Depois de um longo período, conhecido como inverno da IA, em que os cientistas quase abandonaram a busca, volta a ganhar impulso o esforço para criar uma máquina que simule por completo a mente humana
09/03/2013 - Será possível construir uma máquina com a capacidade de raciocínio do cérebro humano? Os pioneiros da ciência da computação, nos anos 50, estavam convencidos de que sim. John McCarthy, o cientista americano a quem devemos a expressão inteligência artificial, a Ia, pôs a questão nos seguintes termos: “a inteligência humana pode ser tão precisamente descrita que é possível construir uma máquina que a simule”.
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| CÉREBRO DIGITAL -- Mapeamento do cérebro para abastecer de informações o supercomputador Human Brain (Foto: Divulgação) |
As tentativas de recriar eletronicamente a interação dos neurônios responsáveis pela inteligência humana prosseguiram até os anos 80, sem sucesso. Faltava conhecer melhor o cérebro antes de tentar replicá-lo. A dificuldade levou os pesquisadores a uma mudança de foco. Teve início o período lembrado como “inverno da IA”.
Projeto pretende replicar as funções biológicas do cérebro
Os projetos para reproduzir a complexa arquitetura do cérebro praticamente entraram em hibernação. Avanços recentes nos estudos que visam a mapear o cérebro, porém, combinados com o progresso na capacidade de processamento de computadores, voltaram a mudar a perspectiva. Podemos dizer que se chegou à primavera da inteligência artificial.
Um marco desse recomeço é o início, neste mês, do projeto Human Brain (Cérebro Humano), cujo objetivo é replicar as funções biológicas do cérebro. Com um financiamento de 1,6 bilhão de dólares fornecido pela União Europeia, o projeto, com sede na Suíça, envolve 250 cientistas em 150 centros de pesquisa de todo o mundo.
O supercomputador que imitará o cérebro, o Human Brain, é capaz de executar tarefas, como complexos cálculos matemáticos, 10.000 vezes mais rápido que o cérebro humano.
O desafio diante do projeto é colossal: o cérebro contém aproximadamente 100 bilhões de neurônios conectados uns aos outros. A isso se somam diferentes tipos de neurotransmissores cujos efeitos podem depender da forma como interagem no sistema, criando camadas de complexidade que não são inteiramente compreendidas.
Ao recriar eletronicamente as regras gerais do funcionamento cerebral, o supercomputador poderá avançar no estudo de doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson. Os dados obtidos ajudam também a criar sistemas e programas de robótica que imitem uma das mais brilhantes criações da natureza, a mente humana. (...)
No ano passado, um programa da IBM foi além, ao replicar na tela de computador 100 trilhões de sinapses neurais. Podem ser os primeiros passos para um dia fabricar-se algo como David, o androide filosófico do filme Prometheus, do diretor Ridley Scott.
Em um dos diálogos inspirados que ele protagoniza, um humano pergunta: “David, o que te faz sentir triste?”. O androide responde: “Guerra, pobreza, crueldade, violência desnecessária. Eu entendo as emoções humanas”. Fonte: Revista Veja.

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