terça-feira, 9 de abril de 2013

Doença de Parkinson: Passado, Presente e Futuro

Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá (CRM 109665)

Segunda-Feira, Dia 08 de Abril de 2013 - Para retomar a história da doença de Parkinson, dois personagens importantes precisam ser lembrados. O primeiro, o médico inglês James Parkinson, que em 1817 cunhou o termo “paralisia agitante”para identificar a rigidez e o tremor, sintomas comuns na doença. O segundo, o médico francês Charcot, que identificou a lentidão dos movimentos (bradicinesia) como o principal sintoma da doença e modificou o nome “paralisia agitante” para doença de Parkinson, homenageando seu colega inglês.

Quase dois séculos de história se passaram e hoje o cenário da doença de Parkinson é bem mais desafiador do que antes. E isto tem um motivo simples. As pessoas vivem mais e o envelhecimento está diretamente relacionado com um maior número de casos da doença. Estima-se que no Brasil, por exemplo, o número de casos da doença, hoje cerca de duzentos mil, mais que dobrará nas próximas décadas.

E certamente o envelhecimento não é o único fator responsável pela doença. Basta lembrar os casos de doença de Parkinson de início precoce (antes dos 50 anos). Assim, fatores como genética, celulares (mitocôndria), toxinas (pesticidas, solventes) e infecções (vírus) contribuem para desencadear o processo neurodegenerativo.

Atualmente, a doença de Parkinson é, sem dúvida, a doença neurodegenerativa com a mais ampla possibilidade de tratamento, seja com medicações, seja com cirurgia. E justamente estes dois pilares do tratamento são os pontos mais promissores no desenvolvimento de novas tecnologias, por exemplo, medicações via oral de longa duração, adesivos subcutâneos, transplante de células tronco mais seguros e eficazes e cirurgia de estimulação cerebral profunda com geradores de pulso (baterias) mais duradouros. O diagnóstico precoce com técnicas de imagem molecular também já é uma realidade e disponível no Brasil.

Finalmente, o governo norte-americano acabou de anunciar um projeto que pretende buscar tecnologias inovadoras que desvendem os mistérios do cérebro. E o impulso para isto serão cem milhões de dólares, algo nos moldes como aconteceu com o bem sucedido projeto de mapear o genoma humano. Obviamente, parte da motivação dos cientistas nesta iniciativa é a doença de Parkinson e nossos cem bilhões de neurônios. Logo, o futuro é certamente promissor e, em breve, já será possível sonhar com grandes descobertas. Fonte: Jornal do Brasil.

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