sexta-feira, 24 de maio de 2013

Parkinson – por que eu?

do facebook de Roberto Coelho em 24/05/2013

Uma questão que, acredito eu, todos que recebem o diagnóstico de Doença de Parkinson fazem é – “porque isso está acontecendo comigo, eu não mereço essa doença”. 

Acho compreensível e perfeitamente aceitável, afinal muitas mudanças e adaptações virão a seguir. Tudo que se faz a partir dai passa a ser mais lento, o que é natural na doença.

O primeiro passo a ser dado nesse árduo caminho é aprender a aceitar. No início do tratamento, eu tinha 25 anos de idade, era quase um garoto, confesso que busquei incessantemente a cura para a doença. 

Estive em todos os ramos de religião. Passei por terreiros de Umbanda, busquei no Espiritismo, na Igreja Católica, nas Evangélicas, enfim foi uma verdadeira peregrinação em busca de cura. A cada nova possibilidade, vinha a seguir uma decepção. 

Porque eu fiz isso? Porque imaginava que não fosse “justo” eu ter a doença. Porque eu não aceitava. Aquilo não poderia ser comigo. Minha própria família agia como se aqueles sintomas que eu apresentava fossem coisa da minha cabeça. Assim fui acumulando decepção após decepção, até um momento que percebi que aquela busca só estava me fazendo mal. O caminho deveria ser outro. Mas qual?

A questão tornou-se verdadeiramente espiritual, ao menos para mim.

Sabemos que com exceção dos ateus, todos nós acreditamos em uma Força Organizadora de tudo que existe, a que alguns chamam Deus, outros Jeová, outros ainda o conhecem por Oxalá, Buda e assim por diante... Não importa o nome que se dá, a Força Organizadora é a mesma. Eu não tenho a menor dúvida que nascemos nesse mundo com o objetivo de aprimoramento espiritual. 

Lembrando a música de Sting da banda The Police, que tem o título - “We are spirits in a material world”, que traduzindo significa “Somos espíritos em um mundo material”, posso afirmar que o sentido de estar aqui neste planeta, é meramente evolutivo. Em outras palavras – nascemos na Terra para aprender, para através das experiencias vividas aqui, durante nossa breve passagem, nos tornarmos em essência melhores.

Posso afirmar também pela minha experiência de vida, que as lições mais difíceis que aprendemos, tem um valor maior como aprendizado. Quanto mais dura é a fase que estamos passando na vida, maior é a lição contida nela. Isso de uma certa forma foi colocado pela Igreja Católica com o jargão “o sofrimento santifica”, que na minha opinião não é bem isso. Ao invés disso, eu diria que as lições mais duras da vida, são as mais valiosas.

Com esse exercício de reflexão, colocado de forma ultra resumida aqui, porque foi para mim um processo que levou anos para que eu entendesse, consegui mudar a minha ótica a respeito da doença.

Passei a pensar na dimensão do que estava e estou vivendo. E mais, percebi o quanto minha missão neste planeta é especial. 

Conviver com a Doença de Parkinson, realmente não é para qualquer um. É preciso muita força, muita determinação, muita paciência e principalmente conseguir dar o primeiro passo nessa escola – aceitar a doença e conviver o mais pacificamente possível com ela. Ressalto que aceitação é muito diferente de “resignação”.

Portanto o importante, na minha modesta opinião, é buscar a compreensão de qual é o ensinamento, ou ensinamentos, que estão por trás disso.

Pode acreditar, tudo tem um lado bom, absolutamente tudo, até mesmo Parkinson. É só começar a procurar...

Bom dia!

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