Cientistas da Universidade de Nova Iorque, em Buffalo, conseguiram desenvolver pela primeira vez em laboratório um neurónio vivo com Parkinson «juvenil», que aparece antes dos 40 anos.
quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012 | O neurónio com a doença foi produzido a partir de células da pele de quatro pacientes, sendo dois saudáveis e dois com a doença.
A partir dessas células, os investigadores desenvolveram as chamadas células estaminais iPS, que podem transformar-se em qualquer célula - incluindo neurónios.
Os neurónios vivos com Parkinson, diferentemente dos neurónios vivos saudáveis, apresentam uma mutação num gene específico que provoca a sua degeneração.
Essa alteração, que acontece no gene parkina, impede o controlo de uma enzima que regula a oxidação de um neurotransmissor chamado dopamina. Com isso, o neurónio oxida e as células degeneram.
O trabalho, publicado na Nature Communications, joga uma luz sobre a doença de Parkinson comprovadamente causado por mutação genética - até 10% no total de casos. Os demais tipos têm causas desconhecidas.
«Os sintomas do Parkinson genético e não genético, no entanto, são os mesmos», diz o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, da USP.
Os trabalhos com células iPS começaram em 2007. Desde então, cientistas de todo o mundo têm trabalhado para transformá-las em células ligadas a doenças neurológicas. Isso porque é impossível estudar neurónios vivos humanos, que estão no cérebro e não podem ser retirados.
«Essa é a primeira vez que neurónios humanos ligados à dopamina foram gerados a partir de pacientes com Parkinson com mutações na parkina», diz Jian Feng, principal autor do estudo.
No caso do Parkinson, há um problema adicional que prejudica as pesquisas: os modelos animais não podem ser utilizados porque a doença manifesta-se de maneira diferente.
«Antes, não poderíamos nem pensar em estudar a doença em neurónios humanos», comenta Feng.
«Justamente por isso as células estaminais iPS são tão importantes», explica o neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que trabalha com esse tipo de célula.
Apesar de os cientistas dos EUA terem estudado um tipo raro da doença, o trabalho pode ajudar a compreender como funciona a mutação do gene parkina.
«Mas ainda é cedo para se falar em tratamento ou cura. As pesquisas com células estaminais estão a começar», lembra o neurologista Arthur Oscar Shelp, da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
A pesquisa dos EUA foi financiada pela Fundação Michael J. Fox, criada pelo actor, que recebeu o diagnóstico da doença aos 30 anos. Fonte: Diario Digital.pt.
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