sábado, 18 de janeiro de 2003

PERDOAR � HUMANO


Mente

Perdoar � humano

Novo livro refor�a a tese de que o perd�o ajuda
o organismo a ficar mais fortalecido contra as doen�as

TESTE: Tenho chances de ficar doente devido a ressentimentos?

M�nica Tarantino


REM�DIO N�o guardar m�goas livra o corpo de subst�ncias que diminuem a imunidade e fazem mal ao cora��o
Perdoar � um verbo importante em cren�as como o catolicismo, a doutrina esp�rita e o budismo. Mas � alvo de interesse em outras �reas. Cientistas, l�deres pol�ticos
e intelectuais advogam a seu favor. A fil�sofa Hannah Arendt, por exemplo, considerava-o �a chave para a a��o e a liberdade�. Agora, o perd�o passou tamb�m a ser investigado pela medicina. Os v�rios estudos em andamento seguem a tend�ncia de analisar a influ�ncia das emo��es na sa�de. Perdoar, imagina-se, livra o corpo
de subst�ncias que s� fazem mal.

Essa tese faz parte do livro O poder do perd�o (256 p�gs., W11 Editores), lan�ado h� um m�s no Brasil.

O autor, o psic�logo americano Frederic Luskin, faz uma liga��o entre o bem- estar trazido pelo perd�o e a sa�de.

Luskin afirma que guardar ressentimentos, culpar os outros ou apegar -se �s m�goas estimula o organismo a liberar na corrente sangu�nea as mesmas subst�ncias qu�micas associadas ao stress,que prejudicam o corpo. �Manter rancor faz mal � sa�de. Com o tempo, o ac�mulo de compostos nocivos gerados por esse sentimento causa danos ao sistema nervoso, ao cora��o e diminui a imunidade�, garantiu Luskin a ISTO�. O ato contr�rio � ou seja, o exerc�cio do perd�o �, desencadearia as rea��es desejadas para a manuten��o da sa�de, do bem-estar e para o controle das doen�as. O especialista ap�ia suas teorias em trabalhos recentes realizados nas universidades de Wisconsin, Tenessee e Stanford, onde ele dirige o Projeto Perd�o, um centro de estudos sobre o assunto.

Uma de suas pesquisas foi feita com 260 pessoas. Parte delas foi orientada a perdoar. A outra, n�o. Depois, o grupo todo foi instru�do a alternar atitudes de boa vontade com pensamentos preestabelecidos que trouxessem ressentimentos. Durante o per�odo de fantasias rancorosas, os especialistas verificaram que os indiv�duos que n�o se voltaram para o perd�o tiveram aumento na press�o arterial, nos batimentos card�acos, na tens�o muscular e na transpira��o. �O estudo mostrou que o ressentimento pode, a curto prazo, estressar o sistema nervoso�, conclui Luskin. Outro trabalho do psic�logo indicou que as pessoas mais inclinadas ao perd�o sofriam menos enfermidades e tinham menos doen�as cr�nicas diagnosticadas.


... EFEITO Khalil garante que a irrita��o na pele sumiu depois de ter solucionado ressentimentos

Apesar dos resultados positivos, os estudos sobre o assunto ainda s�o embrion�rios. �At� agora, uma quantidade limitada de pesquisas foi conclu�da�, admite o psic�logo Luskin. De fato, um levantamento realizado pelo cardiologista S�rgio Timerman, do Instituto do Cora��o, revelou que n�o h� estudos conclusivos publicados em revistas m�dicas importantes. �N�o � novidade que a raiva aumenta o stress, fator desencadeante de quadros que pioram a sa�de cardiovascular. Mas considero a investiga��o dos efeitos do perd�o uma linha de pesquisa promissora�, diz Timerman. Al�m das recomenda��es religiosas e acad�micas, h� grupos de discuss�o que t�m no perd�o um dos seus principais focos de interesse. O advogado paulista Antoin Khalil, 38 anos, � um exemplo da capacidade de mobiliza��o do tema. H� mais de cinco anos ele coordena encontros para discuss�o sobre o conte�do do livro Um curso em milagres, febre que come�ou nos Estados Unidos em 1975 e chegou ao Brasil dez anos depois. O texto, que teria sido psicografado por uma psic�loga americana, aborda o perd�o como ferramenta para a transforma��o interior. Khalil garante que se beneficiou muito quando aprendeu a perdoar. �Entendi que n�o guardar rancor nos encaminha para a cura. Quando deixei de lado ressentimentos, sumiu uma irrita��o cr�nica que tinha nas m�os�, assegura.

Atualmente, h� mais de 40 grupos de discuss�o sobre o livro no Brasil. Na livraria Nova Era, em Florian�polis, as reuni�es s�o coordenadas por Jorge Brandt, 48 anos, propriet�rio do local. A t�cnica em enfermagem Regina Souza, 45 anos, frequentou muitos desses encontros at� se libertar de m�goas antigas �s quais credita boa parte dos seus problemas de sa�de. Nos �ltimos anos, ela enfrentou dores, depress�o, s�ndrome do p�nico e teve o �tero retirado. Em 2001, voltou a ter dores fortes e sem diagn�stico no baixo ventre. �Descarreguei no corpo o �dio que sentia por uma m�dica que diagnosticou em mim um c�ncer linf�tico que n�o existia. Na �poca, sofri muito e fiquei ressentida�, conta. Este ano, o destino colocou novamente Regina diante da mesma m�dica para pegar os resultados dos exames da irm�, que tinha alguns n�dulos na mama. �Tomei coragem e fui l�. No caminho, minha intui��o dizia que os exames da minha irm� nada apontariam e que esse era o momento de desfazer tudo o que sentia de ruim pela m�dica. Chamei-a, contei o que tinha acontecido comigo e disse que finalmente a tinha perdoado. Ela me abra�ou e come�ou a chorar. As dores no corpo sumiram, n�o estou mais deprimida, rejuvenesci. Acho que o perd�o me curou�, diz Regina.

obs: publicado na Revista Isto � de janeiro 03
www.istoe.com.br








Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.