com Parkinson (PcP's), seus familiares, bem como aos profissionais da saúde que vivenciam a situação de stress que acompanha a doença. A idéia é oferecer aos participantes um meio de atualizar e de trocar informações sobre a doença de Parkinson e encorajar as PcP's a expressar sentimentos no pressuposto de que o grupo infunde esperança, altruísmo e o aumento da auto-estima. E um alerta: Parkinson não é exclusividade de idosos!
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